domingo, 5 de junho de 2016

abril de 2016

    E as férias da Páscoa chegaram e terminaram num instantinho. Não fiz nada de especial, mas aproveitei para dormir mais um pouco de manhã e, à noite, deitar-me um pouco mais tarde. Continuei a treinar, sem nenhuma novidade.
    Início de abril, consulta dos seis meses... Estava ansiosa, queria muito ter a consulta, mas também tinha um pouco de receio por saber que podia não ouvir aquilo que ansiava há muito tempo. A rotina destes dias em que tenho tido as consultas não mudou, assim, antes da consulta, fui fazer novo RX e, já junto do Doutor, ouvi aquilo que temia: estava tudo a correr como previsto, a coluna estava bem, mas teria de esperar até fazer um ano de cirurgia para reavaliar. O Doutor explicou-me o porquê desta sua decisão e compreendi - a coluna precisava de mais tempo para "acomodar" o material que lá foi posto para me pôr a coluna direita. Podia continuar a nadar, mas teria de ser com as mesmas restrições: nada de viragens, nem saltos...
    E lá foram os meus planos por água abaixo... Não podia participar em nenhuma competição, e isto deixou-me muito triste. Andei uns dias muito pensativa, mas depois vi que não valia a pena. Continuei a ir aos treinos e a estudar muito para tirar boas notas.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Março de 2016

    E o segundo Período escolar avançava rapidamente para o seu fim. Foi um período com muitos trabalhos e testes, mas tudo correu bem. Assim, quanto a estes assuntos, não havia nada de novo.
    Quanto à minha coluna, queria muito encontrar novidades, dar comigo a fazer coisas que ainda não podia fazer, ou seja, estava quase a comemorar seis meses de cirurgia, enfim, muitos e muitos dias já tinham passado, e eu ainda não podia, não conseguia fazer tudo o que realmente desejava. Acabei por me habituar a esta "rotina", mas quando parava um pouco para pensar na vida, como se costuma dizer, dei comigo a ficar um pouco triste. Esta tristeza era ainda maior naqueles dias em que havia provas de natação e, claro, eu ainda não podia participar, pois continuava a não poder dar o salto, nem a fazer as viragens. Sem isto, nem pensar ser convocada para a competição. Assim, continuava a faltar-me aquilo que me deixa completamente feliz e realizada: nadar depressa e bem.
    Não podendo participar nessas provas, acompanhava o desempenho dos meus colegas pela net, ia vendo os resultados obtidos, quem tinha conseguido melhorar os seus tempos, etc.
    Que saudades eu tinha... tenho de poder estar a competir!!
    Terei de continuar à espera! Quantos dias, meses... ainda terei de contar para chegar ao topo?!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Janeiro e fevereiro de 2016

    Antes de regressar ao estrangeiro, o meu irmão ainda comemorou os seus dezoito anos e depois lá foi ele completar o primeiro ano do seu curso de Engenharia Informática.
    Durante estes dois meses, a vida foi correndo dentro da normalidade possível: casa - escola - piscina - casa, à segunda, quarta e sexta feira; casa - escola - casa, nos restantes dias. Continuaram a acontecer as consultas mensais de ortodôncia e tudo está a correr favoravelmente.
    A cicatriz continua a causar-me muita impressão, bem como algumas zonas em torno dela. Continua a custar-me muito encostar-me em cadeiras duras e, mesmo no banho, o simples passar da esponja continua a ser doloroso.
    Em fevereiro fui a uma consulta de Dermatologia porque, entretanto, me tinha aparecido uma verruga num dedo do pé. Doeu o tratamento a que o Doutor me submeteu logo ali na consulta, depois ainda ficou, durante uns dias, com um aspeto feio, mas lá acabou por desaparecer. Ainda nessa consulta, ele viu a minha cicatriz e disse que a extremidade ao fundo das costas estava com pré-coloide. Receitou um creme para colocar nessa zona, massajando. Lá começou outro martírio...

terça-feira, 17 de maio de 2016

Janeiro de 2016: natação e dor de ouvidos...

    Início de mais um período escolar, as férias, tal como acontece sempre, passaram a correr e o regresso à escola custa sempre um bocadinho, mas é só no primeiro dia,  depois entra-se rapidamente na rotina ao ponto de, manhã cedo, muitas das vezes, até já ter acordado por mim.
    Logo no início do mês, comecei a sentir uns barulhos estranhos e incomodativos num dos meus ouvidos. No final da segunda semana de janeiro, as queixas intensificaram-se e lá fui eu a mais uma consulta, desta feita de otorrinolaringologia. A doutora examinou os meus ouvidos e detetou que um não estava muito bem e era precisamente esse "estado" que me provocava alguma dor e barulhos esquisitos. Pois bem, o meu ouvido direito também queria mimos. Já nesta altura, devido às otites que costumava fazer, nadava com uns tampões próprios para estas situações. Tendo em conta o agravamento da situação, teria agora de passar a nadar com um outro tipo de tampão, feito à medida do meu ouvido, para não deixar entrar nenhuma água.
    Continuei a nadar as três vezes semanais que já fazia, mas passei a ir treinar também ao sábado: levantava-me às seis da manhã para, às sete em ponto, entrar na piscina. Manhãs muito frias, algumas muito chuvosas, outras com muito nevoeiro, as estradas, muitas vezes, sem nenhum carro à vista, muito menos pessoas - afinal era fim de semana - mas lá ia eu com o meu pai fazer aquilo que tanto gosto: nadar. Continuava focada no meu objetivo que era de ainda poder realizar provas de natação na presente época desportiva.

domingo, 1 de maio de 2016

No mês de dezembro...

    Ainda na consulta do dia 17 de dezembro, o Doutor passou uma declaração para eu entregar ao professor de Educação Física para este saber o que é que eu já podia fazer nestas aulas. Poderia realizar todos os exercícios que não implicassem carga / impacto na coluna e, claro, nada de enrolamentos. Os exercícios que se realizaram durante o segundo Período implicaram, quase sempre, aqueles que eu continuava a não poder fazer. Por isso, quanto a este assunto, não havia grandes alterações.
    No dia dezoito de dezembro, nova consulta, desta vez, era de Nutrição. Os procedimentos foram praticamente os mesmos da outra consulta: pesar, confirmar pesagens que tinha feito semanalmente para ver a evolução, ou não, do peso, hábitos alimentares, cumprimento das regras que a Doutora me tinha apresentado anteriormente, etc. Como tinha engordado um bocadinho, estava no bom caminho.
    No dia vinte e um de dezembro aconteceu uma coisa muito boa: o meu irmão chegou do estrangeiro onde está a estudar. A sua chegada, juntamente com  as férias escolares do Natal, ajudou a quebrar a rotina em que, entretanto, eu vivia e isso foi muito bom.
    Chegou o Natal e, claro, o Novo Ano - o ano de 2016.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Nova consulta pós cirurgia - o que não posso fazer...

    E ainda antes do dia de Natal, dezassete de dezembro de 2016, lá fui eu a mais uma consulta, na esperança de ouvir da boca do doutor que já podia nadar completamente à vontade. Os meus pais pediram-me calma e que não metesse na cabeça que eu iria ouvir aquilo que estava ansiosa para ouvir.
    Tal como aconteceu nas consultas anteriores, antes fui tirar novo raio-x e, já na consulta, o Doutor disse que estava tudo bem com a coluna, que tudo estava a evoluir muito bem. Isto deixou-me super feliz, e por momentos nem pensei na natação. Apesar de querer muito nadar como nadava, eu sei que primeiro tenho de ter a minha coluna direita e estável. Só ela me permitirá fazer uma vida normal... Normal dentro do que é esperado de uma coluna deste tipo.
    Pois bem, nesta consulta, fiquei a saber que não poderei nadar mais o estilo mariposa (neste estilo os braços são levantados simultaneamente para a frente enquanto se dá impulso com as pernas, movimentando-as juntas para cima e para baixo). Ora ali estava a minha primeira grande derrota. Este impedimento iria fazer com que eu não pudesse voltar a nadar, por exemplo, 200m estilos, e que eu gostava muito de nadar...
    Era um aspeto negativo, mas como tive de aprender com todo este processo que tem envolvido a minha escoliose, tinha de retirar dos aspetos positivos o encorajamento necessário para continuar a minha vida. Não podia nadar 200m estilos, contudo podia nadar o resto. Mesmo assim, fiquei triste, aliás, muito triste!!!
    As viragens continuava a não poder fazê-las e o salto também teria de ficar para depois...
    E a minha caminhada rumo à vida que eu antes tinha iria continuar um passinho de cada vez...

sábado, 23 de abril de 2016

7 de dezembro... mês do Natal!

