domingo, 25 de setembro de 2016

O meu Livro...

     Olá!

    Como todos vocês sabem, continuo a escrever e a publicar neste nosso blogue porque a escrita ajudou-me muito nos momentos maus que fui vivendo nos últimos tempos. Confesso-vos que houve momentos em que não queria escrever, mas a minha mãe encorajava-me e, juntas, sentávamo-nos em frente ao computador e lá surgia mais um texto. Tem sido um trabalho a "duas mãos", ou seja, tudo o que eu escrevo a minha mãe lê e, sempre que foi necessário, ela alterou a construção frásica de forma a apresentar um discurso escrito bem articulado. Nos piores momentos que vivi, eu conseguia só apresentar tópicos ou frases sem grande cuidado... No entanto, a minha mãe logo me auxiliava e preparava o discurso para eu poder publicar. Antes de publicar, eu lia atentamente o texto e verificava se era assim que eu queria que ficasse.

    Tem sido uma parceria muito feliz e é precisamente esta felicidade que queremos partilhar com todos... Assim, muito em breve sairá o nosso livro. Para todos vocês poderem acompanhar desde já o desenvolvimento deste nosso Projeto, deixo-vos aqui o endereço da Página no Facebook do livro:

                                        www.facebook.com/LivroEscolioseInfantil

    Deixem-me pedir-vos um favor: Gostem da Página e Partilhem com os vossos Amigos.

    Estou lá à vossa espera...

         Beijinhos!

Treinos e lesão...

     Olá!

     Sempre com muita vontade de superar todos os obstáculos, tentei fazer tudo o que os meus colegas faziam. Continuei a ficar atrás, mas fui fazendo...
     Um dia cheguei a casa e queixei-me com dores num joelho. Como às vezes fico muito dorida e acabo por sentir uma dor ou outra em várias partes do corpo, os meus pais logo disseram que provavelmente seria mais uma dessas situações. Nos dias a seguir continuei a fazer os treinos e a dor continuava lá instalada, a chatear-me. Na quarta-feira dei comigo quase a arrastar a perna, tais eram as dores que sentia. Perante tal quadro, os meus pais acharam melhor levar-me ao médico. E, então, voltou a repetir-se um capítulo já vivido. Fui ao Hospital, a uma consulta de Urgência. Olhem só a coincidência: a médica que me atendeu nesta consulta foi a mesma que me tinha recebido aquando da consulta de urgência para a coluna (quando os meus pais viram que a minha coluna estava torta...). Depois de examinar o meu joelho, remeteu a situação para o seu colega de ortopedia e pediu um Rx.
     Lá fui outra vez ao serviço de radiologia, ao serviço que eu conheço tão bem... A única coisa que mudou foi que tive de me deitar para fazer o exame pedido (os exames à coluna são sempre feitos em pé...). Feito o Rx, dirigi-me para a consulta de ortopedia. E quem é que encontrei aqui? O médico que me passou ao Doutor que me pôs a coluna direita. Pois é, foi mesmo esse médico e quando ele viu os meus dados no computador,  lembrou-se de mim e da consulta que me fizera em julho de 2014. Quis saber pormenores  e ficou muito satisfeito com o resultado final, elogiando o trabalho que o seu colega me tinha feito na coluna. Quanto ao joelho, examinou, viu o Rx e disse que eu tinha uma lesão num tendão do joelho.
     Tratamento: anti-inflamatório e uns emplastros para colocar sobre o joelho. Quanto aos treinos, teriam de parar durante duas a três semanas, incluindo a natação.
     Passou o atestado, em duplicado, para ser entregue na Escola, pois não podia fazer as aulas de Educação Física e no Clube de Natação.
     Fiquei muito triste, eu preciso de treinar para melhorar os meus tempos, eu quero participar nas provas desta época...

sábado, 24 de setembro de 2016

Treinos intensivos... Novo ano escolar

    Olá, Queridos Leitores!

    Pelo aumento de visualizações que houve esta semana, calculo que tenha novos leitores. Se assim for, sejam bem-vindos! Se quiserem colocar alguma questão ou fazer apenas um comentário, podem e devem fazê-lo.

     Mais uma semana que passou. O tempo continuou quente, convidativo para umas belas tardes de praia... Era bom, era! Mas não podia ser...
     Com setembro a caminhar para o seu fim é já sinónimo de aulas que, por sua vez, implica cumprir horários, realização de pequenos trabalhos, enfim, mais um ano escolar que já começou. A minha turma é praticamente a mesma, com a vantagem de estar mais pequena. Alguns colegas não transitaram para o 8º ano, outros mudaram de escola e entraram quatro alunos novos. A minha nova turma tem vinte e dois alunos e é uma turma sossegada. Tenho, também, alguns professores novos; o diretor de turma não é o mesmo do ano passado, atualmente é o professor de Educação Física.
     Nos treinos, continuei a dar o máximo que podia e, se calhar, abusei um bocadinho. Nunca gostei de ficar atrás de ninguém, mas claro que agora me encontro atrás de muitos colegas, afinal acabou por ser um ano inteirinho sem os treinos que ajudam o atleta a melhorar o seu desempenho e muito. Tendo autorização do Doutor para treinar sem restrições, puxei muito por mim... Mesmo na parte dos treinos "secos" - já sabem o que quero dizer com isto, ginástica fora de água... -, dei o máximo de mim para não me distanciar dos outros atletas. Tenho ainda um longo caminho para percorrer até conseguir atingir o nível que apresentaria se não tivesse passado pela dura batalha em que tive de enfrentar uma dura escoliose...

     Continua...

domingo, 18 de setembro de 2016

Um ano após a cirurgia - Escoliose Infantil - O Livro...

18 de setembro de 2015 e 2016

     E faz hoje precisamente um ano que tive de viver e vencer uma dura batalha que se colocou no meu caminho: cirurgia à coluna para corrigir uma escoliose muito teimosa que decidiu instalar-se para me chatear um bom bocado.
     Hoje de manhã ri com os meus pais... Todos lembramos que fazia um ano, mas quando se faz anos é para dar e receber os parabéns... Demos connosco a pensar, rindo, se eu estava efetivamente de parabéns ou estaria perante outra coisa qualquer. Acabamos por ficar com a tese dos parabéns pois a cirurgia acabou por constituir o presente que eu recebi no dia 18 de setembro de 2015. Claro que neste dia nenhum de nós encarou isto como um presente, mas mais como um momento muito complicado das nossas vidas. Eu iria ser submetida a uma cirurgia muito complicada e difícil, todos sabíamos, daí ter existido muito medo e sofrimento.
     No entanto, tudo correu bem, o meu querido Doutor pôs a minha coluna no sítio devido, no local donde nunca deveria ter saído. Não tenho palavras para agradecer a todos aqueles que de mim cuidaram e continuam a cuidar, sempre com muito profissionalismo e ternura. Muito obrigada!...
     Lembro de ter escrito que a minha vida desde que me foi diagnosticada a escoliose, dava um filme... Pois bem, Queridos Leitores, um filme até daria, mas por agora vai dar um livro. Pois é, esta é a prenda que vos quero trazer neste dia especial:
   
      vai mesmo ser publicado um livro com a minha história. Logo que tenha a data de lançamento, direi aqui!

     Estou muito feliz com esta novidade que vos acabei de contar. Espero que tenham gostado...

sábado, 17 de setembro de 2016

A minha nova Vida - continuação!


    Estava mesmo muito curiosa, queria muito saber o que os meus treinadores tinham dito. E posso explicar-vos porquê? Eu pensava que logo naquele treino eles poderiam pedir-me para dar o salto... E isto não podia ser! Eu sabia que não estava preparada para o fazer, por isso não queria fazê-lo já, sentia que precisava de algum tempo para me preparar, psicologicamente, para mais uma grande aventura nesta minha vida... Resumindo e concluindo: queria muito saltar, mas ainda não estava preparada.
    Quando estava a ter esta conversa com os meus pais, o treino já tinha acontecido e, claro, os meus treinadores não me pediram para dar o salto. Os meus pais disseram, então, que o Treinador tinha mostrado muita compreensão perante a minha situação e que foi ele mesmo que disse que me iriam preparar para dar, novamente, o salto para a piscina. Os meus pais confidenciaram-lhe que me tinham sentido um pouco receosa quanto a isso, mas ele tranquilizou-os. Mesmo a minha mãe que, como já sabem, é muito receosa e está a sempre a pensar no que pode acontecer, estava tranquila. Os meus pais sentiram que os meus treinadores sabiam o que estavam a fazer e isso deixou-nos, a todos, muito tranquilos.
    Antes do início do treino desse dia nove de setembro, o meu Treinador falou com toda a equipa, contando a novidade sobre mim: que tinha tido alta para a prática de natação, após uma grande cirurgia à coluna. Todos bateram palmas... Gostei muito deste gesto e fiquei muito sensibilizada!

A minha semana: vida nova!

    Olá, queridos Leitores!

    Espero que todos tenham tido uma ótima semana. Esta semana de setembro presenciou uma grande viragem na minha vida, depois de um ano à espera daquelas palavras mágicas que me permitiriam voltar à minha vida normal. Passado uma semana, confesso, hoje, que depois de ter ouvido o Sr. Doutor a dizer que eu já podia dar o salto para a piscina e fazer as viragens, fiquei um bocadinho assustada e até receosa... Há um ano que não faço estes passos próprios da natação e isso deixou-me a pensar, agora que já tinha a autorização para o fazer, se iria conseguir fazê-lo.
     Ainda na consulta, a minha mãe perguntou ao Doutor se não havia mesmo nenhum problema com aquilo que eu ia passar a fazer - a minha mãe estava com muito medo e fazia-lhe muita impressão eu voltar a dar as cambalhotas nas viragens, mas, principalmente, saltar para a piscina. O Doutor disse que não havia problema, estava tudo bem. Senti que a minha mãe ficou um pouco, ou melhor, muito preocupada.
    A seguir à consulta, os meus pais foram levar-me ao treino e falaram com os meus treinadores. Estes sabiam que eu tinha consulta nesse dia e queriam saber o resultado da mesma. Não assisti a esta conversa, mas quando cheguei a casa, perguntei logo aos meus pais como é que tinha corrido e o que é que foi dito. Fiquei a saber que inicialmente falaram só com um dos treinadores e, quando já iam a sair das instalações do clube, encontraram-se com o outro treinador, a quem contaram, também, a novidade.

domingo, 11 de setembro de 2016

9 de setembro - a consulta

    Hoje, dia 11 de setembro, acordei um pouco mais cedo do que o costume. Dormi muito bem e acordei muito bem disposta. Tal como faço sempre antes de me levantar, espreitei as redes sociais para me inteirar sobre as últimas novidades. Faço isto no Ipad, deitada na minha bela caminha.
    Presumo que estejam curiosos quanto ao resultado da minha consulta. Então aqui vai:

    Quando cheguei ao hospital, como já é costume, fui tirar o RX. Foi rápido o atendimento. Depois de me dizerem que estava tudo bem com o exame, dirigi-me, juntamente com os meus pais, para o consultório do Doutor. Não demorou muito até estarmos junto do Doutor que já tinha diante de si, no computador, o meu RX. Perguntou-me como é que eu estava. "Bem", respondi eu. De seguida, observou-me e disse que estava tudo bem.
    Chegado o momento de saber como é que seria com a natação daí para a frente, eis que ouço as tão desejadas palavras mágicas:

    - Já podes saltar e dar as cambalhotas...

sábado, 10 de setembro de 2016

Refletindo sobre a consulta do dia 9 de setembro

    Olá!
    Este texto escrevi na noite do dia 8...

