quinta-feira, 31 de março de 2016

Conhecer Haatchi e Owen

    Fiquei encantada quando recebi um convite do Hospital dos Lusíadas para assistir a uma sessão de autógrafos com Haatchi e Owen, nem queria acreditar. Já conhecia a história destes grandes amigos, a forma como se conheceram e que até já tinham estado em Portugal. Parecia mentira que eu iria ter o privilégio de estar junto deles e poderia ficar com um livro autografado com aquele delicioso carimbo que Owen usa para o fazer.
    Como não tinha aulas à tarde, calhou ainda melhor a data que estipularam para esse efeito - dia 16 de outubro, à tarde. Cheguei cedo ao Hospital pois não queria perder nada do encontro. Já tinha dito ao meu pai que queria que me comprasse o livro que relata a história deles, mas nem isso foi necessário, pois quando entrei na sala tinha um exemplar do livro à minha espera, na cadeira onde me sentei.
    Adorei ouvir Owen e ver aquele cão tão fofo. Foi mesmo muito ternurento!
    O livro devidamente autografado está numa das estantes do meu quarto. Adoro-o!

quarta-feira, 30 de março de 2016

Primeiros dias na Escola

    O primeiro dia correu bem, fiquei a conhecer alguns dos meus professores e fiquei a conhecer a minha turma. Um dos colegas tinha andado comigo no sexto ano e também nada no meu Clube de Natação. Todos os outros eram desconhecidos e muito deles portavam-se mal na sala de aula. No início assustei-me um pouco, depois comecei a achar piada a alguns dos comportamentos dos meus colegas. Muitos alunos da turma já eram repetentes.
    Logo no segundo dia de aulas, para mim, claro, foi dia de visita de estudo. Mais uma preocupação  para os meus pais, receavam que eu não aguentasse, tendo em conta que seria o dia todo. Eu estava com vontade de ir  e disse-lhes isso mesmo e que aguentava. Pois bem, a vontade era muita, mas não aguentei. Logo de manhã, a saída implicava um percurso a pé. Foi demais para mim, por isso telefonei ao meu pai para me ir buscar. O resto da semana decorreu normalmente. Tive de estudar muito para recuperar os conteúdos já lecionados e, na disciplina de Matemática, teria teste logo no início da semana seguinte.
    E a vida começou, então, a entrar nos eixos... Contudo, faltava uma coisa muito importante para mim:
    - A natação...

terça-feira, 29 de março de 2016

Regresso à escola.

    Ouvir o doutor dizer que eu podia regressar à Escola fez-me sentir muito bem. Confesso que já estava cansada de estar em casa e, por outro lado, iria iniciar o terceiro ciclo numa nova escola. Seria tudo novo para mim, estava mesmo ansiosa para começar e conhecer tudo. Antes da consulta terminar, a minha mãe ainda perguntou ao médico se não havia nenhum problema, por exemplo, com um possível encontrão de um colega, ou coisa do género. O doutor tranquilizou-a, dizendo que não havia qualquer tipo de problema.
    Rapidamente o dia doze de outubro chegou, depois de um fim de semana em que todos estávamos um bocadinho nervosos, pois seria o início de uma nova vida, agora que tinha, também, uma coluna nova. Até esse dia tinha estado mais em casa, um passeio ou outro no Centro Comercial, mas sempre muito rápidos, pois cansava-me depressa. Segunda-feira, levantei-me faltavam dez minutos para as sete, as aulas começavam às oito.
    Como era o meu primeiro dia escolar, e tendo em conta a minha situação, os meus pais pediram para entrar comigo na escola para me acompanharem até ao bloco onde iria ter a primeira aula. O senhor que estava ao portão foi muito compreensivo e permitiu a entrada deles. A Escola é muito grande e a sala onde eu iria ter a primeira aula ficava precisamente numa das extremidades daquele recinto escolar. Quando lá chegamos, a minha mãe falou com a funcionária que estava naquele Bloco e explicou-lhe a minha situação. A senhora foi muito atenciosa e logo sossegou a minha mãe dizendo que ela me ajudaria no que fosse necessário.
    A seguir foi o momento doloroso para todos: a despedida. Mas tinha de ser, a vida tinha de continuar...

segunda-feira, 28 de março de 2016

Ponto de situação... e a cicatriz.

    Nesta nova consulta, o doutor viu o RX que tinha feito antes de entrar no consultório. Estava tudo bem com a coluna e com o material e perguntou-me como é que eu me sentia. Respondi que estava bem, mas custava-me muito encostar-me. Viu a cicatriz e disse que aquela sensação iria melhorar com o tempo. Aconselhou massajar a cicatriz com um creme que ajuda na cicatrização, ajudando, inclusive, na diminuição da sua largura. A cicatriz é muito extensa e há zonas em que quase é impercetível, mas, por outro lado, zonas apresenta em que a sua largura é substancial. Isto acontece, principalmente, nas extremidades. Em cima, está um pouco mais larga, mas não me incomoda muito, já em baixo, para além de larga, está um pouco volumosa. Esta parte é onde assentam todas as costuras da roupa, por isso devem imaginar o que tenho passado. Aliás, já tive de mudar de calças algumas vezes porque não as consigo aguentar na cintura, precisamente na zona da cicatriz.
    Nesta consulta, o doutor referiu que a postura que eu apresentava entretanto só ficaria totalmente direita com a minha ajuda. Os meus pais tinham apresentado esta dúvida ao doutor porque tinham constatado que eu continuava um pouco inclinada para um dos lados. Tinha sido muito tempo com essa postura incorreta, fruto da acentuada curvatura que eu tinha na coluna, mas agora eu é que teria de fazer o resto. Foi complicado, porque mesmo estando um pouco torta, eu sentia que estava direita. Mas, claro, prometi ao doutor que ia melhorar a minha postura. E é o que ainda continuo a fazer.
    No fim da consulta o doutor deu-me alta/autorização para regressar à Escola, fiquei tão feliz... Quanto à natação, só em novembro...