    E finalmente chegamos a dezembro, o mês em que se celebra o Natal. Eu adoro esta época natalícia!
    No dia sete, lá tive eu mais uma consulta de ortodôncia para fazer a revisão mensal ao meu aparelho. Continua tudo a evoluir favoravelmente.
     Este dia, apesar de tudo, acabou por ser diferente. No mês de dezembro, costumamos sempre fazer o percurso que fizemos hoje, que é visitar a baixa de Lisboa para ver as iluminações natalícias. Todo o percurso de casa até ao consultório e depois para a baixa, foi todo feito em transportes públicos. Adorei! Depois da consulta, rapidamente chegou a hora de jantar e, mantendo a tradição, comi um belo hambúrguer no Rossio, acompanhado por umas belas batatas fritas e um néctar de pêssego. Soube pela Vida... Aliás, nem foi um hambúrguer, mas sim, dois. Sei que saí um pouco do regime alimentar que estava a seguir, mas como continuava a precisar de ganhar peso, comi tudo o que me apeteceu no momento. Depois tirei fotografias com um Pai Natal que estava no meio do Rossio, precisamente para tirar fotos com quem quisesse. Todos os anos este momento fica registado em fotografia. Se bem se lembram, já vos disse que eu adoro que me tirem fotografias.
    Quando cheguei a casa, estava muito cansada e dorida das minhas costas. Foi o primeiro grande passeio a pé que fiz com a minha nova coluna, e também de transportes públicos.
    Foi um dia muito bem passado!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Os olhares nada discretos e a cicatriz

    Vou agora contar-vos um episódio que me aconteceu numa das minhas primeiras idas ao treino. Já tinha feito o meu treino e estava no balneário, depois do banho. Estava a limpar-me e vi que uma mãe de uma das meninas mais pequenas que frequenta as aulas de natação, não tirava os olhos de mim, mais propriamente das minhas costas. Não estranhem estar uma mãe no balneário, quando eu era mais pequena, a minha mãe entrava sempre comigo para me ajudar a despir e a vestir o fato de banho, assistia depois ao treino e, no fim, voltava a entrar no balneário para me ajudar a arranjar. Claro que isto aconteceu quando eu era mesmo pequena, não esqueçam que eu iniciei muito cedo a minha prática desportiva. Mas também reconheço que quando fiquei grandinha, continuava a gostar que a minha mãe me ajudasse. Isto aconteceu até que um belo dia ela me disse que eu já sabia tomar conta de mim e que começava a parecer mal ela continuar a ajudar-me. Gosto muito de ser mimada...  Mas nesta fase lá tive de me deixar crescer mais um bocadinho!
    Voltando ao relato que estava a fazer relativamente àquela mãe que não tirava os olhos das minhas costas. Sempre que eu olhava para ela, a senhora desviava o seu olhar. De repente, deixei cair o amaciador do cabelo ao chão. A senhora prontamente se ofereceu para o apanhar e eu, rapidamente, respondi: "Não!". Fiquei chateada com a sua boa vontade, mas já em casa, quando contei à minha mãe o sucedido, ela fez-me ver que a senhora apenas tinha sido simpática e que era normal as pessoas ficarem admiradas e até mesmo impressionadas com a minha cicatriz. Disse eu à minha mãe:
    - Eu não lhe pedi nada, por isso ela não tinha nada que me oferecer ajuda!
    Várias vezes a minha mãe falou comigo sobre isto e passei a entender todos os olhares nada discretos que continuam a pousar sobre mim... Entendo, no entanto não gosto!

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Consulta de Pediatria

    Como tinha passado por uma cirurgia complicada, os meus pais acharam bem levarem-me a uma consulta de pediatria. Aconteceu no dia vinte e seis de novembro e aí lá tive eu de repetir algumas coisas relativamente ao que me tinha acontecido.
    Quando chegou a hora de pesar, lá voltei a ouvir que estava muito magra e que precisava de recuperar peso rapidamente. Depois falámos daquelas coisas próprias de uma consulta de pediatria com uma menina de doze anos.
    Foi a primeira consulta com esta doutora e gostei, foi muito simpática e atenciosa. Uma das coisas que lhe disse foi que não gostava da minha cicatriz e que não conseguia olhar para ela...

domingo, 10 de abril de 2016

Consulta de nutrição

     Como não havia meio de o meu peso aumentar, fui a uma consulta de Nutrição no dia dezoito de outubro de 2016. O que me foi dito nesta consulta, acabou por não constituir grande novidade, ou seja, eu tinha de comer mais e incluir na minha alimentação outros alimentos. A doutora disse que eu tinha mesmo de mudar alguns dos meus hábitos pois se não o fizesse não iria aguentar os treinos da natação.
    Depois de me pesar, medir e tomar conhecimento dos meus hábitos alimentares, foi-me perguntando e/ou sugerindo certos alimentos. Como eu já referi atrás, eu sou um bocadinho esquisita com a alimentação. Por isso, tive de responder à doutora, muitas vezes, "não gosto".
    No meio de tanta esquisitice minha, lá conseguiu dar-me um Plano Alimentar. Prometi que iria cumpri-lo.
    No início, até que cumpri mais ou menos tudo. Depois, ia fazendo mais ou menos. Mas comecei a engordar, gradualmente.

sábado, 9 de abril de 2016

Recuperação de peso pós cirurgia (II)

    E como o tempo continua a passar depressa, o terceiro período escolar já começou (4 de abril de 2016) e a primeira semana já passou. Quanto a novidades, fiz uma das aulas de Educação Física - dançar merengue. Adorei! Contudo fiquei com algumas dores. Foi a primeira vez que fiz este tipo de exercício depois da cirurgia.
    Com o tempo quente, passei a usar calções e blusas leves, não passando despercebida a ninguém a minha acentuada magreza.  Apesar dos meus treinos intensivos, e apesar de parecer estranho, eu não tinha grande apetite. Os meus pais insistiram comigo e comecei a comer mais um pouco. Passou a fazer parte do discurso deles  a realidade cada vez mais próxima da necessidade de ter de ser submetida a uma complicada intervenção cirúrgica, daí eles pedirem-me para comer de forma a engordar um bocadinho, pois os tempos que se avizinhavam não seriam nada fáceis. Como se costuma dizer, pouco a pouco enche a galinha o papo, no meu caso, consegui "encher" / engordar, passando o meu peso, na altura da cirurgia, a oscilar entre os 44/45 quilos. Estava e sentia-me bem com o meu novo peso.
    Dia 18 de setembro foi, então, o dia da cirurgia. Rapidamente perdi peso, logo enquanto estive internada. Restabelecido o meu equilíbrio pós cirurgia, dei comigo a pesar 38 quilos, tendo mesmo, em alguns dias, descido aos trinta e sete e tal.
    Enquanto estive em casa, em recuperação, e tendo em conta tudo aquilo que ainda estava a passar, o meu peso acabou por ficar um pouco em segundo plano, apesar dos meus pais insistirem comigo para que comesse mais um pouco. O problema acentuou-se, de facto, quando iniciei os treinos de natação. Mesmo condicionados, eu acabava por sofrer um grande desgaste com as piscinas que fazia nos três dias de treino que passei a fazer, à segunda, quarta e sexta-feira. Sem fazer nada e estando em repouso em casa, eu emagreci. Já estava na escola, comecei a nadar, mas continuei a comer o que comia, ou seja, o apetite estava mesmo preguiçoso...

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Recuperação de peso pós cirurgia (I)

    Quando terminei a época desportiva passada, em julho de 2015, eu estava muito magra. Em termos de peso, fui oscilando ao longo do meu crescimento. Antes de iniciar a prática da natação mais a sério, dei comigo a detetar alguns "pneus" na zona abdominal e umas coxas relativamente bem redondinhas. Na altura, ouvia os meus pais a dizerem para eu moderar um pouco, por exemplo, o consumo do chocolate - que continuo a adorar -, a não devorar dois pratos de comida, por exemplo, entre outras pequenas coisas. Da parte do meu pai, não há exemplos de gordurinhas a mais, mas o mesmo já não se pode dizer do lado da minha mãe. Mas, atenção, a minha mãe é super magra, não tem nada a ver com os seus pais nem com os seus irmãos, meus avós e tios, respetivamente, que são relativamente"grandes", digamos assim.
    Naquela altura em que eu me apresentava também um pouco "grande", sempre manifestei o desejo de ser elegante como a minha mãe, no entanto, eu adorava comer, e bem! Iniciados os treinos de forma intensiva, o que eu tinha a mais saiu e fui ficando mais "pequena", cada vez mais parecida com a minha mãe, mas só na elegância, pois em termos de parecenças continuo a ser mais parecida com o meu pai. O meu pai também é elegante, mas a barriguinha nota-se um pouquinho.
    Em julho de 2015, pesava, então, trinta e nove quilos, era quase só pele e osso e, claro, músculos.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Reflexões... eu e a natação.

    Torneio de Natação no meu Clube. Fui ver e fiquei muito triste...
    Com esta frase terminei o post anterior. Este torneio realizou-se no dia oito de novembro de 2015. Não me enganei quando escrevi "ver", pois foi isso mesmo que aconteceu, eu assisti ao torneio porque ainda estava "a léguas" de poder entrar na água juntamente com os meus colegas. E este foi, depois da cirurgia, o meu primeiro grande desgosto desportivo. Foi grande a dor que senti por não poder entrar no balneário e vestir o meu fato de competição para, de seguida, subir ao bloco e mergulhar. As bancadas estavam cheias e gosto de contemplar isto antes de subir ao bloco, sim, porque depois de estar no bloco, a concentração tem de estar toda direcionada para o toque que assinala a partida. E nestes momentos também costumo ficar um bocadinho nervosa porque não quero fazer falsa partida. Neste dia, encontrava-me entre as pessoas que estavam a assistir a este maravilhoso espetáculo que é a natação. É tão diferente...
    Todos os toques que assinalaram todas as partidas das diferentes provas que aconteceram naquele dia, bateram muito forte no meu coração. Não tenho palavras para descrever a tristeza que me invadiu! Por agora, fico por aqui...

domingo, 3 de abril de 2016

O meu dia a dia

    E a primeira semana de novembro fez-me voltar à rotina que tinha antes de ser operada. Tinha horários para cumprir na escola e no Clube de natação, tinha os trabalhos escolares para fazer, tinha de estudar para os testes que entretanto surgiram, tinha de continuar a escrever aqui, no blogue, pois acabei por sentir que esta prática de escrita acabou, também, por criar uma rotina. Sei, e vocês também sabem, que houve alguns dias seguidos que não publiquei nada, mas esclareço agora que, quando isso aconteceu, foi por total falta de tempo, eu tenho todas as horas, ou melhor, todos os minutos do dia programados e totalmente preenchidos. Certamente estão a constatar que, nesta pausa escolar para gozar as férias da Páscoa, eu tenho estado aqui, regularmente, a contar a minha história de vida.
    Apesar de todas as rotinas que entretanto se instalaram, mantenho uma mágoa muito grande, pois continuo sem nadar tudo o que queria e a não fazer todos os treinos que desejava. Mas continuemos no mês de novembro...
    No dia três, nova consulta de ortodôncia para efetuar nova revisão mensal. É sempre a mesma coisa: ver a posição dos dentes que vai melhorando mês a mês; trocar os elásticos e, já que é para trocar, mudo sempre a cor dos mesmos (já houve consultas em que tive de continuar com a mesma cor, pois não havia outras...).
    No fim de semana seguinte, houve um Torneio de Natação no meu Clube. Fui ver e fiquei muito triste...

sábado, 2 de abril de 2016

Primeiro treino de natação pós cirurgia.