    Amanhã, dia 9 de setembro de 2016, será mais um grande dia: o dia da consulta em que poderei ouvir as palavras que tanto anseio - autorização para voltar à natação de competição.
    Hoje tive mais um treino intensivo, primeiro o de condição física e depois na piscina. Quando me preparei para ir para a piscina, vesti o fato de banho cor de rosa que podem ver na fotografia que mostro a seguir. Estes fatos de banho comprei-os esta semana e quero muito usá-los nos próximos treinos, fazendo tudo o que os meus colegas fazem. Como já tenho 13 anos, já sou Juvenil B, por isso os treinos são muito mais intensivos. Sei que não estou ao nível dos meus colegas e que terei de trabalhar muito para chegar ao nível deles, mas estou preparada. Para começar esta minha nova fase, preciso primeiro de ouvir, amanhã, o Doutor a dizer que estou bem e que posso retomar a competição.
    Tenho falado com os meus pais sobre isto e disse-lhes que não consigo sentir nenhuma previsão do que irá acontecer na consulta... Sabem, aquela coisa de sentir o que vai acontecer... Não sei o que vou ouvir, contudo sei o que quero muito ouvir!
    Bem, vou preparar-me para dormir pois amanhã é um Grande Dia...



quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Preparação física...

    Olá!
    Depois de uns dias muito, muito quentes, com temperaturas na ordem dos 40 graus, eis que hoje a temperatura já está mais suave. Confesso que já estava cansada daquelas temperaturas altíssimas.
    Ontem, dia sete de setembro, tive mais uma consulta de ortodontia para fazer a revisão mensal ao meu aparelho. Continuo a contar os meses que ainda me faltam para deixar de ter o sorriso metálico que tenho apresentado no último ano. Sei que tenho de continuar com o aparelho, mas também é verdade que já sonho com o dia em que vou deixar de o ter. Há dias em que me incomoda um bocado. Mas sei que tenho de aguentar e também sei que ele está a fazer bem o seu trabalho, pois a minha boca já não é nada daquilo que era... Os dentes estão a posicionar-se no sítio onde deveriam ter estado sempre.
    Nos últimos dois dias também tive treino, tanto na água como em terra. Passo a explicar: antes de entrar na piscina tenho de fazer um treino "seco", mas só é seco nos primeiros instantes porque rapidamente começava a transpiração a molhar o equipamento seco. Anteontem, este treino foi feito no interior das instalações da piscina, o de ontem realizou-se num parque com ótimas condições para a prática de exercícios. Um dos exercícios é correr e, com muita pena minha, eu não consigo acompanhar os meus colegas, falta-me a velocidade...
    Quando chega o momento de entrar na piscina, sinto-me maravilhosamente bem! Continuo a escrever "entrar na piscina" e não "mergulhar"... Como bem sabem, continuo com o treino condicionado, na próxima consulta - falta muito pouco - ficarei a saber o que me espera nos próximos tempos...
    Estando já com treinos diários, claro que o corpo "reclamou", senti dores nas articulações e nos músculos. Custa um bocadinho, mas acaba por saber bem pois é sinal de que tudo está a funcionar bem...

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Escola, época desportiva...

    Olá!

    Mesmo continuando muito preguiçosa, já estou a preparar as coisas para mais um ano letivo. Já tenho os meus manuais e todo o material escolar necessário para mais um ano de trabalho. Quanto aos manuais, já deu para perceber que tenho muita matéria para estudar. Mas fá-lo-ei com todo o gosto porque eu gosto de aprender coisas novas e, com treze anos, o meu trabalho é este: estudar para, no futuro, poder ter uma boa profissão, fazer aquilo que gosto, ou melhor, que hei de gostar... Se há algum tempo atrás eu sabia dizer o que queria ser no futuro, hoje já não posso dizer o mesmo. Neste momento não sou capaz de afirmar "Quando for grande serei...". Aliás, dizer até posso dizer, no entanto digo da forma como acabei de escrever no final da frase, com reticências. Estas reticências só conseguirei substitui-las no futuro, neste momento estou naquela fase em que quero ser muita coisa, e isso já sei que é impossível.
    Quanto à minha época desportiva, pois bem, começou ontem, 5 de setembro de 2016. Primeiro foi feita uma breve avaliação física e depois fui correr. Estava um calor infernal, mas tinha de ser, o descanso "já era"... Quando cheguei a casa, estava completamente de rastos e cheia de sede. Corri muito e senti-me muito bem. À noite, quando me deitei, sentia-me dorida.
    Hoje de manhã, quando me levantei senti os músculos das pernas doridos, mas agora já estou melhor.
    Está na hora de mais um treino, hoje também vou para a piscina!
   Até breve!

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Início de setembro de 2016

    Olá, Queridos Leitores!

    Peço desculpa pela minha ausência, mas reconheço que tenho andado muito preguiçosa. No início da semana pensei em vir até aqui para escrever, mas novamente a preguiça falou mais alto e então pensei: escrevo no dia 1 de setembro, dia do meu aniversário. Pois é, ontem fiz treze anos, mas o dia foi tão intenso que não tive oportunidade de me sentar em frente ao computador para escrever.
    Sempre que chega o meu dia de aniversário eu fico muito eufórica porque eu adoro fazer anos, receber prendas, ouvir o cântico dos Parabéns, trincar as velas no fim e pedir o desejo, enfim, tudo o que faz parte deste grande dia. E, assim, já tenho treze aninhos... Estou mesmo crescida!
    O meu dia de aniversário assinala também o aproximar do fim das férias escolares. Nas lojas já podemos encontrar o regresso às aulas... Admito que me custa um bocadinho olhar para os cadernos, canetas, lápis, enfim, todo o material escolar que por lá há. Parece que foi ontem que comecei as férias... Ai, ai, ai... Lá está a preguiça a falar mais alto! Sabendo que as aulas já estão aí "à porta", tenho aproveitado bem as manhãs para descansar na minha confortável caminha. Algumas das tardes tenho aproveitado para fazer caminhadas, ir à praia, apanhar Pókemons... Aliás, desde que instalei o jogo Pókemon Go que me tenho divertido muito e "puxa" por mim para andar. Os meus pais já andavam a alertar-me para o facto de estar muito parada... Assim, para além de me divertir com o jogo, passei a andar mais!
    Quanto à minha coluna, não há novidades, tenho-me sentido bem. Daqui a dias tenho a consulta e aí, sim, espero ouvir boas notícias para depois vos contar...
    Fiquem bem!


domingo, 21 de agosto de 2016

Onze meses após a cirurgia... Jogos Olímpicos!

    Há um ano atrás partilhei aqui o que me estava a acontecer, como é que vivia os meus dias à espera do Grande Dia, o dia da cirurgia. Foram tempos de muita angústia e sofrimento...
    Reparei que, no passado dia dezoito, o blogue apresentou um número superior de visualizações, comparado com os dias anteriores. Claro que lembrei que nesse dia fazia precisamente onze meses da cirurgia, e senti-me aliviada! Sei que já passei o pior, apesar de ainda estar à espera de "melhores dias"... Poder fazer tudo na minha modalidade do coração: natação!
    Não escrevi, então, no dia que assinalou os 11 meses de cirurgia porque estava triste... O meu irmão teve de fazer as malas para regressar a Londres, onde irá continuar a estudar para concluir o seu curso. Já foi e já estou cheia de saudades dele!
    Preenchi parte dos meus últimos dias a acompanhar os Jogos Olímpicos e, claro, todas as modalidades na água vi com muito prazer. Se bem se lembram, um dos meus desejos é precisamente chegar a esse patamar... Se a coluna me permitir, irei fazer tudo para o alcançar!
    Sei o que custa a preparação para se conseguir os tempos necessários para se participar nestas provas... Por isso, custa-me muito ouvir/ler tantas críticas negativas que são feitas aos nossos atletas. Só quem passa por estas situações é que sabe o que custa... Se não conseguiram fazer melhor, foi porque não puderam, pois o esforço que tiveram de fazer para poderem lá estar foi mais que muito...
    Muitos parabéns a todos os atletas e continuação de muitos sucessos...

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Escoliose Infantil - fotografia

    Olá!
    E o tempo continua a passar, julho já acabou e já entrou o mês de agosto, com muito, muito calor. A primeira semana deste mês foi passada no Algarve, num hotel com uma grande piscina. Apesar de viver muito perto da praia, confesso que prefiro piscina. Por isso, esta primeira semana de agosto foi "cinco estrelas", nadei muito e, enquanto o fazia, ia bronzeando. Sou branquinha, mas rapidamente adquiri um tom bronzeado, mas sem qualquer tipo de escaldão, pois os meus pais "barravam-me" com protetor a toda a hora. Estes momentos é que foram dolorosos, isto é, quando chegava a hora de me espalharem o protetor nas costas, lá começava o martírio. A cicatriz continua a incomodar!
   Passei, então, a semana praticamente toda dentro de água, só saía para me secar para, de seguida, ir comer. Admito que continuo esquisita no que diz respeito à alimentação, assim houve ementas que não me agradaram nada. Depois do jantar, assistia aos espetáculos que havia no hotel. Depois de mais uma noite de sono, vinha novo dia onde esta rotina voltava a repetir-se. Soube mesmo bem.
    Na piscina, tive de me controlar para não fazer aquilo que sei que ainda não posso fazer...
    Há um ano atrás tirei esta fotografia...


domingo, 24 de julho de 2016

dez meses depois da cirurgia - Escoliose

   Olá!