sábado, 26 de março de 2016

Mais uma consulta

    Hoje, em conversa com o meu pai, lembrei que ele tem registado na sua agenda todas as datas relativas a tudo o que se tem passado comigo. Aliás, o meu pai assinala na sua agenda tudo, quando nós precisamos de saber alguma data é só perguntar-lhe. Entretanto, até a minha mãe que sempre disse que não precisava de agenda pois conseguia reter tudo na memória, acabou por se render ao uso deste livrinho. Assim, pedi ao meu pai a sua agenda e fiz o levantamento de todas as datas que me diziam respeito.
    Relativamente à mudança do penso, a mesma foi efetuada no dia vinte e cinco de setembro e retirado definitivamente no dia dois de outubro. No dia seis deste mesmo mês, tive consulta de ortodôncia para realizar a revisão mensal do meu aparelho. Os dentes já estão melhores, já estão a posicionar-se no sítio onde deveriam ter estado sempre. Possivelmente o que fez com que isto não acontecesse foi o facto de ter adorado, e muito, a minha querida chuchinha. Até larguei a chupeta relativamente cedo, pouco depois de ter feito os meus três aninhos, mas os meus pais dizem que enquanto eu andei com ela, chuchava com tal força que, de noite, eles ouviam, no seu quarto, o meu chuchar. Resultado: maxilar superior saído, apresentando um bocadinho "dentes de coelho". Como já disse, estão melhores, mas ainda tenho muitos meses pela frente para exibir um autêntico sorriso metálico. Confesso-vos que já estou farta do aparelho, há dias em que me apetece arrancar todas as pecinhas que o constituem... Mas sei que não devo e também tenho os meus pais logo a dizer que é para o meu bem e que o tempo até está a passar depressa e que se aguentei até agora, também aguento mais alguns meses, ou melhor, muitos.
    No dia sete de outubro de 2015, mais uma consulta, desta feita para o doutor rever a minha nova coluna.

Impressionada com a cicatriz...

    Mais uma etapa concretizada nesta minha longa saga: ter as minhas costas totalmente libertas de pensos. Isto sabia bem, mas, por outro lado, sentia-me agora mais frágil, é como se a minha coluna estivesse mais exposta. A partir deste dia começariam novos problemas para mim...
   Comecei a dar comigo a cismar com a cicatriz e, também, com o material cirúrgico que se encontrava por baixo dessa cicatriz. A Enfermeira que me tirou os pontos disse para a minha mãe espalhar, massajando, um creme gordo na cicatriz para ajudar a cicatrizar. Pois bem, este momento passou a ser um tormento para mim, metia-me  muita impressão tocarem-me na cicatriz. Mesmo no banho, só passar a esponja nas costas constituía, também, um autêntico massacre. Passei a ficar muito nervosa sempre que sabia que me iriam mexer nas costas. Não era só na zona da cicatriz que me doía, todas as partes das costas doíam, metiam impressão... Em algumas zonas, o deslizar de um dedo parecia uma faca a cortar, noutras zonas sentia outra coisa estranha, parecia borracha...
    Como se não bastasse tudo isto, comecei a meter na cabeça que o material que segura a minha coluna podia saltar, deslocar-se. Várias foram as vezes em que disse aos meus pais que sentia um parafuso aqui, outro acolá... Os meus pais tudo fizeram e disseram para me sossegar, para me tirar aquelas ideias da cabeça. Por vezes senti-os completamente desnorteados em busca das melhores palavras para me acalmar... Foi um período ainda relativamente longo que dediquei a este tipo de pensamentos. Depois da queda que relatei num dos posts anteriores, confesso, fiquei um pouco mais confiante. Nada saltou, e tudo continua no seu devido lugar!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Primeiro RX pós operatório

   Olá!
    Acabei de reler algumas das minhas publicações e verifiquei que o primeiro RX que tirei depois da cirurgia e que coloquei num dos posts anteriores não aparece. Não sei o que aconteceu, de qualquer forma já regularizei a situação e esse RX já se pode ver...

             A todos os meus Leitores, desejo uma Páscoa Feliz!
      
                                                      Bjs

quinta-feira, 24 de março de 2016

Os pontos e o penso!

    Os dias que precederam o dia em que tiraria os pontos foram relativamente bem passados no que toca a dores. O médico tinha receitado uns comprimidos para as dores, em SOS, mas eu continuava a ser muito resistente à dor. Confesso que tive algumas, mas que se toleraram bem. O que me incomodava mais era o penso que me fazia uma comichão daquelas, daquelas que até dava vontade de arrancar aquilo tudo. Mas sabia que não podia!
    Chegou o dia de me tirarem aquilo tudo... Estava um pouco nervosa, não só porque estava com receio de que doesse, mesmo sabendo que os pontos que estavam a fechar a minha cicatriz eram pensos autocolantes. Mesmo assim, estavam colados e isso fazia-me um pouco de impressão porque o corte ainda me doía. Para além desses pontos autocolantes, tinha um ponto de fio para fechar o buraquinho feito pelo dreno, que tinha sido colocado ao lado do corte, ao fundo das costas.
    Enquanto estava à espera que me chamassem, vi outros jovens à espera de consulta. Lembro que, ao olhar para eles, senti um grande alívio e muita alegria por saber que eu já tinha passado aquilo que provavelmente alguns deles iriam passar, ou seja, a cirurgia. Por momentos, voltaram a desfilar na minha cabeça alguns dos momentos mais marcantes de todo este processo que ainda continuo a viver. Se me perguntarem qual foi o pior, direi que não sei responder, cada pequeno momento constituiu um grande sofrimento, apesar de eu não ter exteriorizado muito. Sou mais de guardar para mim este tipo de sentimentos...
    Quando me deitei para a Enfermeira me tirar os pontos, comecei a tremer de nervos. Custou só um bocadinho...

quarta-feira, 23 de março de 2016

A minha nova vida!

    Olá, queridos leitores!
   Se calhar já estavam a pensar que tinha abandonado este/nosso blogue! Claro que não, mas os trabalhos e testes na escola absorveram-me, por completo, todo o tempo. Já vos disse que sou uma aluna aplicada e, antes de tudo, está a escola. Continuo a dar o melhor de mim em tudo...
    Ao escrever a última frase do parágrafo anterior, chegou-me um bocadinho de tristeza! Sim, eu continuo a dar o melhor de mim em tudo, e este "tudo" inclui a natação. Como já vos disse anteriormente, eu já estou a nadar, mas continuo com muitas limitações: não posso fazer a cambalhota nas viragens e não posso saltar. Tudo isto faz com que não consiga dar o meu máximo nos treinos e isso deixa-me muito triste. O treinador, mas principalmente os meus pais, animam-me e dizem-me que melhores dias virão e que eu vou conseguir. Os meus pais continuam a ser o meu porto de abrigo, não me deixam desmotivar, muito menos desistir dos meus objetivos e, como eles próprios dizem, para a frente é que é o caminho e melhores dias virão. Eu sei que é e tem de ser mesmo assim, mas já lá vão seis meses de cirurgia, são muitos dias, e ainda não sei quantos terei pela frente - tenho consulta em abril... - sem fazer aquilo que eu adoro, ou seja, NADAR em competição. Isto foi só mais um desabafo!
    Voltando à parte em que estava no post anterior, relativamente à minha nova vida, a minha felicidade continuava a ser imensa por ter voltado para a minha casinha. O penso que tinha nas minhas costas é que me incomodava. Era um penso próprio para poder tomar banho, mas no segundo banho que tomei com ele, descolou. Fui fazer novo penso que durou até o dia em que tinha de voltar ao Hospital para o tirarem definitivamente. No dia em que fui ao Hospital para o tirar, mais ou menos uma semana depois de ter feito o penso, confesso que estava um pouco nervosa, a cicatriz estava a causar-me muita confusão, juntamente com o material que eu sei que  está lá dentro...

sábado, 5 de março de 2016

Em casa...