    É indiscritível tudo o que senti quando mergulhei suavemente todo o meu corpo e comecei a deslizar na água. Mesmo não querendo pensar, não me saía da cabeça se iria sentir alguma coisa do material que me está a segurar a coluna ou até mesmo se a cicatriz, que continuava muito sensível, iria dar algum sinal. Confesso que tudo isto continuava a atormentar-me...
    O primeiro estilo que nadei foi crawl, senti os braços um pouco presos no início, mas depois foram-se soltando. Fiz algumas piscinas neste estilo, tendo depois mudado para costas. E seriam apenas estes dois estilos que eu poderia nadar nos tempos mais próximos... Nesta fase, poder nadar estes dois estilos foi, para mim, uma enorme vitória. Apesar do doutor ter dito que depois da cirurgia eu poderia voltar à natação, eu precisava de ver para crer. Nunca neguei que iria fazer tudo o que fazia antes, mas aquele receio de que... enfim... acabava por lá estar, mesmo sem eu querer!
    O treino correu bem e eu senti-me bem. Neste primeiro treino, bastou-me a satisfação de me sentir, novamente, a nadar. Nos outros que se seguiram, dei comigo a ficar triste por não poder fazer tudo o que fazia antes e ver os colegas a passarem-me à frente...

    Pensamento do costume: Melhores Dias VIRÃO!!!

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Regresso à piscina...

    Vou começar por explicar precisamente o fim do título que dei a este texto, mais propriamente o sinal de pontuação que escrevi. Reticências... Há já muito tempo que ansiava a chegada deste dia, dois de novembro de dois mil e quinze, nem calculam as saudades que eu tinha de entrar na água - não escrevi "mergulhar" porque estava proibida de o fazer -, e começar a bater pernas e braços com toda a força.
    O fim de semana que antecedeu este grande dia nunca mais passava. No domingo à tarde, com a ajuda do meu pai, preparei o saco com todo o material necessário para regressar, então, à piscina. Lembro de, na escola, na segunda feira, dar comigo a pensar como é que seria a reação do meu corpo, com a minha nova coluna, ao entrar na água. Rever os meus colegas também me estava a agradar, pois nos balneários, com as atletas, ou junto à piscina, antes de iniciar a prática da natação, com os atletas, havia momentos engraçados de convívio.
    Já no Clube, e como seria de esperar, tive que repetir a todos os que me iam perguntando o meu estado, que já estava melhor e que tudo tinha corrido bem. Confesso que me senti um pouco nervosa quando desci as escadas e cheguei junto do meu treinador que já estava junto àquela maravilhosa piscina. Tinha muita vontade de entrar, no entanto o receio de não conseguir fazer aquilo que o doutor tinha dito para eu fazer, era relativamente grande.
    Desci os degraus da piscina e entrei na água...

quinta-feira, 31 de março de 2016

Conhecer Haatchi e Owen

    Fiquei encantada quando recebi um convite do Hospital dos Lusíadas para assistir a uma sessão de autógrafos com Haatchi e Owen, nem queria acreditar. Já conhecia a história destes grandes amigos, a forma como se conheceram e que até já tinham estado em Portugal. Parecia mentira que eu iria ter o privilégio de estar junto deles e poderia ficar com um livro autografado com aquele delicioso carimbo que Owen usa para o fazer.
    Como não tinha aulas à tarde, calhou ainda melhor a data que estipularam para esse efeito - dia 16 de outubro, à tarde. Cheguei cedo ao Hospital pois não queria perder nada do encontro. Já tinha dito ao meu pai que queria que me comprasse o livro que relata a história deles, mas nem isso foi necessário, pois quando entrei na sala tinha um exemplar do livro à minha espera, na cadeira onde me sentei.
    Adorei ouvir Owen e ver aquele cão tão fofo. Foi mesmo muito ternurento!
    O livro devidamente autografado está numa das estantes do meu quarto. Adoro-o!

quarta-feira, 30 de março de 2016

Primeiros dias na Escola

    O primeiro dia correu bem, fiquei a conhecer alguns dos meus professores e fiquei a conhecer a minha turma. Um dos colegas tinha andado comigo no sexto ano e também nada no meu Clube de Natação. Todos os outros eram desconhecidos e muito deles portavam-se mal na sala de aula. No início assustei-me um pouco, depois comecei a achar piada a alguns dos comportamentos dos meus colegas. Muitos alunos da turma já eram repetentes.
    Logo no segundo dia de aulas, para mim, claro, foi dia de visita de estudo. Mais uma preocupação  para os meus pais, receavam que eu não aguentasse, tendo em conta que seria o dia todo. Eu estava com vontade de ir  e disse-lhes isso mesmo e que aguentava. Pois bem, a vontade era muita, mas não aguentei. Logo de manhã, a saída implicava um percurso a pé. Foi demais para mim, por isso telefonei ao meu pai para me ir buscar. O resto da semana decorreu normalmente. Tive de estudar muito para recuperar os conteúdos já lecionados e, na disciplina de Matemática, teria teste logo no início da semana seguinte.
    E a vida começou, então, a entrar nos eixos... Contudo, faltava uma coisa muito importante para mim:
    - A natação...

terça-feira, 29 de março de 2016

Regresso à escola.

    Ouvir o doutor dizer que eu podia regressar à Escola fez-me sentir muito bem. Confesso que já estava cansada de estar em casa e, por outro lado, iria iniciar o terceiro ciclo numa nova escola. Seria tudo novo para mim, estava mesmo ansiosa para começar e conhecer tudo. Antes da consulta terminar, a minha mãe ainda perguntou ao médico se não havia nenhum problema, por exemplo, com um possível encontrão de um colega, ou coisa do género. O doutor tranquilizou-a, dizendo que não havia qualquer tipo de problema.
    Rapidamente o dia doze de outubro chegou, depois de um fim de semana em que todos estávamos um bocadinho nervosos, pois seria o início de uma nova vida, agora que tinha, também, uma coluna nova. Até esse dia tinha estado mais em casa, um passeio ou outro no Centro Comercial, mas sempre muito rápidos, pois cansava-me depressa. Segunda-feira, levantei-me faltavam dez minutos para as sete, as aulas começavam às oito.
    Como era o meu primeiro dia escolar, e tendo em conta a minha situação, os meus pais pediram para entrar comigo na escola para me acompanharem até ao bloco onde iria ter a primeira aula. O senhor que estava ao portão foi muito compreensivo e permitiu a entrada deles. A Escola é muito grande e a sala onde eu iria ter a primeira aula ficava precisamente numa das extremidades daquele recinto escolar. Quando lá chegamos, a minha mãe falou com a funcionária que estava naquele Bloco e explicou-lhe a minha situação. A senhora foi muito atenciosa e logo sossegou a minha mãe dizendo que ela me ajudaria no que fosse necessário.
    A seguir foi o momento doloroso para todos: a despedida. Mas tinha de ser, a vida tinha de continuar...

segunda-feira, 28 de março de 2016

Ponto de situação... e a cicatriz.

    Nesta nova consulta, o doutor viu o RX que tinha feito antes de entrar no consultório. Estava tudo bem com a coluna e com o material e perguntou-me como é que eu me sentia. Respondi que estava bem, mas custava-me muito encostar-me. Viu a cicatriz e disse que aquela sensação iria melhorar com o tempo. Aconselhou massajar a cicatriz com um creme que ajuda na cicatrização, ajudando, inclusive, na diminuição da sua largura. A cicatriz é muito extensa e há zonas em que quase é impercetível, mas, por outro lado, zonas apresenta em que a sua largura é substancial. Isto acontece, principalmente, nas extremidades. Em cima, está um pouco mais larga, mas não me incomoda muito, já em baixo, para além de larga, está um pouco volumosa. Esta parte é onde assentam todas as costuras da roupa, por isso devem imaginar o que tenho passado. Aliás, já tive de mudar de calças algumas vezes porque não as consigo aguentar na cintura, precisamente na zona da cicatriz.
    Nesta consulta, o doutor referiu que a postura que eu apresentava entretanto só ficaria totalmente direita com a minha ajuda. Os meus pais tinham apresentado esta dúvida ao doutor porque tinham constatado que eu continuava um pouco inclinada para um dos lados. Tinha sido muito tempo com essa postura incorreta, fruto da acentuada curvatura que eu tinha na coluna, mas agora eu é que teria de fazer o resto. Foi complicado, porque mesmo estando um pouco torta, eu sentia que estava direita. Mas, claro, prometi ao doutor que ia melhorar a minha postura. E é o que ainda continuo a fazer.
    No fim da consulta o doutor deu-me alta/autorização para regressar à Escola, fiquei tão feliz... Quanto à natação, só em novembro...

sábado, 26 de março de 2016

Mais uma consulta

    Hoje, em conversa com o meu pai, lembrei que ele tem registado na sua agenda todas as datas relativas a tudo o que se tem passado comigo. Aliás, o meu pai assinala na sua agenda tudo, quando nós precisamos de saber alguma data é só perguntar-lhe. Entretanto, até a minha mãe que sempre disse que não precisava de agenda pois conseguia reter tudo na memória, acabou por se render ao uso deste livrinho. Assim, pedi ao meu pai a sua agenda e fiz o levantamento de todas as datas que me diziam respeito.
    Relativamente à mudança do penso, a mesma foi efetuada no dia vinte e cinco de setembro e retirado definitivamente no dia dois de outubro. No dia seis deste mesmo mês, tive consulta de ortodôncia para realizar a revisão mensal do meu aparelho. Os dentes já estão melhores, já estão a posicionar-se no sítio onde deveriam ter estado sempre. Possivelmente o que fez com que isto não acontecesse foi o facto de ter adorado, e muito, a minha querida chuchinha. Até larguei a chupeta relativamente cedo, pouco depois de ter feito os meus três aninhos, mas os meus pais dizem que enquanto eu andei com ela, chuchava com tal força que, de noite, eles ouviam, no seu quarto, o meu chuchar. Resultado: maxilar superior saído, apresentando um bocadinho "dentes de coelho". Como já disse, estão melhores, mas ainda tenho muitos meses pela frente para exibir um autêntico sorriso metálico. Confesso-vos que já estou farta do aparelho, há dias em que me apetece arrancar todas as pecinhas que o constituem... Mas sei que não devo e também tenho os meus pais logo a dizer que é para o meu bem e que o tempo até está a passar depressa e que se aguentei até agora, também aguento mais alguns meses, ou melhor, muitos.
    No dia sete de outubro de 2015, mais uma consulta, desta feita para o doutor rever a minha nova coluna.