   Dia vinte e dois de julho, mais uma semana quente que chega ao fim. No dia dezoito lembrei o dia da cirurgia, o dia em que a minha coluna ficou direita. Dez meses... É muito tempo, mas até está a passar depressa! E quero que continue a passar  depressa, para rapidamente chegar o dia da consulta.
   Entretanto, continuo a treinar. Eu gosto mesmo muito de nadar, a melhor parte do dia é quando se aproxima a hora de me arranjar para ir para a piscina. Lá, vestir o meu fato de banho, pôr a touca, não esquecendo de colocar o tampão no ouvido direito (continuo a não poder deixar entrar uma gota que seja neste ouvido, pois se isto acontecer é otite certa...) e, finalmente, os óculos, é maravilhoso! Mesmo estando a nadar com as restrições que já conhecem, na água é que eu estou bem. Na água da piscina, claro, pois o mar não é muito a minha onda.
   O treinador, às vezes, marca o tempo que faço... Apesar de melhorar um bocadinho todos os dias, ainda estou longe do meu melhor, mas não desisto, eu chego lá! Custa-me um bocadinho sentir que estou a dar o meu máximo e os tempos não melhoram... Sei que tenho um longo caminho pela frente e estou preparada para ele!

   Bom fim de semana!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Eu e natação

   Olá!
   Desculpem esta minha curta ausência, mas a semana passada foi muito difícil para mim. Foi a semana da preparação final para o Campeonato Nacional de Natação. Tentei ser forte, mas não consegui. A tristeza foi aumentando e ouvir os meus colegas a falar sobre o fim de semana que se aproximava, deitou-me completamente abaixo. O sofrimento foi tanto que tive de desabafar com a minha mãe, e chorei.
   - Eu também queria ir!
   Foi a única frase que consegui dizer e não foi preciso dizer mais nada para a minha mãe perceber a minha tristeza. Logo ela me acalmou e disse-me que já tinha sentido que eu andava triste e que já estava à espera daquela reação. Falamos e eu acalmei. Nos últimos dias da semana não fui aos treinos... Foi melhor assim!
   O fim de semana chegou e com ele o Campeonato. Acompanhei as provas pela net e fiquei a torcer pelos meus colegas de equipa. Quando tudo acabou, senti-me mais leve e comecei a imaginar como será no próximo ano, neste campeonato... Eu quero muito estar lá!

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Portugal - campeão europeu

   Viva Portugal!
   Devido ao grande acontecimento de ontem e que hoje se continua a viver, tinha mesmo de começar este post com uma sentida saudação à nossa seleção! Não aprecio muito esta modalidade, nem percebo grande coisa. Como nos últimos tempos este assunto era o assunto do dia, tantas coisas ouvi que posso dizer que já percebo alguma coisa. O meu pai adora futebol, então também ele me foi esclarecendo algumas dúvidas!
   A lesão do Cristiano Ronaldo foi, para mim, um dos momentos mais marcantes do espetáculo. Ele tinha tudo para fazer um "brilharete" neste jogo, mas a lesão acabou por afastá-lo da final. Longe de mim equiparar-me a este fenómeno do desporto, mas naquele momento triste consegui sentir a dor que ele sentiu quando teve de ser substituído. Ele ainda tentou aguentar, mas as dores deviam ser insuportáveis. Abandonou o jogo, mas não saiu do campo, ficou a motivar e a incentivar os colegas de equipa para não baixarem os braços...
   Quase dez meses após a minha cirurgia, eu continuo a aguardar a autorização médica para voltar ao meu "campo" cheio de água... Muitas provas aconteceram durante esta época e, em cada uma delas, eu senti uma dor do tamanho do mundo, custa muito, mas mesmo muito, não se poder fazer aquilo que nos faz feliz! Sempre que vi as convocatórias, uma grande tristeza chegava... Os meus pais logo percebiam isto mesmo e, como sempre, lá estiveram eles a apoiar-me e a dizer aquilo que eu sei: "primeiro tens de recuperar da cirurgia para depois poderes dar o máximo naquilo que gostas de fazer!".
   Ontem saiu a convocatória para o Campeonato Nacional de Infantis, os meus colegas de equipa estão lá, eu não...

domingo, 10 de julho de 2016

Primeira semana de julho

   Olá!
   Depois de um mês de junho repleto de verão, eis que fomos brindados com uma semana primaveril, onde em alguns locais chegou a parecer mesmo inverno. Este tempo anda realmente maluco...
Esta semana, para além da natação, tive de fazer também preparação física. Não pude fazer tudo o que os meus colegas fizeram, pois a minha nova coluna não permite alguns exercícios que exijam dela, por exemplo, impacto ou enrolamentos. Quando chegava a hora destes exercícios, o treinador apresentava-me outros alternativos. Assim, consegui acompanhar todo o grupo no que toca a exercitar o corpo fora de água. Mas, claro, quando chegou a hora de entrar na água, aí sim, estava no meu paraíso. Continuo a não poder mergulhar do bloco, assim continuo a entrar na água através do acesso das escadas.
   Treinei todos os dias e de forma intensiva. No próximo fim de semana é o Campeonato Nacional e eu não vou poder ir. Mas, olhando para trás, parece que ainda foi ontem que participei neste Campeonato, e já passou um ano! Já nessa altura eu sabia que iria enfrentar uma batalha bastante difícil na minha curta vida... O mais certo seria a cirurgia para ficar sem a escoliose idiopática que me tinha aparecido! Pois é, e também já está quase um ano passado sobre o dia em que ganhei uma coluna nova!...
   Voltando aos treinos desta semana: fiquei com muitas dores musculares, doía-me tudo... Passei a semana a dizer "Ai, dói-me aqui!", "Custa-me tanto mexer as pernas!", entre outros desabafos. Contudo, quando chegava a hora do treino, eu estava mais que pronta para treinar. Eu gosto mesmo disto...

   Agora, vou preparar-me para apoiar a Nossa Seleção! Viva Portugal!!!

                                                            Bjs

sábado, 9 de julho de 2016

Pautas de avaliação

   Olá!
   E com este post ficará encerrado o mês de junho de 2016 e, a partir daqui, iremos estar praticamente em direto, isto é, irei partilhar com vocês o meu dia a dia, dando conta da minha evolução em termos de saúde e contando o que vou fazendo.
   Terminado o ano letivo, chegaram aqueles dias que antecedem a afixação das pautas de avaliação. Eu sabia que as avaliações seriam boas, mas queria vê-las... Fomos uma tarde até à escola, em princípio as notas sairiam nesse dia. Mas não, o Porteiro disse-nos que ainda não tinham saído, só no dia seguinte. Fiquei um pouco desanimada, apetecia-me ver as notas naquele momento. Paciência!
   Na manhã seguinte, lá estavam as pautas. Subi ao "Pódio", o meu esforço e dedicação estavam estampados naquela pauta! Fiquei muito, muito feliz!
   Na reunião de entrega do Registo de Avaliação, a Diretora de Turma comunicou que, pelo meu excelente desempenho, iria para o Quadro de Mérito da Escola. Fiquei encantada!
   Na natação, houve provas, contudo continuo, ainda, de fora... Mas, olhando para trás, passaram os meses, os dias, sofri muito em cada uma das provas realizadas e em que não pude estar presente... Mas já passaram, quero acreditar que neste momento estou mais próxima de poder participar nas provas de natação da próxima época... Assim, já falta pouco!!!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Fim do ano letivo 2015/16

   Olá!
   E o final do ano letivo chegou! Quando fechei o livro da disciplina de Física e Química e disse "Pronto, já estou preparada para o último teste deste ano!", mesmo ainda sem ter o teste feito, senti logo um grande alívio! Quando me deitei, disse à minha mãe que aquela seria a última noite em que dormiria com matéria a passear na minha cabeça e que daí a vinte e quatro horas estaria de "férias". Coloquei aspas porque as férias só começariam quando terminasse, de facto, o ano letivo, mas saber que já não teria mais nenhum livro à minha espera para ser estudado era maravilhoso.
   O teste seria feito no segundo tempo da manhã, isto era outra das coisas que eu gostava, ou seja, despachar os testes logo de manhã. Quando isto não acontecia, as horas que tinha de viver até chegar a hora do teste eram por demais dolorosas. Nunca gostei de testes à tarde...
   Com o final do ano letivo, chegou também um grande alívio para a minha coluna. A cicatriz continua a incomodar-me muito e estar sentada naquelas cadeiras das salas de aula custa muito. Os meus pais continuaram a insistir comigo para pedir aos professores licença para sair um pouco da sala para caminhar um bocadinho e, assim, aliviar, a dor. Mas eu não pedi, não quero que fiquem a olhar para mim...

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Junho de 2016

   Olá, Queridos Leitores!
   E junho entrou, nos primeiros dias deste mês ainda tive muita matéria para estudar. Eu contava os dias, as horas, os minutos para contemplar o fim de mais um ano letivo - estava cansada. Mas claro que era um cansaço bom, pois ele era o resultado do muito estudo que eu dediquei a todas as matérias para, em todas elas, me posicionar no topo da avaliação.
   Devido ao meu desempenho e aproveitamento na disciplina de Matemática, participei no SuperTmatik 2016 e consegui um honroso lugar dentro dos cem primeiros estudantes participantes, entre os mais de trinta e dois mil que participaram. Quando tive conhecimento dos resultados, fiquei super feliz e quando recebi o diploma que atesta essa minha participação fiquei muito orgulhosa do meu trabalho. Eu gosto muito de Matemática, no entanto a disciplina de Português não fica atrás. Aliás, estas são as minhas disciplinas preferidas. Também gosto das outras, mas por estas tenho aquele carinho especial...
   Apesar de tudo o que tem acontecido comigo, continuo a conseguir ultrapassar as barreiras que se colocaram na minha vida e enquanto não tenho permissão para me preparar para subir ao pódio na minha área desportiva, a natação, vou dando o meu melhor na escola. A coluna continua bem, há um dia ou outro em que sinto uma dor aqui, outra acolá, mas não passam de dores musculares. Sempre que um treino é um bocadinho mais puxado, eu sinto logo. Continuo a fazer três treinos por semana e em todos eles dou o meu máximo. Mas, claro, continuo a aguardar dias melhores...