    Já em casa, surgiu o primeiro obstáculo: subir escadas. Mas, devagar, devagarinho, lá subi os meus primeiros degraus após a cirurgia que me tratou a grande escoliose que eu tinha.
    Ao jantar, poder comer uma comidinha feita pela minha mãe foi, simplesmente, divinal. Como já passou algum tempo, não me recordo o que comi, no entanto, sei que me soube muito bem porque a minha mãe sabe o que eu gosto, adoro e o que eu não consigo mesmo comer. Admito que sou um pouco esquisita no que toca à alimentação...
     A primeira noite na minha caminha também foi maravilhoso, não há como a minha cama! Assim, o meu primeiro soninho após a cirurgia foi uma beleza. 
   Relendo estas palavras acabadas de digitar, verifico que escrevi muitas vezes "primeiro", "primeira". É verdade, sinto como se estivesse a iniciar uma nova vida e, como tal, tudo o que faço com a minha nova coluna é completamente NOVO.
    Antes de sair do hospital, fizeram-me o penso. Estava tudo bem!

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Alta do Hospital

    A noite de vinte e um de setembro para vinte e dois foi relativamente calma, consegui descansar como já há algum tempo não fazia. Fiquei, também, feliz porque estando eu melhor, a minha mãe também conseguiu descansar um pouco. Lembro que, antes de adormecermos, ainda falamos sobre a possibilidade de sairmos no dia seguinte, ou seja, termos alta do Hospital. É curioso estar a usar a primeira pessoa do plural, mas foi isso mesmo que aconteceu: nós as duas entramos juntas naquele hospital e íamos também sair juntas. Claro que a esta nossa dupla junta-se o meu pai que esteve sempre presente, só não dormia connosco porque não podia.
    Fazendo o balanço deste período difícil das nossas vidas: o tempo até passou rápido tendo em conta tudo aquilo por que passei nos dias em que estive internada. A minha vida deu uma volta completa, e sabia que agora iria iniciar uma nova vida. É isso mesmo, uma nova vida! Antes da cirurgia não podia já fazer algumas coisas, agora, pós cirurgia continuam a existir "coisas" que eu nunca mais poderei fazer. Estas restrições magoam... Eu queria nadar todos os estilos sem qualquer tipo de restrição! Certamente estão lembrados, eu sou nadadora de competição...
    No dia vinte e dois de setembro, a meio da tarde, deixei o Hospital onde fui tratada de forma excelente. Aliás, tenho mesmo de deixar aqui um agradecimento profundo a todos aqueles que de mim trataram, foram todos incansáveis e maravilhosos. Muito Obrigada!
    Como ainda me custava andar, fui levada numa cadeira de rodas até ao carro que me transportaria até casa. Apesar das dores que o transporte me causou, foi enorme a minha alegria ao deixar para trás o Hospital e regressar à minha bela casinha. Estava um dia lindo de verão, apesar de já ter começado o outono.
    A viagem correu bem e cheguei bem a casa...

Apontamento sobre o primeiro raio-x pós operatório

   Olá!
   Não escrevi nada durante esta semana porque olhar novamente para a imagem da minha nova coluna voltou a mexer comigo. Quando a vi no hospital, lembro-me de não ter sentido nada de especial, ainda estava um pouco tonta dos acontecimentos e do sofrimento dos dias anteriores. Recordo a reação dos meus pais, senti que ficaram um pouco estranhos e até assustados.
   Agora, reconheço que continua a ser uma imagem que não me agrada muito, no entanto já aprendi a aceitá-la. E é relativamente fácil explicar isto: nunca vou esquecer a coluna que tinha antes da cirurgia, era uma coluna feia porque estava torta. Se aquela curvatura fosse só interna, ou seja, se só se conseguisse ver em raio-x, tudo estaria mais ou menos bem, mas não, a curvatura foi-se tornando visível para quem olhava para mim e, mesmo não me conhecendo de lado nenhum, houve pessoas que ficaram com uma cara de quem estava a olhar para uma "coisa do outro mundo". Aliás, cheguei mesmo a comentar isso numa das minhas publicações anteriores. As pessoas não conseguiam esconder o seu "espanto" quando olhavam para mim... Com o avançar do tempo e de forma rápida, a minha coluna foi inclinando um bocadinho todos os dias.
   Não se podia esperar mais, por isso submeti-me à cirurgia que me deixou com duas barras na vertical, catorze parafusos e o mesmo número de porcas... E é esta a minha nova coluna!

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Primeiro raio-x pós operatório - Escoliose infantil

   Olá, Queridos Leitores!

   Já agradeci à minha mãe o excelente trabalho que fez neste meu/nosso blogue. Entretanto, estive a reler os textos publicados e cheguei à conclusão que ter passado o teclado à minha mãe foi uma boa ideia, pois assim ficaram com duas visões diferentes de tudo o que me tem acontecido. Estive sempre presente nos momentos em que a minha mãe escreveu. Apesar de já conhecer tudo aquilo que ela aqui vos contou, pois quis logo saber tudo ao pormenor, mal me senti com forças para tal, ainda assim, gostei de relembrar tudo! Ver escrito tudo o que me aconteceu acaba por ser também diferente. Estou a ver que tenho aqui parte da história da minha Vida...
   Para assinalar o meu regresso à escrita, deixo-vos, agora, com a imagem do primeiro raio-x da minha coluna após a realização da cirurgia. Quando vi a minha "nova coluna", fiquei muito impressionada...



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Primeiro penso e resultado das análises

   Custou um bocadinho a fazer o penso, mas a Bea acabou por se sentir um pouco mais leve e fresca.
   Por volta das onze, o doutor veio vê-la e disse que as análises tinham revelado valores satisfatórios. Apesar de ainda não apresentar os valores normais, a medula iria acabar por fazer o resto...
   O dia lá foi passando, relativamente bem e sempre bem disposta. Agora, queria ir para casa.
   À tarde, fez o primeiro raio x pós cirurgia. Foi levada numa cadeira de rodas, e a Bea até se divertiu.

   E eu, mãe da Bea, despeço-me e deixo-vos agora com ela... Fiquem bem e Muita Saúde para todos!!!

   - Bea, toma lá o teclado e continua a contar a tua história!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

A transfusão de sangue.