Impressionada com a cicatriz...

    Mais uma etapa concretizada nesta minha longa saga: ter as minhas costas totalmente libertas de pensos. Isto sabia bem, mas, por outro lado, sentia-me agora mais frágil, é como se a minha coluna estivesse mais exposta. A partir deste dia começariam novos problemas para mim...
   Comecei a dar comigo a cismar com a cicatriz e, também, com o material cirúrgico que se encontrava por baixo dessa cicatriz. A Enfermeira que me tirou os pontos disse para a minha mãe espalhar, massajando, um creme gordo na cicatriz para ajudar a cicatrizar. Pois bem, este momento passou a ser um tormento para mim, metia-me  muita impressão tocarem-me na cicatriz. Mesmo no banho, só passar a esponja nas costas constituía, também, um autêntico massacre. Passei a ficar muito nervosa sempre que sabia que me iriam mexer nas costas. Não era só na zona da cicatriz que me doía, todas as partes das costas doíam, metiam impressão... Em algumas zonas, o deslizar de um dedo parecia uma faca a cortar, noutras zonas sentia outra coisa estranha, parecia borracha...
    Como se não bastasse tudo isto, comecei a meter na cabeça que o material que segura a minha coluna podia saltar, deslocar-se. Várias foram as vezes em que disse aos meus pais que sentia um parafuso aqui, outro acolá... Os meus pais tudo fizeram e disseram para me sossegar, para me tirar aquelas ideias da cabeça. Por vezes senti-os completamente desnorteados em busca das melhores palavras para me acalmar... Foi um período ainda relativamente longo que dediquei a este tipo de pensamentos. Depois da queda que relatei num dos posts anteriores, confesso, fiquei um pouco mais confiante. Nada saltou, e tudo continua no seu devido lugar!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Primeiro RX pós operatório

   Olá!
    Acabei de reler algumas das minhas publicações e verifiquei que o primeiro RX que tirei depois da cirurgia e que coloquei num dos posts anteriores não aparece. Não sei o que aconteceu, de qualquer forma já regularizei a situação e esse RX já se pode ver...

             A todos os meus Leitores, desejo uma Páscoa Feliz!
      
                                                      Bjs

quinta-feira, 24 de março de 2016

Os pontos e o penso!

    Os dias que precederam o dia em que tiraria os pontos foram relativamente bem passados no que toca a dores. O médico tinha receitado uns comprimidos para as dores, em SOS, mas eu continuava a ser muito resistente à dor. Confesso que tive algumas, mas que se toleraram bem. O que me incomodava mais era o penso que me fazia uma comichão daquelas, daquelas que até dava vontade de arrancar aquilo tudo. Mas sabia que não podia!
    Chegou o dia de me tirarem aquilo tudo... Estava um pouco nervosa, não só porque estava com receio de que doesse, mesmo sabendo que os pontos que estavam a fechar a minha cicatriz eram pensos autocolantes. Mesmo assim, estavam colados e isso fazia-me um pouco de impressão porque o corte ainda me doía. Para além desses pontos autocolantes, tinha um ponto de fio para fechar o buraquinho feito pelo dreno, que tinha sido colocado ao lado do corte, ao fundo das costas.
    Enquanto estava à espera que me chamassem, vi outros jovens à espera de consulta. Lembro que, ao olhar para eles, senti um grande alívio e muita alegria por saber que eu já tinha passado aquilo que provavelmente alguns deles iriam passar, ou seja, a cirurgia. Por momentos, voltaram a desfilar na minha cabeça alguns dos momentos mais marcantes de todo este processo que ainda continuo a viver. Se me perguntarem qual foi o pior, direi que não sei responder, cada pequeno momento constituiu um grande sofrimento, apesar de eu não ter exteriorizado muito. Sou mais de guardar para mim este tipo de sentimentos...
    Quando me deitei para a Enfermeira me tirar os pontos, comecei a tremer de nervos. Custou só um bocadinho...

quarta-feira, 23 de março de 2016

A minha nova vida!

    Olá, queridos leitores!
   Se calhar já estavam a pensar que tinha abandonado este/nosso blogue! Claro que não, mas os trabalhos e testes na escola absorveram-me, por completo, todo o tempo. Já vos disse que sou uma aluna aplicada e, antes de tudo, está a escola. Continuo a dar o melhor de mim em tudo...
    Ao escrever a última frase do parágrafo anterior, chegou-me um bocadinho de tristeza! Sim, eu continuo a dar o melhor de mim em tudo, e este "tudo" inclui a natação. Como já vos disse anteriormente, eu já estou a nadar, mas continuo com muitas limitações: não posso fazer a cambalhota nas viragens e não posso saltar. Tudo isto faz com que não consiga dar o meu máximo nos treinos e isso deixa-me muito triste. O treinador, mas principalmente os meus pais, animam-me e dizem-me que melhores dias virão e que eu vou conseguir. Os meus pais continuam a ser o meu porto de abrigo, não me deixam desmotivar, muito menos desistir dos meus objetivos e, como eles próprios dizem, para a frente é que é o caminho e melhores dias virão. Eu sei que é e tem de ser mesmo assim, mas já lá vão seis meses de cirurgia, são muitos dias, e ainda não sei quantos terei pela frente - tenho consulta em abril... - sem fazer aquilo que eu adoro, ou seja, NADAR em competição. Isto foi só mais um desabafo!
    Voltando à parte em que estava no post anterior, relativamente à minha nova vida, a minha felicidade continuava a ser imensa por ter voltado para a minha casinha. O penso que tinha nas minhas costas é que me incomodava. Era um penso próprio para poder tomar banho, mas no segundo banho que tomei com ele, descolou. Fui fazer novo penso que durou até o dia em que tinha de voltar ao Hospital para o tirarem definitivamente. No dia em que fui ao Hospital para o tirar, mais ou menos uma semana depois de ter feito o penso, confesso que estava um pouco nervosa, a cicatriz estava a causar-me muita confusão, juntamente com o material que eu sei que  está lá dentro...

sábado, 5 de março de 2016

Em casa...

    Já em casa, surgiu o primeiro obstáculo: subir escadas. Mas, devagar, devagarinho, lá subi os meus primeiros degraus após a cirurgia que me tratou a grande escoliose que eu tinha.
    Ao jantar, poder comer uma comidinha feita pela minha mãe foi, simplesmente, divinal. Como já passou algum tempo, não me recordo o que comi, no entanto, sei que me soube muito bem porque a minha mãe sabe o que eu gosto, adoro e o que eu não consigo mesmo comer. Admito que sou um pouco esquisita no que toca à alimentação...
     A primeira noite na minha caminha também foi maravilhoso, não há como a minha cama! Assim, o meu primeiro soninho após a cirurgia foi uma beleza. 
   Relendo estas palavras acabadas de digitar, verifico que escrevi muitas vezes "primeiro", "primeira". É verdade, sinto como se estivesse a iniciar uma nova vida e, como tal, tudo o que faço com a minha nova coluna é completamente NOVO.
    Antes de sair do hospital, fizeram-me o penso. Estava tudo bem!

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Alta do Hospital

    A noite de vinte e um de setembro para vinte e dois foi relativamente calma, consegui descansar como já há algum tempo não fazia. Fiquei, também, feliz porque estando eu melhor, a minha mãe também conseguiu descansar um pouco. Lembro que, antes de adormecermos, ainda falamos sobre a possibilidade de sairmos no dia seguinte, ou seja, termos alta do Hospital. É curioso estar a usar a primeira pessoa do plural, mas foi isso mesmo que aconteceu: nós as duas entramos juntas naquele hospital e íamos também sair juntas. Claro que a esta nossa dupla junta-se o meu pai que esteve sempre presente, só não dormia connosco porque não podia.
    Fazendo o balanço deste período difícil das nossas vidas: o tempo até passou rápido tendo em conta tudo aquilo por que passei nos dias em que estive internada. A minha vida deu uma volta completa, e sabia que agora iria iniciar uma nova vida. É isso mesmo, uma nova vida! Antes da cirurgia não podia já fazer algumas coisas, agora, pós cirurgia continuam a existir "coisas" que eu nunca mais poderei fazer. Estas restrições magoam... Eu queria nadar todos os estilos sem qualquer tipo de restrição! Certamente estão lembrados, eu sou nadadora de competição...
    No dia vinte e dois de setembro, a meio da tarde, deixei o Hospital onde fui tratada de forma excelente. Aliás, tenho mesmo de deixar aqui um agradecimento profundo a todos aqueles que de mim trataram, foram todos incansáveis e maravilhosos. Muito Obrigada!
    Como ainda me custava andar, fui levada numa cadeira de rodas até ao carro que me transportaria até casa. Apesar das dores que o transporte me causou, foi enorme a minha alegria ao deixar para trás o Hospital e regressar à minha bela casinha. Estava um dia lindo de verão, apesar de já ter começado o outono.
    A viagem correu bem e cheguei bem a casa...