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Maio de 2016

    E as provas de natação foram acontecendo, e eu continuei a não poder nelas participar. Continuei a treinar e a sentir-me muito bem dentro da piscina.
    Na escola tudo corria bem, muitos trabalhos de casa, muitas matérias para estudar... Quando tinha testes seguidos, o estudo tinha de ser mais demorado e intensivo e isso foi-me cansando ao longo do terceiro Período escolar. Com tanta coisa para fazer, num instante chegou o fim do mês de maio.
    Também continuaram a acontecer as consultas de ortodôncia, mensalmente. Os dentes já estão a ficar no seu devido lugar. Quando revejo fotografias que tirei antes de pôr o aparelho, verifico que há já uma grande alteração na minha boca. É mais uma pequena vitória na minha vida. Confesso que às vezes me dá vontade de arrancar o aparelho, mas lá tenho os meus pais a tirarem-me essa ideia da cabeça e a relembrarem-me que o aparelho está a fazer o seu trabalho, logo eu tenho de ter paciência.
E é assim a minha vida, feita de algumas esperas que me causam algum transtorno, mas há que confiar e ter esperança em dias melhores... É o que me dizem todos os que gostam de mim, e eu sei que tem de ser assim!

domingo, 5 de junho de 2016

abril de 2016

    E as férias da Páscoa chegaram e terminaram num instantinho. Não fiz nada de especial, mas aproveitei para dormir mais um pouco de manhã e, à noite, deitar-me um pouco mais tarde. Continuei a treinar, sem nenhuma novidade.
    Início de abril, consulta dos seis meses... Estava ansiosa, queria muito ter a consulta, mas também tinha um pouco de receio por saber que podia não ouvir aquilo que ansiava há muito tempo. A rotina destes dias em que tenho tido as consultas não mudou, assim, antes da consulta, fui fazer novo RX e, já junto do Doutor, ouvi aquilo que temia: estava tudo a correr como previsto, a coluna estava bem, mas teria de esperar até fazer um ano de cirurgia para reavaliar. O Doutor explicou-me o porquê desta sua decisão e compreendi - a coluna precisava de mais tempo para "acomodar" o material que lá foi posto para me pôr a coluna direita. Podia continuar a nadar, mas teria de ser com as mesmas restrições: nada de viragens, nem saltos...
    E lá foram os meus planos por água abaixo... Não podia participar em nenhuma competição, e isto deixou-me muito triste. Andei uns dias muito pensativa, mas depois vi que não valia a pena. Continuei a ir aos treinos e a estudar muito para tirar boas notas.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Março de 2016

    E o segundo Período escolar avançava rapidamente para o seu fim. Foi um período com muitos trabalhos e testes, mas tudo correu bem. Assim, quanto a estes assuntos, não havia nada de novo.
    Quanto à minha coluna, queria muito encontrar novidades, dar comigo a fazer coisas que ainda não podia fazer, ou seja, estava quase a comemorar seis meses de cirurgia, enfim, muitos e muitos dias já tinham passado, e eu ainda não podia, não conseguia fazer tudo o que realmente desejava. Acabei por me habituar a esta "rotina", mas quando parava um pouco para pensar na vida, como se costuma dizer, dei comigo a ficar um pouco triste. Esta tristeza era ainda maior naqueles dias em que havia provas de natação e, claro, eu ainda não podia participar, pois continuava a não poder dar o salto, nem a fazer as viragens. Sem isto, nem pensar ser convocada para a competição. Assim, continuava a faltar-me aquilo que me deixa completamente feliz e realizada: nadar depressa e bem.
    Não podendo participar nessas provas, acompanhava o desempenho dos meus colegas pela net, ia vendo os resultados obtidos, quem tinha conseguido melhorar os seus tempos, etc.
    Que saudades eu tinha... tenho de poder estar a competir!!
    Terei de continuar à espera! Quantos dias, meses... ainda terei de contar para chegar ao topo?!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Janeiro e fevereiro de 2016

    Antes de regressar ao estrangeiro, o meu irmão ainda comemorou os seus dezoito anos e depois lá foi ele completar o primeiro ano do seu curso de Engenharia Informática.
    Durante estes dois meses, a vida foi correndo dentro da normalidade possível: casa - escola - piscina - casa, à segunda, quarta e sexta feira; casa - escola - casa, nos restantes dias. Continuaram a acontecer as consultas mensais de ortodôncia e tudo está a correr favoravelmente.
    A cicatriz continua a causar-me muita impressão, bem como algumas zonas em torno dela. Continua a custar-me muito encostar-me em cadeiras duras e, mesmo no banho, o simples passar da esponja continua a ser doloroso.
    Em fevereiro fui a uma consulta de Dermatologia porque, entretanto, me tinha aparecido uma verruga num dedo do pé. Doeu o tratamento a que o Doutor me submeteu logo ali na consulta, depois ainda ficou, durante uns dias, com um aspeto feio, mas lá acabou por desaparecer. Ainda nessa consulta, ele viu a minha cicatriz e disse que a extremidade ao fundo das costas estava com pré-coloide. Receitou um creme para colocar nessa zona, massajando. Lá começou outro martírio...

terça-feira, 17 de maio de 2016

Janeiro de 2016: natação e dor de ouvidos...

    Início de mais um período escolar, as férias, tal como acontece sempre, passaram a correr e o regresso à escola custa sempre um bocadinho, mas é só no primeiro dia,  depois entra-se rapidamente na rotina ao ponto de, manhã cedo, muitas das vezes, até já ter acordado por mim.
    Logo no início do mês, comecei a sentir uns barulhos estranhos e incomodativos num dos meus ouvidos. No final da segunda semana de janeiro, as queixas intensificaram-se e lá fui eu a mais uma consulta, desta feita de otorrinolaringologia. A doutora examinou os meus ouvidos e detetou que um não estava muito bem e era precisamente esse "estado" que me provocava alguma dor e barulhos esquisitos. Pois bem, o meu ouvido direito também queria mimos. Já nesta altura, devido às otites que costumava fazer, nadava com uns tampões próprios para estas situações. Tendo em conta o agravamento da situação, teria agora de passar a nadar com um outro tipo de tampão, feito à medida do meu ouvido, para não deixar entrar nenhuma água.
    Continuei a nadar as três vezes semanais que já fazia, mas passei a ir treinar também ao sábado: levantava-me às seis da manhã para, às sete em ponto, entrar na piscina. Manhãs muito frias, algumas muito chuvosas, outras com muito nevoeiro, as estradas, muitas vezes, sem nenhum carro à vista, muito menos pessoas - afinal era fim de semana - mas lá ia eu com o meu pai fazer aquilo que tanto gosto: nadar. Continuava focada no meu objetivo que era de ainda poder realizar provas de natação na presente época desportiva.

domingo, 1 de maio de 2016

No mês de dezembro...

    Ainda na consulta do dia 17 de dezembro, o Doutor passou uma declaração para eu entregar ao professor de Educação Física para este saber o que é que eu já podia fazer nestas aulas. Poderia realizar todos os exercícios que não implicassem carga / impacto na coluna e, claro, nada de enrolamentos. Os exercícios que se realizaram durante o segundo Período implicaram, quase sempre, aqueles que eu continuava a não poder fazer. Por isso, quanto a este assunto, não havia grandes alterações.
    No dia dezoito de dezembro, nova consulta, desta vez, era de Nutrição. Os procedimentos foram praticamente os mesmos da outra consulta: pesar, confirmar pesagens que tinha feito semanalmente para ver a evolução, ou não, do peso, hábitos alimentares, cumprimento das regras que a Doutora me tinha apresentado anteriormente, etc. Como tinha engordado um bocadinho, estava no bom caminho.
    No dia vinte e um de dezembro aconteceu uma coisa muito boa: o meu irmão chegou do estrangeiro onde está a estudar. A sua chegada, juntamente com  as férias escolares do Natal, ajudou a quebrar a rotina em que, entretanto, eu vivia e isso foi muito bom.
    Chegou o Natal e, claro, o Novo Ano - o ano de 2016.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Nova consulta pós cirurgia - o que não posso fazer...

    E ainda antes do dia de Natal, dezassete de dezembro de 2016, lá fui eu a mais uma consulta, na esperança de ouvir da boca do doutor que já podia nadar completamente à vontade. Os meus pais pediram-me calma e que não metesse na cabeça que eu iria ouvir aquilo que estava ansiosa para ouvir.
    Tal como aconteceu nas consultas anteriores, antes fui tirar novo raio-x e, já na consulta, o Doutor disse que estava tudo bem com a coluna, que tudo estava a evoluir muito bem. Isto deixou-me super feliz, e por momentos nem pensei na natação. Apesar de querer muito nadar como nadava, eu sei que primeiro tenho de ter a minha coluna direita e estável. Só ela me permitirá fazer uma vida normal... Normal dentro do que é esperado de uma coluna deste tipo.
    Pois bem, nesta consulta, fiquei a saber que não poderei nadar mais o estilo mariposa (neste estilo os braços são levantados simultaneamente para a frente enquanto se dá impulso com as pernas, movimentando-as juntas para cima e para baixo). Ora ali estava a minha primeira grande derrota. Este impedimento iria fazer com que eu não pudesse voltar a nadar, por exemplo, 200m estilos, e que eu gostava muito de nadar...
    Era um aspeto negativo, mas como tive de aprender com todo este processo que tem envolvido a minha escoliose, tinha de retirar dos aspetos positivos o encorajamento necessário para continuar a minha vida. Não podia nadar 200m estilos, contudo podia nadar o resto. Mesmo assim, fiquei triste, aliás, muito triste!!!
    As viragens continuava a não poder fazê-las e o salto também teria de ficar para depois...
    E a minha caminhada rumo à vida que eu antes tinha iria continuar um passinho de cada vez...

sábado, 23 de abril de 2016

7 de dezembro... mês do Natal!