   E o sangue continuou a correr durante cerca de quatro horas. A noite chegou e, com ela, chegaram dores insuportáveis à Bea. Por volta das duas e meia da madrugada, a Bea fez aquilo que era muito raro fazer: chorar. Estava cheia de dores e disse-me que já não aguentava mais... E as lágrimas correram abundantemente pela sua carinha.
   Rapidamente chamei a Enfermeira que lhe pôs a correr no soro um medicamento que, apesar de demorar um pouco a fazer efeito, iria acabar por aliviar as suas dores. Queria mexer-se, mostrou-se muito inquieta, não tinha posição para estar, e continuou a chorar. Por volta das quatro e meia, começou a acalmar, até que acabou por adormecer.


   Dia 21 de setembro de 2015
   Acordou cedo, ainda não eram oito. Estava calma e apresentava já uma outra carinha, estava sem dores e começou a sorrir. Tomou o pequeno almoço, estava com apetite. Algum tempo depois, mais uma tortura: tirar sangue para análise para ver como estava a anemia...
   A seguir, levantou-se para ir ao WC. Inicialmente, sentiu-se um pouco tonta, começou a transpirar, mas aguentou-se. Apesar de tudo isto, a Bea estava feliz e dava para sentir que dela irradiava uma serenidade que me ajudou também a serenar.
   Com a ajuda de uma auxiliar, dei banho à Bea. Ela queria, tinha muita vontade de lavar o cabelo, mas achamos que era melhor não o fazer, pois era a primeira vez, a sério, que ela estava mesmo de pé e não se podia abusar da sorte.
   Depois do banho, o Enfermeiro fez-lhe o penso.


Anemia... pós operatório

    Depois do grande susto provocado pela indisposição, quase desfalecimento da Bea, eis que chegou o resultado das análises. Estava com anemia. De imediato nos foi dito que há quem consiga repor os níveis de sangue no período que se segue à cirurgia, contudo, e a Bea era um desses casos, há também aqueles que não conseguem fazê-lo, tendo, por isso, necessidade de levar uma transfusão. 
    Nesta cirurgia perde-se muito sangue, daí já estarem preparados para este tipo de ocorrência. Aquando do internamento da Bea, um dos documentos que tivemos de assinar foi precisamente uma autorização para se proceder a uma transfusão de sangue, caso fosse necessário. Não demorou muito a trazerem o sangue que iria ajudar a Bea a recuperar. Confesso que me impressionou ver todo este quadro que se seguiu. No entanto, sabia que para a Bea ficar bem tinha de passar por tudo aquilo.
    E o sangue começou a correr...
    A Bea continuava muito "apagada", dormia, dormia, era nítido que se encontrava totalmente sem forças... A sensação foi de, por momentos, ter perdido, novamente, a minha filha. Ela estava ali, mas ao mesmo tempo não estava! Foi mais um momento muito doloroso...



quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Tensão baixa... pós operatório.

   Depois de alguns segundos em pé, a Bea deu dois ou três passos... Vê-la andar, mesmo tendo sido tão pouco, era já uma grande vitória! Depois da cirurgia a que tinha sido sujeita, mesmo não querendo pensar, o pensamento insistia em não deixar desaparecer aquela ideia de que algo poderia ter corrido menos bem. Mas não, tinha corrido tudo bem e tudo estava a funcionar bem no corpo da Bea. Tudo, exceto a tensão que continuava muito baixa.
   Ainda antes do almoço, tiraram-lhe sangue para análise. Mais uma picada de uma agulha, contudo a Bea continuava a aguentar tudo, quase sem queixas. Continuava a impressionar-nos com a sua atitude, nada de choraminguice, suportava bem a dor, enfim, uma autêntica heroína. O almoço deste dia agradou  e Bea comeu relativamente bem.
   A tarde chegou e com ela a Bea foi esmorecendo. Começou a dormitar e a ter dificuldade em ter os olhos abertos durante muito tempo. Ao final da tarde, acordou e pediu para se levantar para ir ao WC. Sentiu-se muito mal, ficou muito pálida e chegou mesmo a revirar os olhos. Depressa foi deitada novamente e controlada a tensão, verificou-se que a tensão tinha baixado ainda mais.
   O sangue que lhe tinham tirado para análise antes do almoço, segundo o laboratório, não era suficiente, por isso, pediram mais. Lá veio a Enfermeira para picar, outra vez, o braço da Bea para recolher mais sangue. À primeira tentativa, não saiu sangue. Voltando a espetar noutro sítio, lá saiu uma pequena quantidade de sangue que daria para fazer a análise pretendida. Tudo isto a Bea aguentou sem queixas.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

E cresceu...

   Nós, pais, não tínhamos palavras para descrever aquilo que tínhamos diante dos nossos olhos, era como se a Beatriz nascesse de novo! Aquela cama, finalmente, libertou-a e essa libertação só foi possível mediante a intervenção daquelas mãos milagrosas do médico que estava a tratar a Bea. Naquele momento, nós não pudemos fazer nada, apenas contemplar aquela maravilha! O doutor fez tudo e, quando segurou as mãos da Bea para a ajudar a levantar, o milagre concretizou-se: lentamente ela levantou-se e foi crescendo, crescendo...
   É verdade, lembro-me de ter proferido o seguinte:
   - Bea, para lá de crescer! Daqui a nada estás mais alta do que eu...
   Ela estava mais alta e o facto de não a ver em pé já quase há dois dias, fez parecer que ela estava ainda mais alta... Mesmo estando ainda presa às máquinas, às agulhas - entretanto, o doutor já lhe tinha tirado o dreno e o enfermeiro a algália - a minha pequenina tinha acabado de fazer um pequeno voo e... estava ESTICADINHA!
   Não é por acaso que volto a escrever este vocábulo, agora em maiúsculas... Se bem se lembram, foi esta palavra que o doutor empregou para nos dizer como é que estava a Bea depois de ele a ter operado... É, certamente, uma palavra que ficará para sempre guardada no nosso coração!!!
   No entanto, a tensão continuava baixa...

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Escoliose pós cirurgia - Bea cresceu...