Apontamento sobre o primeiro raio-x pós operatório

   Olá!
   Não escrevi nada durante esta semana porque olhar novamente para a imagem da minha nova coluna voltou a mexer comigo. Quando a vi no hospital, lembro-me de não ter sentido nada de especial, ainda estava um pouco tonta dos acontecimentos e do sofrimento dos dias anteriores. Recordo a reação dos meus pais, senti que ficaram um pouco estranhos e até assustados.
   Agora, reconheço que continua a ser uma imagem que não me agrada muito, no entanto já aprendi a aceitá-la. E é relativamente fácil explicar isto: nunca vou esquecer a coluna que tinha antes da cirurgia, era uma coluna feia porque estava torta. Se aquela curvatura fosse só interna, ou seja, se só se conseguisse ver em raio-x, tudo estaria mais ou menos bem, mas não, a curvatura foi-se tornando visível para quem olhava para mim e, mesmo não me conhecendo de lado nenhum, houve pessoas que ficaram com uma cara de quem estava a olhar para uma "coisa do outro mundo". Aliás, cheguei mesmo a comentar isso numa das minhas publicações anteriores. As pessoas não conseguiam esconder o seu "espanto" quando olhavam para mim... Com o avançar do tempo e de forma rápida, a minha coluna foi inclinando um bocadinho todos os dias.
   Não se podia esperar mais, por isso submeti-me à cirurgia que me deixou com duas barras na vertical, catorze parafusos e o mesmo número de porcas... E é esta a minha nova coluna!

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Primeiro raio-x pós operatório - Escoliose infantil

   Olá, Queridos Leitores!

   Já agradeci à minha mãe o excelente trabalho que fez neste meu/nosso blogue. Entretanto, estive a reler os textos publicados e cheguei à conclusão que ter passado o teclado à minha mãe foi uma boa ideia, pois assim ficaram com duas visões diferentes de tudo o que me tem acontecido. Estive sempre presente nos momentos em que a minha mãe escreveu. Apesar de já conhecer tudo aquilo que ela aqui vos contou, pois quis logo saber tudo ao pormenor, mal me senti com forças para tal, ainda assim, gostei de relembrar tudo! Ver escrito tudo o que me aconteceu acaba por ser também diferente. Estou a ver que tenho aqui parte da história da minha Vida...
   Para assinalar o meu regresso à escrita, deixo-vos, agora, com a imagem do primeiro raio-x da minha coluna após a realização da cirurgia. Quando vi a minha "nova coluna", fiquei muito impressionada...



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Primeiro penso e resultado das análises

   Custou um bocadinho a fazer o penso, mas a Bea acabou por se sentir um pouco mais leve e fresca.
   Por volta das onze, o doutor veio vê-la e disse que as análises tinham revelado valores satisfatórios. Apesar de ainda não apresentar os valores normais, a medula iria acabar por fazer o resto...
   O dia lá foi passando, relativamente bem e sempre bem disposta. Agora, queria ir para casa.
   À tarde, fez o primeiro raio x pós cirurgia. Foi levada numa cadeira de rodas, e a Bea até se divertiu.

   E eu, mãe da Bea, despeço-me e deixo-vos agora com ela... Fiquem bem e Muita Saúde para todos!!!

   - Bea, toma lá o teclado e continua a contar a tua história!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A transfusão de sangue.

   E o sangue continuou a correr durante cerca de quatro horas. A noite chegou e, com ela, chegaram dores insuportáveis à Bea. Por volta das duas e meia da madrugada, a Bea fez aquilo que era muito raro fazer: chorar. Estava cheia de dores e disse-me que já não aguentava mais... E as lágrimas correram abundantemente pela sua carinha.
   Rapidamente chamei a Enfermeira que lhe pôs a correr no soro um medicamento que, apesar de demorar um pouco a fazer efeito, iria acabar por aliviar as suas dores. Queria mexer-se, mostrou-se muito inquieta, não tinha posição para estar, e continuou a chorar. Por volta das quatro e meia, começou a acalmar, até que acabou por adormecer.


   Dia 21 de setembro de 2015
   Acordou cedo, ainda não eram oito. Estava calma e apresentava já uma outra carinha, estava sem dores e começou a sorrir. Tomou o pequeno almoço, estava com apetite. Algum tempo depois, mais uma tortura: tirar sangue para análise para ver como estava a anemia...
   A seguir, levantou-se para ir ao WC. Inicialmente, sentiu-se um pouco tonta, começou a transpirar, mas aguentou-se. Apesar de tudo isto, a Bea estava feliz e dava para sentir que dela irradiava uma serenidade que me ajudou também a serenar.
   Com a ajuda de uma auxiliar, dei banho à Bea. Ela queria, tinha muita vontade de lavar o cabelo, mas achamos que era melhor não o fazer, pois era a primeira vez, a sério, que ela estava mesmo de pé e não se podia abusar da sorte.
   Depois do banho, o Enfermeiro fez-lhe o penso.


Anemia... pós operatório

    Depois do grande susto provocado pela indisposição, quase desfalecimento da Bea, eis que chegou o resultado das análises. Estava com anemia. De imediato nos foi dito que há quem consiga repor os níveis de sangue no período que se segue à cirurgia, contudo, e a Bea era um desses casos, há também aqueles que não conseguem fazê-lo, tendo, por isso, necessidade de levar uma transfusão. 
    Nesta cirurgia perde-se muito sangue, daí já estarem preparados para este tipo de ocorrência. Aquando do internamento da Bea, um dos documentos que tivemos de assinar foi precisamente uma autorização para se proceder a uma transfusão de sangue, caso fosse necessário. Não demorou muito a trazerem o sangue que iria ajudar a Bea a recuperar. Confesso que me impressionou ver todo este quadro que se seguiu. No entanto, sabia que para a Bea ficar bem tinha de passar por tudo aquilo.
    E o sangue começou a correr...
    A Bea continuava muito "apagada", dormia, dormia, era nítido que se encontrava totalmente sem forças... A sensação foi de, por momentos, ter perdido, novamente, a minha filha. Ela estava ali, mas ao mesmo tempo não estava! Foi mais um momento muito doloroso...



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Tensão baixa... pós operatório.

   Depois de alguns segundos em pé, a Bea deu dois ou três passos... Vê-la andar, mesmo tendo sido tão pouco, era já uma grande vitória! Depois da cirurgia a que tinha sido sujeita, mesmo não querendo pensar, o pensamento insistia em não deixar desaparecer aquela ideia de que algo poderia ter corrido menos bem. Mas não, tinha corrido tudo bem e tudo estava a funcionar bem no corpo da Bea. Tudo, exceto a tensão que continuava muito baixa.
   Ainda antes do almoço, tiraram-lhe sangue para análise. Mais uma picada de uma agulha, contudo a Bea continuava a aguentar tudo, quase sem queixas. Continuava a impressionar-nos com a sua atitude, nada de choraminguice, suportava bem a dor, enfim, uma autêntica heroína. O almoço deste dia agradou  e Bea comeu relativamente bem.
   A tarde chegou e com ela a Bea foi esmorecendo. Começou a dormitar e a ter dificuldade em ter os olhos abertos durante muito tempo. Ao final da tarde, acordou e pediu para se levantar para ir ao WC. Sentiu-se muito mal, ficou muito pálida e chegou mesmo a revirar os olhos. Depressa foi deitada novamente e controlada a tensão, verificou-se que a tensão tinha baixado ainda mais.
   O sangue que lhe tinham tirado para análise antes do almoço, segundo o laboratório, não era suficiente, por isso, pediram mais. Lá veio a Enfermeira para picar, outra vez, o braço da Bea para recolher mais sangue. À primeira tentativa, não saiu sangue. Voltando a espetar noutro sítio, lá saiu uma pequena quantidade de sangue que daria para fazer a análise pretendida. Tudo isto a Bea aguentou sem queixas.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

E cresceu...

   Nós, pais, não tínhamos palavras para descrever aquilo que tínhamos diante dos nossos olhos, era como se a Beatriz nascesse de novo! Aquela cama, finalmente, libertou-a e essa libertação só foi possível mediante a intervenção daquelas mãos milagrosas do médico que estava a tratar a Bea. Naquele momento, nós não pudemos fazer nada, apenas contemplar aquela maravilha! O doutor fez tudo e, quando segurou as mãos da Bea para a ajudar a levantar, o milagre concretizou-se: lentamente ela levantou-se e foi crescendo, crescendo...
   É verdade, lembro-me de ter proferido o seguinte:
   - Bea, para lá de crescer! Daqui a nada estás mais alta do que eu...
   Ela estava mais alta e o facto de não a ver em pé já quase há dois dias, fez parecer que ela estava ainda mais alta... Mesmo estando ainda presa às máquinas, às agulhas - entretanto, o doutor já lhe tinha tirado o dreno e o enfermeiro a algália - a minha pequenina tinha acabado de fazer um pequeno voo e... estava ESTICADINHA!
   Não é por acaso que volto a escrever este vocábulo, agora em maiúsculas... Se bem se lembram, foi esta palavra que o doutor empregou para nos dizer como é que estava a Bea depois de ele a ter operado... É, certamente, uma palavra que ficará para sempre guardada no nosso coração!!!
   No entanto, a tensão continuava baixa...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Escoliose pós cirurgia - Bea cresceu...