    E finalmente chegamos a dezembro, o mês em que se celebra o Natal. Eu adoro esta época natalícia!
    No dia sete, lá tive eu mais uma consulta de ortodôncia para fazer a revisão mensal ao meu aparelho. Continua tudo a evoluir favoravelmente.
     Este dia, apesar de tudo, acabou por ser diferente. No mês de dezembro, costumamos sempre fazer o percurso que fizemos hoje, que é visitar a baixa de Lisboa para ver as iluminações natalícias. Todo o percurso de casa até ao consultório e depois para a baixa, foi todo feito em transportes públicos. Adorei! Depois da consulta, rapidamente chegou a hora de jantar e, mantendo a tradição, comi um belo hambúrguer no Rossio, acompanhado por umas belas batatas fritas e um néctar de pêssego. Soube pela Vida... Aliás, nem foi um hambúrguer, mas sim, dois. Sei que saí um pouco do regime alimentar que estava a seguir, mas como continuava a precisar de ganhar peso, comi tudo o que me apeteceu no momento. Depois tirei fotografias com um Pai Natal que estava no meio do Rossio, precisamente para tirar fotos com quem quisesse. Todos os anos este momento fica registado em fotografia. Se bem se lembram, já vos disse que eu adoro que me tirem fotografias.
    Quando cheguei a casa, estava muito cansada e dorida das minhas costas. Foi o primeiro grande passeio a pé que fiz com a minha nova coluna, e também de transportes públicos.
    Foi um dia muito bem passado!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Os olhares nada discretos e a cicatriz

    Vou agora contar-vos um episódio que me aconteceu numa das minhas primeiras idas ao treino. Já tinha feito o meu treino e estava no balneário, depois do banho. Estava a limpar-me e vi que uma mãe de uma das meninas mais pequenas que frequenta as aulas de natação, não tirava os olhos de mim, mais propriamente das minhas costas. Não estranhem estar uma mãe no balneário, quando eu era mais pequena, a minha mãe entrava sempre comigo para me ajudar a despir e a vestir o fato de banho, assistia depois ao treino e, no fim, voltava a entrar no balneário para me ajudar a arranjar. Claro que isto aconteceu quando eu era mesmo pequena, não esqueçam que eu iniciei muito cedo a minha prática desportiva. Mas também reconheço que quando fiquei grandinha, continuava a gostar que a minha mãe me ajudasse. Isto aconteceu até que um belo dia ela me disse que eu já sabia tomar conta de mim e que começava a parecer mal ela continuar a ajudar-me. Gosto muito de ser mimada...  Mas nesta fase lá tive de me deixar crescer mais um bocadinho!
    Voltando ao relato que estava a fazer relativamente àquela mãe que não tirava os olhos das minhas costas. Sempre que eu olhava para ela, a senhora desviava o seu olhar. De repente, deixei cair o amaciador do cabelo ao chão. A senhora prontamente se ofereceu para o apanhar e eu, rapidamente, respondi: "Não!". Fiquei chateada com a sua boa vontade, mas já em casa, quando contei à minha mãe o sucedido, ela fez-me ver que a senhora apenas tinha sido simpática e que era normal as pessoas ficarem admiradas e até mesmo impressionadas com a minha cicatriz. Disse eu à minha mãe:
    - Eu não lhe pedi nada, por isso ela não tinha nada que me oferecer ajuda!
    Várias vezes a minha mãe falou comigo sobre isto e passei a entender todos os olhares nada discretos que continuam a pousar sobre mim... Entendo, no entanto não gosto!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Consulta de Pediatria

    Como tinha passado por uma cirurgia complicada, os meus pais acharam bem levarem-me a uma consulta de pediatria. Aconteceu no dia vinte e seis de novembro e aí lá tive eu de repetir algumas coisas relativamente ao que me tinha acontecido.
    Quando chegou a hora de pesar, lá voltei a ouvir que estava muito magra e que precisava de recuperar peso rapidamente. Depois falámos daquelas coisas próprias de uma consulta de pediatria com uma menina de doze anos.
    Foi a primeira consulta com esta doutora e gostei, foi muito simpática e atenciosa. Uma das coisas que lhe disse foi que não gostava da minha cicatriz e que não conseguia olhar para ela...

domingo, 10 de abril de 2016

Consulta de nutrição

     Como não havia meio de o meu peso aumentar, fui a uma consulta de Nutrição no dia dezoito de outubro de 2016. O que me foi dito nesta consulta, acabou por não constituir grande novidade, ou seja, eu tinha de comer mais e incluir na minha alimentação outros alimentos. A doutora disse que eu tinha mesmo de mudar alguns dos meus hábitos pois se não o fizesse não iria aguentar os treinos da natação.
    Depois de me pesar, medir e tomar conhecimento dos meus hábitos alimentares, foi-me perguntando e/ou sugerindo certos alimentos. Como eu já referi atrás, eu sou um bocadinho esquisita com a alimentação. Por isso, tive de responder à doutora, muitas vezes, "não gosto".
    No meio de tanta esquisitice minha, lá conseguiu dar-me um Plano Alimentar. Prometi que iria cumpri-lo.
    No início, até que cumpri mais ou menos tudo. Depois, ia fazendo mais ou menos. Mas comecei a engordar, gradualmente.

sábado, 9 de abril de 2016

Recuperação de peso pós cirurgia (II)

    E como o tempo continua a passar depressa, o terceiro período escolar já começou (4 de abril de 2016) e a primeira semana já passou. Quanto a novidades, fiz uma das aulas de Educação Física - dançar merengue. Adorei! Contudo fiquei com algumas dores. Foi a primeira vez que fiz este tipo de exercício depois da cirurgia.
    Com o tempo quente, passei a usar calções e blusas leves, não passando despercebida a ninguém a minha acentuada magreza.  Apesar dos meus treinos intensivos, e apesar de parecer estranho, eu não tinha grande apetite. Os meus pais insistiram comigo e comecei a comer mais um pouco. Passou a fazer parte do discurso deles  a realidade cada vez mais próxima da necessidade de ter de ser submetida a uma complicada intervenção cirúrgica, daí eles pedirem-me para comer de forma a engordar um bocadinho, pois os tempos que se avizinhavam não seriam nada fáceis. Como se costuma dizer, pouco a pouco enche a galinha o papo, no meu caso, consegui "encher" / engordar, passando o meu peso, na altura da cirurgia, a oscilar entre os 44/45 quilos. Estava e sentia-me bem com o meu novo peso.
    Dia 18 de setembro foi, então, o dia da cirurgia. Rapidamente perdi peso, logo enquanto estive internada. Restabelecido o meu equilíbrio pós cirurgia, dei comigo a pesar 38 quilos, tendo mesmo, em alguns dias, descido aos trinta e sete e tal.
    Enquanto estive em casa, em recuperação, e tendo em conta tudo aquilo que ainda estava a passar, o meu peso acabou por ficar um pouco em segundo plano, apesar dos meus pais insistirem comigo para que comesse mais um pouco. O problema acentuou-se, de facto, quando iniciei os treinos de natação. Mesmo condicionados, eu acabava por sofrer um grande desgaste com as piscinas que fazia nos três dias de treino que passei a fazer, à segunda, quarta e sexta-feira. Sem fazer nada e estando em repouso em casa, eu emagreci. Já estava na escola, comecei a nadar, mas continuei a comer o que comia, ou seja, o apetite estava mesmo preguiçoso...

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Recuperação de peso pós cirurgia (I)

    Quando terminei a época desportiva passada, em julho de 2015, eu estava muito magra. Em termos de peso, fui oscilando ao longo do meu crescimento. Antes de iniciar a prática da natação mais a sério, dei comigo a detetar alguns "pneus" na zona abdominal e umas coxas relativamente bem redondinhas. Na altura, ouvia os meus pais a dizerem para eu moderar um pouco, por exemplo, o consumo do chocolate - que continuo a adorar -, a não devorar dois pratos de comida, por exemplo, entre outras pequenas coisas. Da parte do meu pai, não há exemplos de gordurinhas a mais, mas o mesmo já não se pode dizer do lado da minha mãe. Mas, atenção, a minha mãe é super magra, não tem nada a ver com os seus pais nem com os seus irmãos, meus avós e tios, respetivamente, que são relativamente"grandes", digamos assim.
    Naquela altura em que eu me apresentava também um pouco "grande", sempre manifestei o desejo de ser elegante como a minha mãe, no entanto, eu adorava comer, e bem! Iniciados os treinos de forma intensiva, o que eu tinha a mais saiu e fui ficando mais "pequena", cada vez mais parecida com a minha mãe, mas só na elegância, pois em termos de parecenças continuo a ser mais parecida com o meu pai. O meu pai também é elegante, mas a barriguinha nota-se um pouquinho.
    Em julho de 2015, pesava, então, trinta e nove quilos, era quase só pele e osso e, claro, músculos.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Reflexões... eu e a natação.

    Torneio de Natação no meu Clube. Fui ver e fiquei muito triste...
    Com esta frase terminei o post anterior. Este torneio realizou-se no dia oito de novembro de 2015. Não me enganei quando escrevi "ver", pois foi isso mesmo que aconteceu, eu assisti ao torneio porque ainda estava "a léguas" de poder entrar na água juntamente com os meus colegas. E este foi, depois da cirurgia, o meu primeiro grande desgosto desportivo. Foi grande a dor que senti por não poder entrar no balneário e vestir o meu fato de competição para, de seguida, subir ao bloco e mergulhar. As bancadas estavam cheias e gosto de contemplar isto antes de subir ao bloco, sim, porque depois de estar no bloco, a concentração tem de estar toda direcionada para o toque que assinala a partida. E nestes momentos também costumo ficar um bocadinho nervosa porque não quero fazer falsa partida. Neste dia, encontrava-me entre as pessoas que estavam a assistir a este maravilhoso espetáculo que é a natação. É tão diferente...
    Todos os toques que assinalaram todas as partidas das diferentes provas que aconteceram naquele dia, bateram muito forte no meu coração. Não tenho palavras para descrever a tristeza que me invadiu! Por agora, fico por aqui...

domingo, 3 de abril de 2016

O meu dia a dia

    E a primeira semana de novembro fez-me voltar à rotina que tinha antes de ser operada. Tinha horários para cumprir na escola e no Clube de natação, tinha os trabalhos escolares para fazer, tinha de estudar para os testes que entretanto surgiram, tinha de continuar a escrever aqui, no blogue, pois acabei por sentir que esta prática de escrita acabou, também, por criar uma rotina. Sei, e vocês também sabem, que houve alguns dias seguidos que não publiquei nada, mas esclareço agora que, quando isso aconteceu, foi por total falta de tempo, eu tenho todas as horas, ou melhor, todos os minutos do dia programados e totalmente preenchidos. Certamente estão a constatar que, nesta pausa escolar para gozar as férias da Páscoa, eu tenho estado aqui, regularmente, a contar a minha história de vida.
    Apesar de todas as rotinas que entretanto se instalaram, mantenho uma mágoa muito grande, pois continuo sem nadar tudo o que queria e a não fazer todos os treinos que desejava. Mas continuemos no mês de novembro...
    No dia três, nova consulta de ortodôncia para efetuar nova revisão mensal. É sempre a mesma coisa: ver a posição dos dentes que vai melhorando mês a mês; trocar os elásticos e, já que é para trocar, mudo sempre a cor dos mesmos (já houve consultas em que tive de continuar com a mesma cor, pois não havia outras...).
    No fim de semana seguinte, houve um Torneio de Natação no meu Clube. Fui ver e fiquei muito triste...

sábado, 2 de abril de 2016

Primeiro treino de natação pós cirurgia.