  Ainda antes de dormir, a Bea teve de passar por outra aventura. Ela continuava a queixar-se que a algália lhe provocava dores e, agora, também sentia a bexiga cheia e, por isso, vontade de urinar.  Eu dizia-lhe que isso não podia ser, se estava com algália, a urina saía sem ela dar por isso. A Bea manteve a sua versão e disse isso mesmo a um dos médicos que lá foi vê-la. A Enfermeira averiguou a situação, ou melhor, testou se realmente a urina estava a sair ou não. E isto porque, entretanto, eu controlei o volume da urina no saco e, passadas algumas horas, confirmei que o volume continuava o mesmo e a Bea a dizer que estava com muita vontade de urinar. Queixou-se um bocadinho do teste que a enfermeira teve de realizar, mas lá passou. A urina começou a correr fluidamente e a sensação de desconforto que ela dizia sentir, passou. De qualquer forma, continuava a dizer que a algália lhe doía.
   Logo nas primeiras horas da manhã do dia vinte, o pai da Bea juntou-se a nós para, todos juntos, passarmos mais uma odisseia. A noite, para ele, também tinha sido complicada, sozinho, em casa, sem nós. Por volta das doze horas e vinte minutos, fui almoçar. Como não conseguia estar muito tempo longe da Bea, depressa despachei a minha refeição. Estando eu já a caminho do quarto, recebo uma mensagem do meu marido a dizer que o doutor estava  junto deles, e que a Bea ia realizar a grande aventura daquele dia, senão mesmo, a grande aventura dos últimos tempos: ia levantar-se. Eu já estava mesmo na entrada que dava acesso ao quarto, foi uma questão de segundos. Nem imaginam a minha alegria quando, ao abrir a porta, me deparo com a imagem mais linda, encantadora dos últimos tempos, a minha filha estava sentada na cama para, de seguida, crescer!!! É isto mesmo, literalmente, a Beatriz levantou-se e cresceu...




  

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Morfina - efeitos secundários


Esqueci de referir que, no final da tarde do dia dezanove, por volta das dezoito horas, a Bea revelou-se mais inquieta e disse que estava a ficar muito indisposta. Logo a seguir, voltou a vomitar, desta vez um líquido amarelo.

Este início de manhã do dia vinte de setembro de dois mil e quinze não passaria sem antes provocar mais um valente susto. Já durante a noite, a Bea se tinha queixado de um ligeiro formigueiro nos dedos da mão. Inicialmente, pensei que fosse da posição em que se encontrava há já largas horas e tentava sossegá-la dizendo-lhe isso mesmo. Contudo, de manhã, o formigueiro foi-se acentuando até que a Bea afirmou que já não sentia uma das mãos e que o adormecimento já ia a meio do braço.

O pânico instalou-se, vi que ela estava também com um ar preocupado. Rapidamente, fui chamar o Enfermeiro que, num ápice, se colocou junto da Bea. Eram os efeitos secundários da morfina que continuava a ser injetada para aliviar as dores. Perante estes sintomas, a medicação teve de ser reajustada, a morfina não podia continuar…

Fiquem, agora, com esta fotografia.





quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Escoliose: Novo dia pós cirurgia...

   Vi a noite dar lugar ao dia... Apesar de nada poder fazer para tirar a Bea daquela situação, passei a noite a vigiá-la, o seu ar tão delicado quando estava com os olhinhos fechados a descansar um pouco daquele tormento, ou, então, vê-la um pouco desperta  para se queixar que tinha dores, não me permitiram fechar os meus olhos para descansar. Verifiquei que, em momentos como estes, vamos buscar forças sabe-se lá onde, para não permitirmos que algo de errado possa acontecer. Quando a tensão baixava muito, a máquina dava sinal e isso afligia-me...
   A manhã instalou-se, mais um dia quente de final de verão, aliás, no dia seguinte começaria o outono. A Bea tomou o pequeno almoço - leite com chocapic (únicos cereais que ela gosta). Foi tão bom contemplá-la a comer! Se já tinha algum apetite, interiorizei que o pior já tinha passado e que agora era só recuperar as forças para poder sair daquela cama que continuava a prender a minha pequenina com todas as forças... Ela não conseguia mexer-se, continuava deitada de costas, os tubos ligavam-na às máquinas, as agulhas continuavam espetadas, a algália incomodava-a, e muito... Enfim!!!
   Deram-lhe banho na cama, sentiu-se um pouco mais fresca. Contudo, mesmo tendo mexido nela com todo o cuidado e carinho, queixou-se com dores. Ouvi-la dizer que tinha dores deixava-me triste, angustiada e, também, frustrada porque eu não podia fazer nada para reverter aquela situação.
   O tempo foi passando e a Bea pediu para ligar a televisão. Conseguia ter os olhos abertos, ia mudando de canal à procura de programa que lhe interessasse, ia conversando... Lembro-me de termos comentado o facto de o pior já ter passado, aquelas longas horas no Bloco Operatório, "desligada" de tudo, já eram passado! Agora, encarar o futuro com muito otimismo...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Primeira noite no quarto...

   A tarde deu lugar a uma longa noite! O controle por parte dos enfermeiros e dos médicos era constante, todos zelavam pelo bem estar da Beatriz. Se durante o dia ela dormiu, a noite não foi diferente. A tensão continuava muito baixa, por isso foram reajustando a medicação, controlando todos os níveis e iam-me informando sobre tudo o que estava a acontecer. Sempre me tranquilizaram relativamente a cada alteração de valor que as máquinas transmitiam, eu confiava em tudo o que me diziam, mas, lá no fundo, o meu pânico era mais que muito! A Beatriz, de vez em quando, abria os olhos, mas era um despertar um tanto ou quanto estranho, ela continuava alheada do que lhe estava a acontecer, e isto, sim, causava-me muita impressão. Continuei a rezar muito e a pedir que tudo corresse bem com a minha pequenina...



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Tensão baixa... sofrimento!

   A tarde foi passando e para não incomodar a Bea, todos nós falamos baixinho. Entretanto, chegou o lanche, contudo a Bea não deu por esta refeição, pois dormia, dormia... As visitas deixaram o quarto, a Bea "continuava" desligada" do real.
   À medida que as horas iam avançando, verificamos que cada vez mais os sonos eram ininterruptos e a cor facial da Bea estava a mudar. Estava branca, um tom avermelhado dos lados do nariz e, às vezes, parecia que tinha a cara inchada. Os enfermeiros, como sempre, foram incansáveis e vinham ver como é que ela estava. A tensão começou a apresentar valores muito baixos - 7/4, 6/4 - e ela continuava a dormir... Esta situação começou a deixar-nos muito preocupados, o que é que se estava a passar?! Entretanto, começou a vir ao quarto o médico de serviço para ver como é que ela estava. Foi-nos, então, dito que a medicação estava a ser reajustada e que na epidural que a Bea ainda tinha, continuava a correr um preparado que continha morfina. Ela precisava de morfina para poder aguentar as dores...
   Estes momentos foram muito difíceis para nós, sentíamo-nos impotentes pois tínhamos que aceitar o que nos era dito e confiar que todos sabiam o que estavam a fazer. No entanto, contemplar a Bea naquela cama, com uma carinha que já não correspondia àquela que nós estávamos habituados, muito parada... Ainda hoje dói, e muito, relembrar estes momentos!
   Num dos lados da sua cama, estavam pendurados dois "recipientes": um que recebia os restos da cirurgia e o outro para onde seguia a urina proveniente da algália que tinham colocado na Bea, na sala de operações. Contemplar estes líquidos também não foi nada fácil, era demasiado material ligado à Bea: drenos, tubos, agulhas, máquinas, ...
   Fiquem, agora, com mais uma fotografia...


domingo, 7 de fevereiro de 2016

O regresso ao quarto...