  Ainda antes de dormir, a Bea teve de passar por outra aventura. Ela continuava a queixar-se que a algália lhe provocava dores e, agora, também sentia a bexiga cheia e, por isso, vontade de urinar.  Eu dizia-lhe que isso não podia ser, se estava com algália, a urina saía sem ela dar por isso. A Bea manteve a sua versão e disse isso mesmo a um dos médicos que lá foi vê-la. A Enfermeira averiguou a situação, ou melhor, testou se realmente a urina estava a sair ou não. E isto porque, entretanto, eu controlei o volume da urina no saco e, passadas algumas horas, confirmei que o volume continuava o mesmo e a Bea a dizer que estava com muita vontade de urinar. Queixou-se um bocadinho do teste que a enfermeira teve de realizar, mas lá passou. A urina começou a correr fluidamente e a sensação de desconforto que ela dizia sentir, passou. De qualquer forma, continuava a dizer que a algália lhe doía.
   Logo nas primeiras horas da manhã do dia vinte, o pai da Bea juntou-se a nós para, todos juntos, passarmos mais uma odisseia. A noite, para ele, também tinha sido complicada, sozinho, em casa, sem nós. Por volta das doze horas e vinte minutos, fui almoçar. Como não conseguia estar muito tempo longe da Bea, depressa despachei a minha refeição. Estando eu já a caminho do quarto, recebo uma mensagem do meu marido a dizer que o doutor estava  junto deles, e que a Bea ia realizar a grande aventura daquele dia, senão mesmo, a grande aventura dos últimos tempos: ia levantar-se. Eu já estava mesmo na entrada que dava acesso ao quarto, foi uma questão de segundos. Nem imaginam a minha alegria quando, ao abrir a porta, me deparo com a imagem mais linda, encantadora dos últimos tempos, a minha filha estava sentada na cama para, de seguida, crescer!!! É isto mesmo, literalmente, a Beatriz levantou-se e cresceu...




  

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Morfina - efeitos secundários


Esqueci de referir que, no final da tarde do dia dezanove, por volta das dezoito horas, a Bea revelou-se mais inquieta e disse que estava a ficar muito indisposta. Logo a seguir, voltou a vomitar, desta vez um líquido amarelo.

Este início de manhã do dia vinte de setembro de dois mil e quinze não passaria sem antes provocar mais um valente susto. Já durante a noite, a Bea se tinha queixado de um ligeiro formigueiro nos dedos da mão. Inicialmente, pensei que fosse da posição em que se encontrava há já largas horas e tentava sossegá-la dizendo-lhe isso mesmo. Contudo, de manhã, o formigueiro foi-se acentuando até que a Bea afirmou que já não sentia uma das mãos e que o adormecimento já ia a meio do braço.

O pânico instalou-se, vi que ela estava também com um ar preocupado. Rapidamente, fui chamar o Enfermeiro que, num ápice, se colocou junto da Bea. Eram os efeitos secundários da morfina que continuava a ser injetada para aliviar as dores. Perante estes sintomas, a medicação teve de ser reajustada, a morfina não podia continuar…

Fiquem, agora, com esta fotografia.





quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Escoliose: Novo dia pós cirurgia...

   Vi a noite dar lugar ao dia... Apesar de nada poder fazer para tirar a Bea daquela situação, passei a noite a vigiá-la, o seu ar tão delicado quando estava com os olhinhos fechados a descansar um pouco daquele tormento, ou, então, vê-la um pouco desperta  para se queixar que tinha dores, não me permitiram fechar os meus olhos para descansar. Verifiquei que, em momentos como estes, vamos buscar forças sabe-se lá onde, para não permitirmos que algo de errado possa acontecer. Quando a tensão baixava muito, a máquina dava sinal e isso afligia-me...
   A manhã instalou-se, mais um dia quente de final de verão, aliás, no dia seguinte começaria o outono. A Bea tomou o pequeno almoço - leite com chocapic (únicos cereais que ela gosta). Foi tão bom contemplá-la a comer! Se já tinha algum apetite, interiorizei que o pior já tinha passado e que agora era só recuperar as forças para poder sair daquela cama que continuava a prender a minha pequenina com todas as forças... Ela não conseguia mexer-se, continuava deitada de costas, os tubos ligavam-na às máquinas, as agulhas continuavam espetadas, a algália incomodava-a, e muito... Enfim!!!
   Deram-lhe banho na cama, sentiu-se um pouco mais fresca. Contudo, mesmo tendo mexido nela com todo o cuidado e carinho, queixou-se com dores. Ouvi-la dizer que tinha dores deixava-me triste, angustiada e, também, frustrada porque eu não podia fazer nada para reverter aquela situação.
   O tempo foi passando e a Bea pediu para ligar a televisão. Conseguia ter os olhos abertos, ia mudando de canal à procura de programa que lhe interessasse, ia conversando... Lembro-me de termos comentado o facto de o pior já ter passado, aquelas longas horas no Bloco Operatório, "desligada" de tudo, já eram passado! Agora, encarar o futuro com muito otimismo...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Primeira noite no quarto...

   A tarde deu lugar a uma longa noite! O controle por parte dos enfermeiros e dos médicos era constante, todos zelavam pelo bem estar da Beatriz. Se durante o dia ela dormiu, a noite não foi diferente. A tensão continuava muito baixa, por isso foram reajustando a medicação, controlando todos os níveis e iam-me informando sobre tudo o que estava a acontecer. Sempre me tranquilizaram relativamente a cada alteração de valor que as máquinas transmitiam, eu confiava em tudo o que me diziam, mas, lá no fundo, o meu pânico era mais que muito! A Beatriz, de vez em quando, abria os olhos, mas era um despertar um tanto ou quanto estranho, ela continuava alheada do que lhe estava a acontecer, e isto, sim, causava-me muita impressão. Continuei a rezar muito e a pedir que tudo corresse bem com a minha pequenina...



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Tensão baixa... sofrimento!

   A tarde foi passando e para não incomodar a Bea, todos nós falamos baixinho. Entretanto, chegou o lanche, contudo a Bea não deu por esta refeição, pois dormia, dormia... As visitas deixaram o quarto, a Bea "continuava" desligada" do real.
   À medida que as horas iam avançando, verificamos que cada vez mais os sonos eram ininterruptos e a cor facial da Bea estava a mudar. Estava branca, um tom avermelhado dos lados do nariz e, às vezes, parecia que tinha a cara inchada. Os enfermeiros, como sempre, foram incansáveis e vinham ver como é que ela estava. A tensão começou a apresentar valores muito baixos - 7/4, 6/4 - e ela continuava a dormir... Esta situação começou a deixar-nos muito preocupados, o que é que se estava a passar?! Entretanto, começou a vir ao quarto o médico de serviço para ver como é que ela estava. Foi-nos, então, dito que a medicação estava a ser reajustada e que na epidural que a Bea ainda tinha, continuava a correr um preparado que continha morfina. Ela precisava de morfina para poder aguentar as dores...
   Estes momentos foram muito difíceis para nós, sentíamo-nos impotentes pois tínhamos que aceitar o que nos era dito e confiar que todos sabiam o que estavam a fazer. No entanto, contemplar a Bea naquela cama, com uma carinha que já não correspondia àquela que nós estávamos habituados, muito parada... Ainda hoje dói, e muito, relembrar estes momentos!
   Num dos lados da sua cama, estavam pendurados dois "recipientes": um que recebia os restos da cirurgia e o outro para onde seguia a urina proveniente da algália que tinham colocado na Bea, na sala de operações. Contemplar estes líquidos também não foi nada fácil, era demasiado material ligado à Bea: drenos, tubos, agulhas, máquinas, ...
   Fiquem, agora, com mais uma fotografia...


domingo, 7 de fevereiro de 2016

O regresso ao quarto...

   A Bea estava bem disposta quando deixou os Cuidados Intensivos, sair daquele lugar deu-lhe um novo alento, pelo menos para já... Durante a "viagem" brincamos com ela e ela divertiu-se um pouco. Esta "viagem" foi feita na sua cama, tendo sido a mudança para esta muito dolorosa, apesar de todo o cuidado e carinho com que os enfermeiros o fizeram. Mas, como sempre, a Bea mostrou-se uma autêntica guerreira e tudo o que sofreu, sofreu baixinho ou guardou mesmo para si...
   Nos Cuidados Intensivos não havia luz natural, então, chegar ao quarto e ter aquelas enormes janelas a deixar entrar o sol maravilhoso que brilhava lá fora, deu a todos nós uma lufada de esperança de que o pior já tinha passado. Mas não...
   A tarde foi passada a dormir, sendo intervalada por breves momentos em que ela abria os olhinhos para ver o que se estava a passar, mas completamente alheada da verdadeira realidade, pois das poucas vezes em que falou, das poucas palavras que conseguiu proferir, ela pensava que já tinham passado três dias da cirurgia. Estava completamente perdida no tempo... Continuava com muita medicação, destacando-se a morfina que continuava a correr no sangue para atenuar as terríveis dores que ela tinha. Os enfermeiros estavam sempre no quarto para verificarem os valores que as máquinas iam ditando e diziam isso mesmo, isto é, que aquele tipo de cirurgia provocava dores terríveis. Custava muito ouvir isto, mas nós compreendíamos que assim fosse. A Bea tinha sido cortada de cima a baixo, conseguíamos ver os pensos e, se a isto juntarmos o facto de ela ter a coluna cheia de material cirúrgico, torna-se fácil calcular o seu enorme sofrimento...
   Às quinze horas chegaram as suas primeiras visitas, alguns familiares. Ficaram impressionados com o que encontraram... A Bea acabou por não dar pela presença deles, ela dormia, dormia e mesmo quando abria os olhos, ela não "estava" mesmo lá...

Dos Cuidados Intensivos para o quarto...

   E a manhã passou... Na hora de almoço serviram uma refeição à Bea, mas ela não tinha nenhum apetite. Nós ainda insistimos para que ela comesse, mas sem resultado, ela sentia-se agoniada e não conseguia comer. Apesar de estar com soro, ficamos preocupados pois já há muitas horas que ela não metia nada à boca. A muito custo, lá conseguiu beber o sumo de pêssego, que é o seu preferido, aliás é o único que ela bebe, e comeu um bocadinho de pera. Eis uma fotografia do primeiro almoço...