    É indiscritível tudo o que senti quando mergulhei suavemente todo o meu corpo e comecei a deslizar na água. Mesmo não querendo pensar, não me saía da cabeça se iria sentir alguma coisa do material que me está a segurar a coluna ou até mesmo se a cicatriz, que continuava muito sensível, iria dar algum sinal. Confesso que tudo isto continuava a atormentar-me...
    O primeiro estilo que nadei foi crawl, senti os braços um pouco presos no início, mas depois foram-se soltando. Fiz algumas piscinas neste estilo, tendo depois mudado para costas. E seriam apenas estes dois estilos que eu poderia nadar nos tempos mais próximos... Nesta fase, poder nadar estes dois estilos foi, para mim, uma enorme vitória. Apesar do doutor ter dito que depois da cirurgia eu poderia voltar à natação, eu precisava de ver para crer. Nunca neguei que iria fazer tudo o que fazia antes, mas aquele receio de que... enfim... acabava por lá estar, mesmo sem eu querer!
    O treino correu bem e eu senti-me bem. Neste primeiro treino, bastou-me a satisfação de me sentir, novamente, a nadar. Nos outros que se seguiram, dei comigo a ficar triste por não poder fazer tudo o que fazia antes e ver os colegas a passarem-me à frente...

    Pensamento do costume: Melhores Dias VIRÃO!!!

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Regresso à piscina...

    Vou começar por explicar precisamente o fim do título que dei a este texto, mais propriamente o sinal de pontuação que escrevi. Reticências... Há já muito tempo que ansiava a chegada deste dia, dois de novembro de dois mil e quinze, nem calculam as saudades que eu tinha de entrar na água - não escrevi "mergulhar" porque estava proibida de o fazer -, e começar a bater pernas e braços com toda a força.
    O fim de semana que antecedeu este grande dia nunca mais passava. No domingo à tarde, com a ajuda do meu pai, preparei o saco com todo o material necessário para regressar, então, à piscina. Lembro de, na escola, na segunda feira, dar comigo a pensar como é que seria a reação do meu corpo, com a minha nova coluna, ao entrar na água. Rever os meus colegas também me estava a agradar, pois nos balneários, com as atletas, ou junto à piscina, antes de iniciar a prática da natação, com os atletas, havia momentos engraçados de convívio.
    Já no Clube, e como seria de esperar, tive que repetir a todos os que me iam perguntando o meu estado, que já estava melhor e que tudo tinha corrido bem. Confesso que me senti um pouco nervosa quando desci as escadas e cheguei junto do meu treinador que já estava junto àquela maravilhosa piscina. Tinha muita vontade de entrar, no entanto o receio de não conseguir fazer aquilo que o doutor tinha dito para eu fazer, era relativamente grande.
    Desci os degraus da piscina e entrei na água...

quinta-feira, 31 de março de 2016

Conhecer Haatchi e Owen

    Fiquei encantada quando recebi um convite do Hospital dos Lusíadas para assistir a uma sessão de autógrafos com Haatchi e Owen, nem queria acreditar. Já conhecia a história destes grandes amigos, a forma como se conheceram e que até já tinham estado em Portugal. Parecia mentira que eu iria ter o privilégio de estar junto deles e poderia ficar com um livro autografado com aquele delicioso carimbo que Owen usa para o fazer.
    Como não tinha aulas à tarde, calhou ainda melhor a data que estipularam para esse efeito - dia 16 de outubro, à tarde. Cheguei cedo ao Hospital pois não queria perder nada do encontro. Já tinha dito ao meu pai que queria que me comprasse o livro que relata a história deles, mas nem isso foi necessário, pois quando entrei na sala tinha um exemplar do livro à minha espera, na cadeira onde me sentei.
    Adorei ouvir Owen e ver aquele cão tão fofo. Foi mesmo muito ternurento!
    O livro devidamente autografado está numa das estantes do meu quarto. Adoro-o!

quarta-feira, 30 de março de 2016

Primeiros dias na Escola

    O primeiro dia correu bem, fiquei a conhecer alguns dos meus professores e fiquei a conhecer a minha turma. Um dos colegas tinha andado comigo no sexto ano e também nada no meu Clube de Natação. Todos os outros eram desconhecidos e muito deles portavam-se mal na sala de aula. No início assustei-me um pouco, depois comecei a achar piada a alguns dos comportamentos dos meus colegas. Muitos alunos da turma já eram repetentes.
    Logo no segundo dia de aulas, para mim, claro, foi dia de visita de estudo. Mais uma preocupação  para os meus pais, receavam que eu não aguentasse, tendo em conta que seria o dia todo. Eu estava com vontade de ir  e disse-lhes isso mesmo e que aguentava. Pois bem, a vontade era muita, mas não aguentei. Logo de manhã, a saída implicava um percurso a pé. Foi demais para mim, por isso telefonei ao meu pai para me ir buscar. O resto da semana decorreu normalmente. Tive de estudar muito para recuperar os conteúdos já lecionados e, na disciplina de Matemática, teria teste logo no início da semana seguinte.
    E a vida começou, então, a entrar nos eixos... Contudo, faltava uma coisa muito importante para mim:
    - A natação...

terça-feira, 29 de março de 2016

Regresso à escola.

    Ouvir o doutor dizer que eu podia regressar à Escola fez-me sentir muito bem. Confesso que já estava cansada de estar em casa e, por outro lado, iria iniciar o terceiro ciclo numa nova escola. Seria tudo novo para mim, estava mesmo ansiosa para começar e conhecer tudo. Antes da consulta terminar, a minha mãe ainda perguntou ao médico se não havia nenhum problema, por exemplo, com um possível encontrão de um colega, ou coisa do género. O doutor tranquilizou-a, dizendo que não havia qualquer tipo de problema.
    Rapidamente o dia doze de outubro chegou, depois de um fim de semana em que todos estávamos um bocadinho nervosos, pois seria o início de uma nova vida, agora que tinha, também, uma coluna nova. Até esse dia tinha estado mais em casa, um passeio ou outro no Centro Comercial, mas sempre muito rápidos, pois cansava-me depressa. Segunda-feira, levantei-me faltavam dez minutos para as sete, as aulas começavam às oito.
    Como era o meu primeiro dia escolar, e tendo em conta a minha situação, os meus pais pediram para entrar comigo na escola para me acompanharem até ao bloco onde iria ter a primeira aula. O senhor que estava ao portão foi muito compreensivo e permitiu a entrada deles. A Escola é muito grande e a sala onde eu iria ter a primeira aula ficava precisamente numa das extremidades daquele recinto escolar. Quando lá chegamos, a minha mãe falou com a funcionária que estava naquele Bloco e explicou-lhe a minha situação. A senhora foi muito atenciosa e logo sossegou a minha mãe dizendo que ela me ajudaria no que fosse necessário.
    A seguir foi o momento doloroso para todos: a despedida. Mas tinha de ser, a vida tinha de continuar...

segunda-feira, 28 de março de 2016

Ponto de situação... e a cicatriz.

    Nesta nova consulta, o doutor viu o RX que tinha feito antes de entrar no consultório. Estava tudo bem com a coluna e com o material e perguntou-me como é que eu me sentia. Respondi que estava bem, mas custava-me muito encostar-me. Viu a cicatriz e disse que aquela sensação iria melhorar com o tempo. Aconselhou massajar a cicatriz com um creme que ajuda na cicatrização, ajudando, inclusive, na diminuição da sua largura. A cicatriz é muito extensa e há zonas em que quase é impercetível, mas, por outro lado, zonas apresenta em que a sua largura é substancial. Isto acontece, principalmente, nas extremidades. Em cima, está um pouco mais larga, mas não me incomoda muito, já em baixo, para além de larga, está um pouco volumosa. Esta parte é onde assentam todas as costuras da roupa, por isso devem imaginar o que tenho passado. Aliás, já tive de mudar de calças algumas vezes porque não as consigo aguentar na cintura, precisamente na zona da cicatriz.
    Nesta consulta, o doutor referiu que a postura que eu apresentava entretanto só ficaria totalmente direita com a minha ajuda. Os meus pais tinham apresentado esta dúvida ao doutor porque tinham constatado que eu continuava um pouco inclinada para um dos lados. Tinha sido muito tempo com essa postura incorreta, fruto da acentuada curvatura que eu tinha na coluna, mas agora eu é que teria de fazer o resto. Foi complicado, porque mesmo estando um pouco torta, eu sentia que estava direita. Mas, claro, prometi ao doutor que ia melhorar a minha postura. E é o que ainda continuo a fazer.
    No fim da consulta o doutor deu-me alta/autorização para regressar à Escola, fiquei tão feliz... Quanto à natação, só em novembro...

sábado, 26 de março de 2016

Mais uma consulta

    Hoje, em conversa com o meu pai, lembrei que ele tem registado na sua agenda todas as datas relativas a tudo o que se tem passado comigo. Aliás, o meu pai assinala na sua agenda tudo, quando nós precisamos de saber alguma data é só perguntar-lhe. Entretanto, até a minha mãe que sempre disse que não precisava de agenda pois conseguia reter tudo na memória, acabou por se render ao uso deste livrinho. Assim, pedi ao meu pai a sua agenda e fiz o levantamento de todas as datas que me diziam respeito.
    Relativamente à mudança do penso, a mesma foi efetuada no dia vinte e cinco de setembro e retirado definitivamente no dia dois de outubro. No dia seis deste mesmo mês, tive consulta de ortodôncia para realizar a revisão mensal do meu aparelho. Os dentes já estão melhores, já estão a posicionar-se no sítio onde deveriam ter estado sempre. Possivelmente o que fez com que isto não acontecesse foi o facto de ter adorado, e muito, a minha querida chuchinha. Até larguei a chupeta relativamente cedo, pouco depois de ter feito os meus três aninhos, mas os meus pais dizem que enquanto eu andei com ela, chuchava com tal força que, de noite, eles ouviam, no seu quarto, o meu chuchar. Resultado: maxilar superior saído, apresentando um bocadinho "dentes de coelho". Como já disse, estão melhores, mas ainda tenho muitos meses pela frente para exibir um autêntico sorriso metálico. Confesso-vos que já estou farta do aparelho, há dias em que me apetece arrancar todas as pecinhas que o constituem... Mas sei que não devo e também tenho os meus pais logo a dizer que é para o meu bem e que o tempo até está a passar depressa e que se aguentei até agora, também aguento mais alguns meses, ou melhor, muitos.
    No dia sete de outubro de 2015, mais uma consulta, desta feita para o doutor rever a minha nova coluna.

Impressionada com a cicatriz...