   A Bea estava bem disposta quando deixou os Cuidados Intensivos, sair daquele lugar deu-lhe um novo alento, pelo menos para já... Durante a "viagem" brincamos com ela e ela divertiu-se um pouco. Esta "viagem" foi feita na sua cama, tendo sido a mudança para esta muito dolorosa, apesar de todo o cuidado e carinho com que os enfermeiros o fizeram. Mas, como sempre, a Bea mostrou-se uma autêntica guerreira e tudo o que sofreu, sofreu baixinho ou guardou mesmo para si...
   Nos Cuidados Intensivos não havia luz natural, então, chegar ao quarto e ter aquelas enormes janelas a deixar entrar o sol maravilhoso que brilhava lá fora, deu a todos nós uma lufada de esperança de que o pior já tinha passado. Mas não...
   A tarde foi passada a dormir, sendo intervalada por breves momentos em que ela abria os olhinhos para ver o que se estava a passar, mas completamente alheada da verdadeira realidade, pois das poucas vezes em que falou, das poucas palavras que conseguiu proferir, ela pensava que já tinham passado três dias da cirurgia. Estava completamente perdida no tempo... Continuava com muita medicação, destacando-se a morfina que continuava a correr no sangue para atenuar as terríveis dores que ela tinha. Os enfermeiros estavam sempre no quarto para verificarem os valores que as máquinas iam ditando e diziam isso mesmo, isto é, que aquele tipo de cirurgia provocava dores terríveis. Custava muito ouvir isto, mas nós compreendíamos que assim fosse. A Bea tinha sido cortada de cima a baixo, conseguíamos ver os pensos e, se a isto juntarmos o facto de ela ter a coluna cheia de material cirúrgico, torna-se fácil calcular o seu enorme sofrimento...
   Às quinze horas chegaram as suas primeiras visitas, alguns familiares. Ficaram impressionados com o que encontraram... A Bea acabou por não dar pela presença deles, ela dormia, dormia e mesmo quando abria os olhos, ela não "estava" mesmo lá...

Dos Cuidados Intensivos para o quarto...

   E a manhã passou... Na hora de almoço serviram uma refeição à Bea, mas ela não tinha nenhum apetite. Nós ainda insistimos para que ela comesse, mas sem resultado, ela sentia-se agoniada e não conseguia comer. Apesar de estar com soro, ficamos preocupados pois já há muitas horas que ela não metia nada à boca. A muito custo, lá conseguiu beber o sumo de pêssego, que é o seu preferido, aliás é o único que ela bebe, e comeu um bocadinho de pera. Eis uma fotografia do primeiro almoço...






   Por volta das catorze horas, depois de lhe terem dado uma injeção na barriga - que eu não consegui ver, tive que me afastar, impressiono-me muito facilmente com este tipo de coisas, ainda mais na minha filha - teve alta da Unidade de Cuidados Intensivos.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Antes de eu adormecer... Anestesia!

   Olá!
   Vou, então, contar-vos tudo o que aconteceu desde que entrei na sala onde fui operada. Deixar os meus pais custou-me muito, vê-los a ficar para trás deixou-me muito triste e com muita vontade de chorar... Mas sabia que eles não podiam estar comigo, por isso tive mesmo de me acalmar!
   Quando entrei na sala de operações, fiquei assustada com todo aquele ambiente, máquinas por todo o lado, ferramentas (acho que posso chamar assim) para fazer a operação e, no meio da sala, uma espécie de mesa onde me deitaram. Havia, também, muitas pessoas vestidas com batas verdes, eram médicos e enfermeiras. A médica anestesista veio logo ter comigo e foi muito simpática, ajudou-me a ficar mais à vontade. Falamos sobre muitas coisas: os meus pais, o meu irmão, onde é que morava, o meu aparelho ortodôntico, aparelho este que a médica também usava, entre outras coisas. Ah, ela contou-me que também tinha escoliose, mas como era muito ligeira não foi preciso operar. Disse-me que tudo ia correr bem e que eu ficar com a coluna direitinha. Também vi expostos os RX da minha coluna, estavam com uns riscos desenhados...
   Passados alguns minutos, não sei dizer se foram muitos ou poucos, viraram-me de barriga para baixo, tendo ficado com a cara encaixada numa espécie de almofada, redonda, com um buraco no meio. Quando me vi naquela posição, fiquei muito aflita pois meti na cabeça que eles já me iam cortar e eu ainda estava acordada. Depois, aconteceu uma coisa muito estranha: eu queria dizer a quem estava junto de mim que ainda estava acordada, que ainda não me podiam operar... Eu queria falar, eu queria gritar, mas não conseguia... Eu sabia as palavras que tinha de dizer, mas o som não saía! Fiquei muito aflita, ainda senti alguma movimentação na sala até que... Adormeci!!!
   Agora que estou a pensar nisto, reconheço que ainda me assusta um pouco, foi realmente muito estranho!

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Manhã nos Cuidados Intensivos

   A manhã também passou muito vagarosamente, mas ter a Bea já na posse das suas faculdades foi maravilhoso. Já tinha tomado consciência que a cirurgia já estava feita e que tinha acordado bem. Teve necessidade de satisfazer a sua curiosidade relativamente a tudo o que aconteceu enquanto dormia. Tive de lhe contar tudo até ao mais ínfimo pormenor. Quando lhe disse que ela parecia ter-nos reconhecido junto de si, na noite anterior, ela riu-se e referiu não se lembrar de absolutamente nada. Quando lhe descrevi o penteado que lhe tinham feito, voltou a sorrir.
   Apesar de tudo, ela estava com bom aspeto, com um ar sereno e tranquilo. A minha pequenina, por agora, estava bem. As enfermeiras continuavam a vigiar todos os valores que as máquinas ditavam, iam introduzindo medicamentos no soro, tudo para a Bea não ter dores e acautelar complicações futuras.
   A manhã foi passando, até que chegou o pai da Bea. Foi imensa a sua alegria quando a viu acordada e relativamente bem disposta. E ela também ficou muito contente ao vê-lo. Aproveitei a presença do meu marido, para ir até ao quarto tomar banho e mudar de roupa (estava ainda salpicada do líquido verde que a Bea tinha vomitado). Passei, ainda, pelo Bar para comer qualquer coisa para conseguir aguentar o que ainda estava pela frente...
   Novamente juntos, a Bea contou-nos tudo o que se tinha passado no Bloco Operatório até ao momento em que adormeceu. Este relato vai ser escrito pela Bea...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Apontamento sobre a minha queda...