   Por volta das catorze horas, depois de lhe terem dado uma injeção na barriga - que eu não consegui ver, tive que me afastar, impressiono-me muito facilmente com este tipo de coisas, ainda mais na minha filha - teve alta da Unidade de Cuidados Intensivos.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Antes de eu adormecer... Anestesia!

   Olá!
   Vou, então, contar-vos tudo o que aconteceu desde que entrei na sala onde fui operada. Deixar os meus pais custou-me muito, vê-los a ficar para trás deixou-me muito triste e com muita vontade de chorar... Mas sabia que eles não podiam estar comigo, por isso tive mesmo de me acalmar!
   Quando entrei na sala de operações, fiquei assustada com todo aquele ambiente, máquinas por todo o lado, ferramentas (acho que posso chamar assim) para fazer a operação e, no meio da sala, uma espécie de mesa onde me deitaram. Havia, também, muitas pessoas vestidas com batas verdes, eram médicos e enfermeiras. A médica anestesista veio logo ter comigo e foi muito simpática, ajudou-me a ficar mais à vontade. Falamos sobre muitas coisas: os meus pais, o meu irmão, onde é que morava, o meu aparelho ortodôntico, aparelho este que a médica também usava, entre outras coisas. Ah, ela contou-me que também tinha escoliose, mas como era muito ligeira não foi preciso operar. Disse-me que tudo ia correr bem e que eu ficar com a coluna direitinha. Também vi expostos os RX da minha coluna, estavam com uns riscos desenhados...
   Passados alguns minutos, não sei dizer se foram muitos ou poucos, viraram-me de barriga para baixo, tendo ficado com a cara encaixada numa espécie de almofada, redonda, com um buraco no meio. Quando me vi naquela posição, fiquei muito aflita pois meti na cabeça que eles já me iam cortar e eu ainda estava acordada. Depois, aconteceu uma coisa muito estranha: eu queria dizer a quem estava junto de mim que ainda estava acordada, que ainda não me podiam operar... Eu queria falar, eu queria gritar, mas não conseguia... Eu sabia as palavras que tinha de dizer, mas o som não saía! Fiquei muito aflita, ainda senti alguma movimentação na sala até que... Adormeci!!!
   Agora que estou a pensar nisto, reconheço que ainda me assusta um pouco, foi realmente muito estranho!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Manhã nos Cuidados Intensivos

   A manhã também passou muito vagarosamente, mas ter a Bea já na posse das suas faculdades foi maravilhoso. Já tinha tomado consciência que a cirurgia já estava feita e que tinha acordado bem. Teve necessidade de satisfazer a sua curiosidade relativamente a tudo o que aconteceu enquanto dormia. Tive de lhe contar tudo até ao mais ínfimo pormenor. Quando lhe disse que ela parecia ter-nos reconhecido junto de si, na noite anterior, ela riu-se e referiu não se lembrar de absolutamente nada. Quando lhe descrevi o penteado que lhe tinham feito, voltou a sorrir.
   Apesar de tudo, ela estava com bom aspeto, com um ar sereno e tranquilo. A minha pequenina, por agora, estava bem. As enfermeiras continuavam a vigiar todos os valores que as máquinas ditavam, iam introduzindo medicamentos no soro, tudo para a Bea não ter dores e acautelar complicações futuras.
   A manhã foi passando, até que chegou o pai da Bea. Foi imensa a sua alegria quando a viu acordada e relativamente bem disposta. E ela também ficou muito contente ao vê-lo. Aproveitei a presença do meu marido, para ir até ao quarto tomar banho e mudar de roupa (estava ainda salpicada do líquido verde que a Bea tinha vomitado). Passei, ainda, pelo Bar para comer qualquer coisa para conseguir aguentar o que ainda estava pela frente...
   Novamente juntos, a Bea contou-nos tudo o que se tinha passado no Bloco Operatório até ao momento em que adormeceu. Este relato vai ser escrito pela Bea...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Apontamento sobre a minha queda...

   Olá!
   Decidi, hoje, escrever algumas palavras para verem que eu estou mesmo bem. O que a minha mãe escreveu, ontem, mostra pouco o estado em que ela ficou quando lhe mostrei os meus ferimentos. Realmente a queda foi aparatosa, mas fiquei bem. Ainda não consegui perceber como é que aquilo aconteceu, o chão até era direito, mas caí! Fiquei dorida numa mão e nos joelhos e, hoje, quando me levantei, doeu um bocadinho, mas acabou por passar.
   Foi um momento mau, mas deu para eu concluir que, afinal, as barras, os parafusos e as porcas que eu tenho na minha coluna estão mesmo bem presas... E ao confirmar isto fiquei com muita vontade de rir daquela queda maluca!!!
   Tenho acompanhado a minha mãe na elaboração de todos os textos que ela tem escrito e está a saber muito bem estar a partilhar este meu projeto com ela. Quando iniciei este blogue, nunca pensei que iria ficar como está, nunca imaginei que ia ter os leitores que sei que tenho. Fico muito feliz por a minha história estar a interessar a todos os que me acompanham... Sinto-me realmente acompanhada e tenho muita vontade de continuar...
   Bem, amanhã tenho teste de Físico-Química... Vou rever parte de um conteúdo que ainda me falta e, depois, caminha!
   A minha mãe irá continuar a contar-vos a nossa história, mas quando chegar à parte em que saio do hospital e regresso à minha casinha, voltarei a assumir este teclado...
   Beijinhos!!!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Grande susto!

   Após quatro meses e meio após a cirurgia, hoje, quando cheguei a casa, encontrei a Bea com um penso numa mão. Pensei que estivesse a brincar comigo, mas quando me mostrou que também os joelhos tinham pensos, fiquei com o coração a bater a mil... Receei, e muito, o que ia ouvir a seguir como explicação para aquilo. Pois bem, tinha caído na escola. Apesar de estar a ouvir isto da boca dela, e mesmo estando ela, inteira, em frente a mim, eu senti uma "coisinha" muito má... Ela tem a coluna cheia de material e desde que vi o RX que mostra isto mesmo, que me sinto muito receosa com tudo o que pode acontecer à Bea: um simples encontrão, uma pequena queda ou então isto - uma grande queda, ao ponto de lhe ter ferido uma mão e os joelhos. E aconteceu mesmo! Hoje estava vestida com calças de ganga, pois bem, as calças ficaram com buracos nos joelhos. Foi um enorme susto para nós, ela não sabe explicar o que aconteceu, pura e simplesmente caiu.
   Passado o choque, disse à Bea:
   - Assim confirmaste que o material que está a segurar a tua coluna realmente não sai!
   Esta cisma da Bea é real, mas na próxima publicação voltarei ao ponto em que estava, nos Cuidados Intensivos, até chegar ao momento em que o material que a Bea "carrega" na coluna, começou a fazer-lhe muita confusão...
   Ainda muito há para contar: muito sofrimento, grandes sustos, algumas alegrias e continuaremos a ver o que o Destino ainda reserva para nós...

domingo, 31 de janeiro de 2016

Primeira noite pós cirurgia - Escoliose

   E a noite lá foi passando, vagarosamente, mas como tinha a Bea ao meu lado, ainda que naquele estado, sentia-me "bem". Aquelas longas horas da cirurgia foram bastante marcantes, foi mais do que um pedaço de mim que saiu de junto de mim, toda eu mergulhei num estado de ansiedade, nervosismo, sofrimento indescritíveis... Sabia que não podia fazer nada, ela estava nas mãos dum médico conceituado neste tipo de cirurgia, só tínhamos de confiar... Mas, penso poder dizer, que todos nós sabemos o que custa quando temos de entregar a "vida" dum filho nas mãos da Medicina e de Deus! Saber que ela estava a levar anestesia geral estava a fazer-me muita confusão.
   Mas voltemos aos Cuidados Intensivos... Como já referi, a Bea ia acordando e falava como se ainda não tivesse sido operada, aliás, numa dessas vezes, perguntou-me quando é que ia para o Bloco. Houve um momento em que o cansaço apoderou-se de tal forma de mim, que dormitei um pouco. Foram breves minutos pois a Bea estava sempre a acordar. Por volta das sete da manhã, ficou mais agitada, indisposta e começou com vómitos. De repente,  a sua boca parecia uma fonte, jorrou um líquido tão verde, muito, muito esquisito. Fiquei muito assustada ao ver a Bea muito aflita, tentei que não se sujasse muito, mas foi impossível, o líquido era tanto que até a mim me sujou. Depressa chegaram as enfermeiras e limparam tudo.
   Poucos minutos depois, chegou a médica anestesista e disse que aquele líquido verde constituía um efeito secundário da morfina que a Bea estava a levar para as dores. As dores eram muitas e muito fortes e só a morfina conseguia ajudar... Ouvir falar em morfina deixou-me apavorada! Mas tinha de ser, as dores eram mesmo muito intensas e se só aquele medicamento lhe atenuava as dores, paciência!