    Mais uma etapa concretizada nesta minha longa saga: ter as minhas costas totalmente libertas de pensos. Isto sabia bem, mas, por outro lado, sentia-me agora mais frágil, é como se a minha coluna estivesse mais exposta. A partir deste dia começariam novos problemas para mim...
   Comecei a dar comigo a cismar com a cicatriz e, também, com o material cirúrgico que se encontrava por baixo dessa cicatriz. A Enfermeira que me tirou os pontos disse para a minha mãe espalhar, massajando, um creme gordo na cicatriz para ajudar a cicatrizar. Pois bem, este momento passou a ser um tormento para mim, metia-me  muita impressão tocarem-me na cicatriz. Mesmo no banho, só passar a esponja nas costas constituía, também, um autêntico massacre. Passei a ficar muito nervosa sempre que sabia que me iriam mexer nas costas. Não era só na zona da cicatriz que me doía, todas as partes das costas doíam, metiam impressão... Em algumas zonas, o deslizar de um dedo parecia uma faca a cortar, noutras zonas sentia outra coisa estranha, parecia borracha...
    Como se não bastasse tudo isto, comecei a meter na cabeça que o material que segura a minha coluna podia saltar, deslocar-se. Várias foram as vezes em que disse aos meus pais que sentia um parafuso aqui, outro acolá... Os meus pais tudo fizeram e disseram para me sossegar, para me tirar aquelas ideias da cabeça. Por vezes senti-os completamente desnorteados em busca das melhores palavras para me acalmar... Foi um período ainda relativamente longo que dediquei a este tipo de pensamentos. Depois da queda que relatei num dos posts anteriores, confesso, fiquei um pouco mais confiante. Nada saltou, e tudo continua no seu devido lugar!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Primeiro RX pós operatório

   Olá!
    Acabei de reler algumas das minhas publicações e verifiquei que o primeiro RX que tirei depois da cirurgia e que coloquei num dos posts anteriores não aparece. Não sei o que aconteceu, de qualquer forma já regularizei a situação e esse RX já se pode ver...

             A todos os meus Leitores, desejo uma Páscoa Feliz!
      
                                                      Bjs

quinta-feira, 24 de março de 2016

Os pontos e o penso!

    Os dias que precederam o dia em que tiraria os pontos foram relativamente bem passados no que toca a dores. O médico tinha receitado uns comprimidos para as dores, em SOS, mas eu continuava a ser muito resistente à dor. Confesso que tive algumas, mas que se toleraram bem. O que me incomodava mais era o penso que me fazia uma comichão daquelas, daquelas que até dava vontade de arrancar aquilo tudo. Mas sabia que não podia!
    Chegou o dia de me tirarem aquilo tudo... Estava um pouco nervosa, não só porque estava com receio de que doesse, mesmo sabendo que os pontos que estavam a fechar a minha cicatriz eram pensos autocolantes. Mesmo assim, estavam colados e isso fazia-me um pouco de impressão porque o corte ainda me doía. Para além desses pontos autocolantes, tinha um ponto de fio para fechar o buraquinho feito pelo dreno, que tinha sido colocado ao lado do corte, ao fundo das costas.
    Enquanto estava à espera que me chamassem, vi outros jovens à espera de consulta. Lembro que, ao olhar para eles, senti um grande alívio e muita alegria por saber que eu já tinha passado aquilo que provavelmente alguns deles iriam passar, ou seja, a cirurgia. Por momentos, voltaram a desfilar na minha cabeça alguns dos momentos mais marcantes de todo este processo que ainda continuo a viver. Se me perguntarem qual foi o pior, direi que não sei responder, cada pequeno momento constituiu um grande sofrimento, apesar de eu não ter exteriorizado muito. Sou mais de guardar para mim este tipo de sentimentos...
    Quando me deitei para a Enfermeira me tirar os pontos, comecei a tremer de nervos. Custou só um bocadinho...

quarta-feira, 23 de março de 2016

A minha nova vida!

    Olá, queridos leitores!
   Se calhar já estavam a pensar que tinha abandonado este/nosso blogue! Claro que não, mas os trabalhos e testes na escola absorveram-me, por completo, todo o tempo. Já vos disse que sou uma aluna aplicada e, antes de tudo, está a escola. Continuo a dar o melhor de mim em tudo...
    Ao escrever a última frase do parágrafo anterior, chegou-me um bocadinho de tristeza! Sim, eu continuo a dar o melhor de mim em tudo, e este "tudo" inclui a natação. Como já vos disse anteriormente, eu já estou a nadar, mas continuo com muitas limitações: não posso fazer a cambalhota nas viragens e não posso saltar. Tudo isto faz com que não consiga dar o meu máximo nos treinos e isso deixa-me muito triste. O treinador, mas principalmente os meus pais, animam-me e dizem-me que melhores dias virão e que eu vou conseguir. Os meus pais continuam a ser o meu porto de abrigo, não me deixam desmotivar, muito menos desistir dos meus objetivos e, como eles próprios dizem, para a frente é que é o caminho e melhores dias virão. Eu sei que é e tem de ser mesmo assim, mas já lá vão seis meses de cirurgia, são muitos dias, e ainda não sei quantos terei pela frente - tenho consulta em abril... - sem fazer aquilo que eu adoro, ou seja, NADAR em competição. Isto foi só mais um desabafo!
    Voltando à parte em que estava no post anterior, relativamente à minha nova vida, a minha felicidade continuava a ser imensa por ter voltado para a minha casinha. O penso que tinha nas minhas costas é que me incomodava. Era um penso próprio para poder tomar banho, mas no segundo banho que tomei com ele, descolou. Fui fazer novo penso que durou até o dia em que tinha de voltar ao Hospital para o tirarem definitivamente. No dia em que fui ao Hospital para o tirar, mais ou menos uma semana depois de ter feito o penso, confesso que estava um pouco nervosa, a cicatriz estava a causar-me muita confusão, juntamente com o material que eu sei que  está lá dentro...

sábado, 5 de março de 2016

Em casa...

    Já em casa, surgiu o primeiro obstáculo: subir escadas. Mas, devagar, devagarinho, lá subi os meus primeiros degraus após a cirurgia que me tratou a grande escoliose que eu tinha.
    Ao jantar, poder comer uma comidinha feita pela minha mãe foi, simplesmente, divinal. Como já passou algum tempo, não me recordo o que comi, no entanto, sei que me soube muito bem porque a minha mãe sabe o que eu gosto, adoro e o que eu não consigo mesmo comer. Admito que sou um pouco esquisita no que toca à alimentação...
     A primeira noite na minha caminha também foi maravilhoso, não há como a minha cama! Assim, o meu primeiro soninho após a cirurgia foi uma beleza. 
   Relendo estas palavras acabadas de digitar, verifico que escrevi muitas vezes "primeiro", "primeira". É verdade, sinto como se estivesse a iniciar uma nova vida e, como tal, tudo o que faço com a minha nova coluna é completamente NOVO.
    Antes de sair do hospital, fizeram-me o penso. Estava tudo bem!

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Alta do Hospital

    A noite de vinte e um de setembro para vinte e dois foi relativamente calma, consegui descansar como já há algum tempo não fazia. Fiquei, também, feliz porque estando eu melhor, a minha mãe também conseguiu descansar um pouco. Lembro que, antes de adormecermos, ainda falamos sobre a possibilidade de sairmos no dia seguinte, ou seja, termos alta do Hospital. É curioso estar a usar a primeira pessoa do plural, mas foi isso mesmo que aconteceu: nós as duas entramos juntas naquele hospital e íamos também sair juntas. Claro que a esta nossa dupla junta-se o meu pai que esteve sempre presente, só não dormia connosco porque não podia.
    Fazendo o balanço deste período difícil das nossas vidas: o tempo até passou rápido tendo em conta tudo aquilo por que passei nos dias em que estive internada. A minha vida deu uma volta completa, e sabia que agora iria iniciar uma nova vida. É isso mesmo, uma nova vida! Antes da cirurgia não podia já fazer algumas coisas, agora, pós cirurgia continuam a existir "coisas" que eu nunca mais poderei fazer. Estas restrições magoam... Eu queria nadar todos os estilos sem qualquer tipo de restrição! Certamente estão lembrados, eu sou nadadora de competição...
    No dia vinte e dois de setembro, a meio da tarde, deixei o Hospital onde fui tratada de forma excelente. Aliás, tenho mesmo de deixar aqui um agradecimento profundo a todos aqueles que de mim trataram, foram todos incansáveis e maravilhosos. Muito Obrigada!
    Como ainda me custava andar, fui levada numa cadeira de rodas até ao carro que me transportaria até casa. Apesar das dores que o transporte me causou, foi enorme a minha alegria ao deixar para trás o Hospital e regressar à minha bela casinha. Estava um dia lindo de verão, apesar de já ter começado o outono.
    A viagem correu bem e cheguei bem a casa...

Apontamento sobre o primeiro raio-x pós operatório

   Olá!
   Não escrevi nada durante esta semana porque olhar novamente para a imagem da minha nova coluna voltou a mexer comigo. Quando a vi no hospital, lembro-me de não ter sentido nada de especial, ainda estava um pouco tonta dos acontecimentos e do sofrimento dos dias anteriores. Recordo a reação dos meus pais, senti que ficaram um pouco estranhos e até assustados.
   Agora, reconheço que continua a ser uma imagem que não me agrada muito, no entanto já aprendi a aceitá-la. E é relativamente fácil explicar isto: nunca vou esquecer a coluna que tinha antes da cirurgia, era uma coluna feia porque estava torta. Se aquela curvatura fosse só interna, ou seja, se só se conseguisse ver em raio-x, tudo estaria mais ou menos bem, mas não, a curvatura foi-se tornando visível para quem olhava para mim e, mesmo não me conhecendo de lado nenhum, houve pessoas que ficaram com uma cara de quem estava a olhar para uma "coisa do outro mundo". Aliás, cheguei mesmo a comentar isso numa das minhas publicações anteriores. As pessoas não conseguiam esconder o seu "espanto" quando olhavam para mim... Com o avançar do tempo e de forma rápida, a minha coluna foi inclinando um bocadinho todos os dias.
   Não se podia esperar mais, por isso submeti-me à cirurgia que me deixou com duas barras na vertical, catorze parafusos e o mesmo número de porcas... E é esta a minha nova coluna!

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Primeiro raio-x pós operatório - Escoliose infantil

   Olá, Queridos Leitores!