   Olá!
   Decidi, hoje, escrever algumas palavras para verem que eu estou mesmo bem. O que a minha mãe escreveu, ontem, mostra pouco o estado em que ela ficou quando lhe mostrei os meus ferimentos. Realmente a queda foi aparatosa, mas fiquei bem. Ainda não consegui perceber como é que aquilo aconteceu, o chão até era direito, mas caí! Fiquei dorida numa mão e nos joelhos e, hoje, quando me levantei, doeu um bocadinho, mas acabou por passar.
   Foi um momento mau, mas deu para eu concluir que, afinal, as barras, os parafusos e as porcas que eu tenho na minha coluna estão mesmo bem presas... E ao confirmar isto fiquei com muita vontade de rir daquela queda maluca!!!
   Tenho acompanhado a minha mãe na elaboração de todos os textos que ela tem escrito e está a saber muito bem estar a partilhar este meu projeto com ela. Quando iniciei este blogue, nunca pensei que iria ficar como está, nunca imaginei que ia ter os leitores que sei que tenho. Fico muito feliz por a minha história estar a interessar a todos os que me acompanham... Sinto-me realmente acompanhada e tenho muita vontade de continuar...
   Bem, amanhã tenho teste de Físico-Química... Vou rever parte de um conteúdo que ainda me falta e, depois, caminha!
   A minha mãe irá continuar a contar-vos a nossa história, mas quando chegar à parte em que saio do hospital e regresso à minha casinha, voltarei a assumir este teclado...
   Beijinhos!!!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Grande susto!

   Após quatro meses e meio após a cirurgia, hoje, quando cheguei a casa, encontrei a Bea com um penso numa mão. Pensei que estivesse a brincar comigo, mas quando me mostrou que também os joelhos tinham pensos, fiquei com o coração a bater a mil... Receei, e muito, o que ia ouvir a seguir como explicação para aquilo. Pois bem, tinha caído na escola. Apesar de estar a ouvir isto da boca dela, e mesmo estando ela, inteira, em frente a mim, eu senti uma "coisinha" muito má... Ela tem a coluna cheia de material e desde que vi o RX que mostra isto mesmo, que me sinto muito receosa com tudo o que pode acontecer à Bea: um simples encontrão, uma pequena queda ou então isto - uma grande queda, ao ponto de lhe ter ferido uma mão e os joelhos. E aconteceu mesmo! Hoje estava vestida com calças de ganga, pois bem, as calças ficaram com buracos nos joelhos. Foi um enorme susto para nós, ela não sabe explicar o que aconteceu, pura e simplesmente caiu.
   Passado o choque, disse à Bea:
   - Assim confirmaste que o material que está a segurar a tua coluna realmente não sai!
   Esta cisma da Bea é real, mas na próxima publicação voltarei ao ponto em que estava, nos Cuidados Intensivos, até chegar ao momento em que o material que a Bea "carrega" na coluna, começou a fazer-lhe muita confusão...
   Ainda muito há para contar: muito sofrimento, grandes sustos, algumas alegrias e continuaremos a ver o que o Destino ainda reserva para nós...

domingo, 31 de janeiro de 2016

Primeira noite pós cirurgia - Escoliose

   E a noite lá foi passando, vagarosamente, mas como tinha a Bea ao meu lado, ainda que naquele estado, sentia-me "bem". Aquelas longas horas da cirurgia foram bastante marcantes, foi mais do que um pedaço de mim que saiu de junto de mim, toda eu mergulhei num estado de ansiedade, nervosismo, sofrimento indescritíveis... Sabia que não podia fazer nada, ela estava nas mãos dum médico conceituado neste tipo de cirurgia, só tínhamos de confiar... Mas, penso poder dizer, que todos nós sabemos o que custa quando temos de entregar a "vida" dum filho nas mãos da Medicina e de Deus! Saber que ela estava a levar anestesia geral estava a fazer-me muita confusão.
   Mas voltemos aos Cuidados Intensivos... Como já referi, a Bea ia acordando e falava como se ainda não tivesse sido operada, aliás, numa dessas vezes, perguntou-me quando é que ia para o Bloco. Houve um momento em que o cansaço apoderou-se de tal forma de mim, que dormitei um pouco. Foram breves minutos pois a Bea estava sempre a acordar. Por volta das sete da manhã, ficou mais agitada, indisposta e começou com vómitos. De repente,  a sua boca parecia uma fonte, jorrou um líquido tão verde, muito, muito esquisito. Fiquei muito assustada ao ver a Bea muito aflita, tentei que não se sujasse muito, mas foi impossível, o líquido era tanto que até a mim me sujou. Depressa chegaram as enfermeiras e limparam tudo.
   Poucos minutos depois, chegou a médica anestesista e disse que aquele líquido verde constituía um efeito secundário da morfina que a Bea estava a levar para as dores. As dores eram muitas e muito fortes e só a morfina conseguia ajudar... Ouvir falar em morfina deixou-me apavorada! Mas tinha de ser, as dores eram mesmo muito intensas e se só aquele medicamento lhe atenuava as dores, paciência!

A noite nos Cuidados Intensivos

   A médica anestesista ainda ficou mais algum tempo junto de nós, a controlar todos os valores que as máquinas iam ditando. As enfermeiras também foram incansáveis, e isso fez-nos perceber que a Bea estava a ser muito bem tratada, aliás, não exagero, ao dizer que todos mimaram a Bea e muito. Enquanto isto, a Bea continuava a dormir muito serenamente.
   Entretanto, a médica saiu e ficamos ali com a nossa menina... As enfermeiras continuaram a controlar todas as máquinas, a ajustar a saída do soro, etc. Tinham-nos dito que eu poderia passar a noite com a Bea, o que me deixou muito feliz. Gostava que o meu marido também ficasse, mas não era permitido. Assim, por volta da meia noite, fiquei sozinha com a Bea.
   Nas conversas que tínhamos tido antes da cirurgia, uma das coisas que ela tinha pedido era que quando saísse do Bloco e estivéssemos com ela, lhe pegássemos na mão. E foi precisamente isto que fiz. Peguei na mãozinha dela e, assim, passamos a noite. A enfermeira tinha posto ao lado da cama dela um sofá que dava para me deitar e disse-me para eu tentar descansar. Não consegui, a Bea segurou a minha mão, mesmo continuando a dormir. Assim, ela descansou e eu fiquei descansada ao vê-la serena, a dormir. Durante a noite, a vigilância por parte das enfermeiras continuou... A Bea, de vez em quando, gemia e eu acalmava-a e foi imensa a minha alegria quando percebi que ela sabia que eu estava ali a segurar na mão dela, tal como tínhamos combinado! Foram várias as vezes em que ela acordou do seu longo "sono", um pouco agitada (normal, segundo a Enfermeira) e, curioso, sempre que despertou, falava como se ainda não tivesse sido operada. Eu acalmava-a, dizendo-lhe que já estava tudo bem, que a coluna já estava direita. Ela parecia perceber as minhas palavras e voltava a adormecer, exibindo um ar de felicidade, alívio... Mais tarde, verifiquei que ela não tinha dado por nada daquilo, das suas reações, pura e simplesmente não se lembrava. Já fora do período crítico e na posse total de todas as suas faculdades, ao ouvir este relato, a Bea riu. É tão bom vê-la sorrir!!!