A noite nos Cuidados Intensivos

   A médica anestesista ainda ficou mais algum tempo junto de nós, a controlar todos os valores que as máquinas iam ditando. As enfermeiras também foram incansáveis, e isso fez-nos perceber que a Bea estava a ser muito bem tratada, aliás, não exagero, ao dizer que todos mimaram a Bea e muito. Enquanto isto, a Bea continuava a dormir muito serenamente.
   Entretanto, a médica saiu e ficamos ali com a nossa menina... As enfermeiras continuaram a controlar todas as máquinas, a ajustar a saída do soro, etc. Tinham-nos dito que eu poderia passar a noite com a Bea, o que me deixou muito feliz. Gostava que o meu marido também ficasse, mas não era permitido. Assim, por volta da meia noite, fiquei sozinha com a Bea.
   Nas conversas que tínhamos tido antes da cirurgia, uma das coisas que ela tinha pedido era que quando saísse do Bloco e estivéssemos com ela, lhe pegássemos na mão. E foi precisamente isto que fiz. Peguei na mãozinha dela e, assim, passamos a noite. A enfermeira tinha posto ao lado da cama dela um sofá que dava para me deitar e disse-me para eu tentar descansar. Não consegui, a Bea segurou a minha mão, mesmo continuando a dormir. Assim, ela descansou e eu fiquei descansada ao vê-la serena, a dormir. Durante a noite, a vigilância por parte das enfermeiras continuou... A Bea, de vez em quando, gemia e eu acalmava-a e foi imensa a minha alegria quando percebi que ela sabia que eu estava ali a segurar na mão dela, tal como tínhamos combinado! Foram várias as vezes em que ela acordou do seu longo "sono", um pouco agitada (normal, segundo a Enfermeira) e, curioso, sempre que despertou, falava como se ainda não tivesse sido operada. Eu acalmava-a, dizendo-lhe que já estava tudo bem, que a coluna já estava direita. Ela parecia perceber as minhas palavras e voltava a adormecer, exibindo um ar de felicidade, alívio... Mais tarde, verifiquei que ela não tinha dado por nada daquilo, das suas reações, pura e simplesmente não se lembrava. Já fora do período crítico e na posse total de todas as suas faculdades, ao ouvir este relato, a Bea riu. É tão bom vê-la sorrir!!!

sábado, 30 de janeiro de 2016

Fotografias nos Cuidados Intensivos

   E, agora, partilho estas fotografias tiradas nos Cuidados Intensivos. A Bea achou muito engraçado o penteado que lhe fizeram no Bloco.




As primeiras "palavras", ainda nos Cuidados Intensivos

   Ver ali a Bea, assim, silenciosa e quieta deixou-nos um tanto ou quanto perturbados. Contudo, a médica anestesista, ao ver as nossas caras de preocupação/aflição, sossegou-nos, dizendo que a Bea estava bem, que se tinha portado muito bem no Bloco Operatório. Contou-nos que, antes de adormecer, falou um pouco com ela. Tinha-lhe dito o nome e profissões dos pais, o nome do irmão, o que é que gostava de fazer... Tinham, também, falado sobre o aparelho ortodôntico que ambas usam. Aliás, neste ponto, a doutora disse que tivera muito cuidado com a boca da Bea no momento em que a viraram de barriga para baixo.
   A Bea continuava "apagada" e isso estava mesmo a transtornar-nos. A médica percebeu e disse que nos ia mostrar que ela estava mesmo bem. Então, com os dedos dela apertou, de cada lado do pescoço da Bea, sensivelmente na zona abaixo das orelhas, e a Bea abriu os olhinhos. Meteu-nos muita impressão e pedimos para a deixar estar. A doutora, muito querida, disse-nos que não a estava a magoar, só queria que a Bea soubesse que os pais estavam ali junto dela. E assim foi, disse-lhe que nós estávamos ali... Imediatamente falamos com ela, percebemos que ela nos tinha sentido junto de si, que nos ouvira, mas não conseguiu articular uma palavra que fosse, somente uns grunhidos. Tanto sofrimento, meu Deus!!!
   A "luz", naquela longa e dolorosa noite, voltou a acender-se, a Bea tinha dado um sinal e, para nós, aquilo constituía já uma grande vitória. Nós sabíamos que ia ser muito doloroso e que todo este processo seria lento. A doutora ainda nos contou alguns pormenores da cirurgia e disse que este tipo de intervenção faz realmente milagres e que é simplesmente lindo o momento em que a coluna é esticada... A coluna da Bea estava um autêntico S, isso nós sabíamos, por isso conseguimos, mesmo sem termos visto, imaginar esse momento em que a coluna fica direita. É simplesmente maravilhoso e tratando-se da coluna da nossa filha, não conseguimos verbalizar aquilo que nos vai na alma!

domingo, 24 de janeiro de 2016

Nos Cuidados Intensivos...

   Quando contemplamos a Bea deitada naquela cama, passavam alguns minutos das vinte e três horas daquela longa noite de dezoito de setembro de 2015, rodeada por uma série de máquinas às quais estava ligada através de fios e mais fios, as enfermeiras à sua volta a controlar os valores que as máquinas iam ditando, ficamos muito assustados. A Bea sempre foi muito ativa, uma criança cheia de vida e desde que descobriu o gosto pela natação, nunca mais parou... Continuou com a sua dedicação aos estudos, nunca deixou nada por fazer, fosse o trabalho de casa qual fosse, todos eram importantes e todos mereciam a sua dedicada atenção. Posso mesmo escrever "vendia saúde", e era tão bom ver esta energia, alegria pela Vida!!! É curioso, mas é a mais pura das verdades, mesmo quando lhe foi diagnosticado este grave problema de saúde, a Bea não baixou os braços, não se deixou abater e sempre exibiu uma atitude de total confiança em tudo e em todos. Momentos houve em que a encontramos mais introspetiva e muitas vezes nos perguntamos o que é que estaria a passar na sua cabecinha, que pensamentos a atormentavam ... Algumas vezes ela desabafou, outras não.
   Agora, ali estava ela, inerte, completamente alheada do mundo, com os olhinhos completamente cerrados, mas com um ar sereno. Primeiro, o nosso coração bateu aceleradamente, depois sossegou porque a médica anestesista que estava junto dela disse-nos que ela estava bem. Depois choramos... Sempre que recordo este momento, as lágrimas saltam sem pedir qualquer tipo de licença para entrar...
   Sei que estou escrever no blogue da Bea, mas se estou, a seu pedido, a partilhar com vocês, pais, mães, avós..., este momento tão delicado das nossas vidas, não consigo fazê-lo sem mostrar, na realidade, tudo o que sentimos! Peço-vos, também, caso tenham alguma questão que queiram colocar sobre tudo isto e que não foi ou será aqui publicado, não hesitem em comentar e perguntar o que desejarem.

Fotografias nos Cuidados Intensivos

   Deixo-vos com duas das fotos tiradas nos Cuidados Intensivos. A Bea tinha-nos pedido para registarmos em fotos tudo o que fosse possível para depois ela poder ver... Temos poucas fotografias pois o momento não era muito propício para tal atividade, mas chegam para a Bea ver o que não viu enquanto esteve "desligada".




sábado, 23 de janeiro de 2016

Cuidados Intensivos pós-operatório...

   Enquanto não vimos a Bea, não conseguimos sossegar. O médico tinha-nos alertado para o facto de ainda ir demorar um pouco até que ela estivesse pronta para  podermos vê-la, beijá-la, enfim, confirmar que ela estava bem. Foram muitas horas com anestesia geral e isso estava a causar-nos um enorme transtorno emocional, ela estava a "dormir" há já muito tempo, precisávamos estar junto dela e confirmar que o seu coraçãozinho estava a bater na perfeição e queríamos que quando ela abrisse os olhos, nos encontrasse junto dela. A última vez que nos vimos,  choramos e sofremos muito... Ainda hoje, à distância, consigo vislumbrar o medo na face da Bea ao deixar-nos para trás, no momento em que entrou no Bloco Operatório. É uma imagem que dificilmente sairá das nossas memórias, e isto porque a dor por ela provocada nos nossos corações foi de tal forma, que  jamais conseguirá ser apagada!
   Mas tínhamos de ser fortes e passar para a Bea, quando estivéssemos de novo juntos, essa força, sim, ela é que precisaria de TUDO para conseguir enfrentar o longo e doloroso caminho que ainda tinha de percorrer... Não esqueçamos que a nossa Menina tem apenas 12 anos de idade.
   Chamaram-nos! Despedimo-nos dos Amigos que estiveram connosco naquelas longas e dolorosas horas e... entramos nos Cuidados Intensivos. A dor continua a ser imensa e profunda ao lembrar este momento, o momento em que percorremos um corredor, passando por algumas portas, até que ... vimos a Bea. Não consigo, agora, expressar por palavras aquilo que sentimos quando contemplamos a nossa Filha, deitada naquela cama, ligada a máquinas, cheia de tubos, fios e, ainda, com os olhos fechados...
   Continua...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Pós operatório - primeira conversa com o Médico.

   Ao ouvirmos o nome da nossa filha, tudo parou, até mesmo o relógio... Foi uma sensação muito estranha, continuávamos a acreditar que tudo tinha corrido bem e que a Beatriz estaria muito bem. Mas, bem lá no fundo, pairava aquela dúvida, aquele receio de que algo poderia ter corrido menos bem... Sim, menos bem, apenas, porque a nossa filha estar bem, tinha de estar!!!
   Anestesiados, rapidamente ultrapassamos aquela porta e fomos recebidos pelo Doutor, que tinha acabado de operar a Beatriz. O seu semblante era por demais revelador que tudo tinha corrido bem e que ela estava, efetivamente, bem. O nosso coração sossegou, no entanto, os batimentos continuavam acelerados porque estávamos a ouvir falar da Bea, mas não estávamos a vê-la. Ou seja, o tormento ainda não terminara...
    - Tudo correu bem, a Beatriz está bem, acabei de a deixar, estão agora a prepará-la para a trazer para os Cuidados Intensivos. A Beatriz já está toda ESTICADINHA. - disse o Doutor.
   Achei delicioso o vocábulo que o doutor usou para definir o novo estado da nossa filha - "esticadinha". E era isto mesmo que todos nós queríamos, isto é, que aquela coluna que cresceu torta ficasse direita, esticada...
   As nossas preces tinham sido ouvidas e, mesmo ainda não estando junto da Beatriz, conseguimos, por momentos, sossegar um pouco os nossos corações... Ficamos muito emocionados, agradecemos ao doutor e juntamo-nos, novamente, a uns Amigos que nos tinham feito companhia naquelas longas e dolorosas horas de angústia e de espera. Contamos as novidades e ficamos felizes! Depois, por telefone, contamos as novidades a familiares e amigos que, em casa, sabíamos, estavam a torcer pela Beatriz.
   Próxima etapa: ver, tocar na Bea!