   Já agradeci à minha mãe o excelente trabalho que fez neste meu/nosso blogue. Entretanto, estive a reler os textos publicados e cheguei à conclusão que ter passado o teclado à minha mãe foi uma boa ideia, pois assim ficaram com duas visões diferentes de tudo o que me tem acontecido. Estive sempre presente nos momentos em que a minha mãe escreveu. Apesar de já conhecer tudo aquilo que ela aqui vos contou, pois quis logo saber tudo ao pormenor, mal me senti com forças para tal, ainda assim, gostei de relembrar tudo! Ver escrito tudo o que me aconteceu acaba por ser também diferente. Estou a ver que tenho aqui parte da história da minha Vida...
   Para assinalar o meu regresso à escrita, deixo-vos, agora, com a imagem do primeiro raio-x da minha coluna após a realização da cirurgia. Quando vi a minha "nova coluna", fiquei muito impressionada...



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Primeiro penso e resultado das análises

   Custou um bocadinho a fazer o penso, mas a Bea acabou por se sentir um pouco mais leve e fresca.
   Por volta das onze, o doutor veio vê-la e disse que as análises tinham revelado valores satisfatórios. Apesar de ainda não apresentar os valores normais, a medula iria acabar por fazer o resto...
   O dia lá foi passando, relativamente bem e sempre bem disposta. Agora, queria ir para casa.
   À tarde, fez o primeiro raio x pós cirurgia. Foi levada numa cadeira de rodas, e a Bea até se divertiu.

   E eu, mãe da Bea, despeço-me e deixo-vos agora com ela... Fiquem bem e Muita Saúde para todos!!!

   - Bea, toma lá o teclado e continua a contar a tua história!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A transfusão de sangue.

   E o sangue continuou a correr durante cerca de quatro horas. A noite chegou e, com ela, chegaram dores insuportáveis à Bea. Por volta das duas e meia da madrugada, a Bea fez aquilo que era muito raro fazer: chorar. Estava cheia de dores e disse-me que já não aguentava mais... E as lágrimas correram abundantemente pela sua carinha.
   Rapidamente chamei a Enfermeira que lhe pôs a correr no soro um medicamento que, apesar de demorar um pouco a fazer efeito, iria acabar por aliviar as suas dores. Queria mexer-se, mostrou-se muito inquieta, não tinha posição para estar, e continuou a chorar. Por volta das quatro e meia, começou a acalmar, até que acabou por adormecer.


   Dia 21 de setembro de 2015
   Acordou cedo, ainda não eram oito. Estava calma e apresentava já uma outra carinha, estava sem dores e começou a sorrir. Tomou o pequeno almoço, estava com apetite. Algum tempo depois, mais uma tortura: tirar sangue para análise para ver como estava a anemia...
   A seguir, levantou-se para ir ao WC. Inicialmente, sentiu-se um pouco tonta, começou a transpirar, mas aguentou-se. Apesar de tudo isto, a Bea estava feliz e dava para sentir que dela irradiava uma serenidade que me ajudou também a serenar.
   Com a ajuda de uma auxiliar, dei banho à Bea. Ela queria, tinha muita vontade de lavar o cabelo, mas achamos que era melhor não o fazer, pois era a primeira vez, a sério, que ela estava mesmo de pé e não se podia abusar da sorte.
   Depois do banho, o Enfermeiro fez-lhe o penso.


Anemia... pós operatório

    Depois do grande susto provocado pela indisposição, quase desfalecimento da Bea, eis que chegou o resultado das análises. Estava com anemia. De imediato nos foi dito que há quem consiga repor os níveis de sangue no período que se segue à cirurgia, contudo, e a Bea era um desses casos, há também aqueles que não conseguem fazê-lo, tendo, por isso, necessidade de levar uma transfusão. 
    Nesta cirurgia perde-se muito sangue, daí já estarem preparados para este tipo de ocorrência. Aquando do internamento da Bea, um dos documentos que tivemos de assinar foi precisamente uma autorização para se proceder a uma transfusão de sangue, caso fosse necessário. Não demorou muito a trazerem o sangue que iria ajudar a Bea a recuperar. Confesso que me impressionou ver todo este quadro que se seguiu. No entanto, sabia que para a Bea ficar bem tinha de passar por tudo aquilo.
    E o sangue começou a correr...
    A Bea continuava muito "apagada", dormia, dormia, era nítido que se encontrava totalmente sem forças... A sensação foi de, por momentos, ter perdido, novamente, a minha filha. Ela estava ali, mas ao mesmo tempo não estava! Foi mais um momento muito doloroso...



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Tensão baixa... pós operatório.

   Depois de alguns segundos em pé, a Bea deu dois ou três passos... Vê-la andar, mesmo tendo sido tão pouco, era já uma grande vitória! Depois da cirurgia a que tinha sido sujeita, mesmo não querendo pensar, o pensamento insistia em não deixar desaparecer aquela ideia de que algo poderia ter corrido menos bem. Mas não, tinha corrido tudo bem e tudo estava a funcionar bem no corpo da Bea. Tudo, exceto a tensão que continuava muito baixa.
   Ainda antes do almoço, tiraram-lhe sangue para análise. Mais uma picada de uma agulha, contudo a Bea continuava a aguentar tudo, quase sem queixas. Continuava a impressionar-nos com a sua atitude, nada de choraminguice, suportava bem a dor, enfim, uma autêntica heroína. O almoço deste dia agradou  e Bea comeu relativamente bem.
   A tarde chegou e com ela a Bea foi esmorecendo. Começou a dormitar e a ter dificuldade em ter os olhos abertos durante muito tempo. Ao final da tarde, acordou e pediu para se levantar para ir ao WC. Sentiu-se muito mal, ficou muito pálida e chegou mesmo a revirar os olhos. Depressa foi deitada novamente e controlada a tensão, verificou-se que a tensão tinha baixado ainda mais.
   O sangue que lhe tinham tirado para análise antes do almoço, segundo o laboratório, não era suficiente, por isso, pediram mais. Lá veio a Enfermeira para picar, outra vez, o braço da Bea para recolher mais sangue. À primeira tentativa, não saiu sangue. Voltando a espetar noutro sítio, lá saiu uma pequena quantidade de sangue que daria para fazer a análise pretendida. Tudo isto a Bea aguentou sem queixas.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

E cresceu...

   Nós, pais, não tínhamos palavras para descrever aquilo que tínhamos diante dos nossos olhos, era como se a Beatriz nascesse de novo! Aquela cama, finalmente, libertou-a e essa libertação só foi possível mediante a intervenção daquelas mãos milagrosas do médico que estava a tratar a Bea. Naquele momento, nós não pudemos fazer nada, apenas contemplar aquela maravilha! O doutor fez tudo e, quando segurou as mãos da Bea para a ajudar a levantar, o milagre concretizou-se: lentamente ela levantou-se e foi crescendo, crescendo...
   É verdade, lembro-me de ter proferido o seguinte:
   - Bea, para lá de crescer! Daqui a nada estás mais alta do que eu...
   Ela estava mais alta e o facto de não a ver em pé já quase há dois dias, fez parecer que ela estava ainda mais alta... Mesmo estando ainda presa às máquinas, às agulhas - entretanto, o doutor já lhe tinha tirado o dreno e o enfermeiro a algália - a minha pequenina tinha acabado de fazer um pequeno voo e... estava ESTICADINHA!
   Não é por acaso que volto a escrever este vocábulo, agora em maiúsculas... Se bem se lembram, foi esta palavra que o doutor empregou para nos dizer como é que estava a Bea depois de ele a ter operado... É, certamente, uma palavra que ficará para sempre guardada no nosso coração!!!
   No entanto, a tensão continuava baixa...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Escoliose pós cirurgia - Bea cresceu...

  Ainda antes de dormir, a Bea teve de passar por outra aventura. Ela continuava a queixar-se que a algália lhe provocava dores e, agora, também sentia a bexiga cheia e, por isso, vontade de urinar.  Eu dizia-lhe que isso não podia ser, se estava com algália, a urina saía sem ela dar por isso. A Bea manteve a sua versão e disse isso mesmo a um dos médicos que lá foi vê-la. A Enfermeira averiguou a situação, ou melhor, testou se realmente a urina estava a sair ou não. E isto porque, entretanto, eu controlei o volume da urina no saco e, passadas algumas horas, confirmei que o volume continuava o mesmo e a Bea a dizer que estava com muita vontade de urinar. Queixou-se um bocadinho do teste que a enfermeira teve de realizar, mas lá passou. A urina começou a correr fluidamente e a sensação de desconforto que ela dizia sentir, passou. De qualquer forma, continuava a dizer que a algália lhe doía.
   Logo nas primeiras horas da manhã do dia vinte, o pai da Bea juntou-se a nós para, todos juntos, passarmos mais uma odisseia. A noite, para ele, também tinha sido complicada, sozinho, em casa, sem nós. Por volta das doze horas e vinte minutos, fui almoçar. Como não conseguia estar muito tempo longe da Bea, depressa despachei a minha refeição. Estando eu já a caminho do quarto, recebo uma mensagem do meu marido a dizer que o doutor estava  junto deles, e que a Bea ia realizar a grande aventura daquele dia, senão mesmo, a grande aventura dos últimos tempos: ia levantar-se. Eu já estava mesmo na entrada que dava acesso ao quarto, foi uma questão de segundos. Nem imaginam a minha alegria quando, ao abrir a porta, me deparo com a imagem mais linda, encantadora dos últimos tempos, a minha filha estava sentada na cama para, de seguida, crescer!!! É isto mesmo, literalmente, a Beatriz levantou-se e cresceu...




  

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Morfina - efeitos secundários


Esqueci de referir que, no final da tarde do dia dezanove, por volta das dezoito horas, a Bea revelou-se mais inquieta e disse que estava a ficar muito indisposta. Logo a seguir, voltou a vomitar, desta vez um líquido amarelo.

Este início de manhã do dia vinte de setembro de dois mil e quinze não passaria sem antes provocar mais um valente susto. Já durante a noite, a Bea se tinha queixado de um ligeiro formigueiro nos dedos da mão. Inicialmente, pensei que fosse da posição em que se encontrava há já largas horas e tentava sossegá-la dizendo-lhe isso mesmo. Contudo, de manhã, o formigueiro foi-se acentuando até que a Bea afirmou que já não sentia uma das mãos e que o adormecimento já ia a meio do braço.

O pânico instalou-se, vi que ela estava também com um ar preocupado. Rapidamente, fui chamar o Enfermeiro que, num ápice, se colocou junto da Bea. Eram os efeitos secundários da morfina que continuava a ser injetada para aliviar as dores. Perante estes sintomas, a medicação teve de ser reajustada, a morfina não podia continuar…

Fiquem, agora, com esta fotografia.