sábado, 30 de janeiro de 2016

Fotografias nos Cuidados Intensivos

   E, agora, partilho estas fotografias tiradas nos Cuidados Intensivos. A Bea achou muito engraçado o penteado que lhe fizeram no Bloco.




As primeiras "palavras", ainda nos Cuidados Intensivos

   Ver ali a Bea, assim, silenciosa e quieta deixou-nos um tanto ou quanto perturbados. Contudo, a médica anestesista, ao ver as nossas caras de preocupação/aflição, sossegou-nos, dizendo que a Bea estava bem, que se tinha portado muito bem no Bloco Operatório. Contou-nos que, antes de adormecer, falou um pouco com ela. Tinha-lhe dito o nome e profissões dos pais, o nome do irmão, o que é que gostava de fazer... Tinham, também, falado sobre o aparelho ortodôntico que ambas usam. Aliás, neste ponto, a doutora disse que tivera muito cuidado com a boca da Bea no momento em que a viraram de barriga para baixo.
   A Bea continuava "apagada" e isso estava mesmo a transtornar-nos. A médica percebeu e disse que nos ia mostrar que ela estava mesmo bem. Então, com os dedos dela apertou, de cada lado do pescoço da Bea, sensivelmente na zona abaixo das orelhas, e a Bea abriu os olhinhos. Meteu-nos muita impressão e pedimos para a deixar estar. A doutora, muito querida, disse-nos que não a estava a magoar, só queria que a Bea soubesse que os pais estavam ali junto dela. E assim foi, disse-lhe que nós estávamos ali... Imediatamente falamos com ela, percebemos que ela nos tinha sentido junto de si, que nos ouvira, mas não conseguiu articular uma palavra que fosse, somente uns grunhidos. Tanto sofrimento, meu Deus!!!
   A "luz", naquela longa e dolorosa noite, voltou a acender-se, a Bea tinha dado um sinal e, para nós, aquilo constituía já uma grande vitória. Nós sabíamos que ia ser muito doloroso e que todo este processo seria lento. A doutora ainda nos contou alguns pormenores da cirurgia e disse que este tipo de intervenção faz realmente milagres e que é simplesmente lindo o momento em que a coluna é esticada... A coluna da Bea estava um autêntico S, isso nós sabíamos, por isso conseguimos, mesmo sem termos visto, imaginar esse momento em que a coluna fica direita. É simplesmente maravilhoso e tratando-se da coluna da nossa filha, não conseguimos verbalizar aquilo que nos vai na alma!

domingo, 24 de janeiro de 2016

Nos Cuidados Intensivos...

   Quando contemplamos a Bea deitada naquela cama, passavam alguns minutos das vinte e três horas daquela longa noite de dezoito de setembro de 2015, rodeada por uma série de máquinas às quais estava ligada através de fios e mais fios, as enfermeiras à sua volta a controlar os valores que as máquinas iam ditando, ficamos muito assustados. A Bea sempre foi muito ativa, uma criança cheia de vida e desde que descobriu o gosto pela natação, nunca mais parou... Continuou com a sua dedicação aos estudos, nunca deixou nada por fazer, fosse o trabalho de casa qual fosse, todos eram importantes e todos mereciam a sua dedicada atenção. Posso mesmo escrever "vendia saúde", e era tão bom ver esta energia, alegria pela Vida!!! É curioso, mas é a mais pura das verdades, mesmo quando lhe foi diagnosticado este grave problema de saúde, a Bea não baixou os braços, não se deixou abater e sempre exibiu uma atitude de total confiança em tudo e em todos. Momentos houve em que a encontramos mais introspetiva e muitas vezes nos perguntamos o que é que estaria a passar na sua cabecinha, que pensamentos a atormentavam ... Algumas vezes ela desabafou, outras não.
   Agora, ali estava ela, inerte, completamente alheada do mundo, com os olhinhos completamente cerrados, mas com um ar sereno. Primeiro, o nosso coração bateu aceleradamente, depois sossegou porque a médica anestesista que estava junto dela disse-nos que ela estava bem. Depois choramos... Sempre que recordo este momento, as lágrimas saltam sem pedir qualquer tipo de licença para entrar...
   Sei que estou escrever no blogue da Bea, mas se estou, a seu pedido, a partilhar com vocês, pais, mães, avós..., este momento tão delicado das nossas vidas, não consigo fazê-lo sem mostrar, na realidade, tudo o que sentimos! Peço-vos, também, caso tenham alguma questão que queiram colocar sobre tudo isto e que não foi ou será aqui publicado, não hesitem em comentar e perguntar o que desejarem.

Fotografias nos Cuidados Intensivos

   Deixo-vos com duas das fotos tiradas nos Cuidados Intensivos. A Bea tinha-nos pedido para registarmos em fotos tudo o que fosse possível para depois ela poder ver... Temos poucas fotografias pois o momento não era muito propício para tal atividade, mas chegam para a Bea ver o que não viu enquanto esteve "desligada".




sábado, 23 de janeiro de 2016

Cuidados Intensivos pós-operatório...

   Enquanto não vimos a Bea, não conseguimos sossegar. O médico tinha-nos alertado para o facto de ainda ir demorar um pouco até que ela estivesse pronta para  podermos vê-la, beijá-la, enfim, confirmar que ela estava bem. Foram muitas horas com anestesia geral e isso estava a causar-nos um enorme transtorno emocional, ela estava a "dormir" há já muito tempo, precisávamos estar junto dela e confirmar que o seu coraçãozinho estava a bater na perfeição e queríamos que quando ela abrisse os olhos, nos encontrasse junto dela. A última vez que nos vimos,  choramos e sofremos muito... Ainda hoje, à distância, consigo vislumbrar o medo na face da Bea ao deixar-nos para trás, no momento em que entrou no Bloco Operatório. É uma imagem que dificilmente sairá das nossas memórias, e isto porque a dor por ela provocada nos nossos corações foi de tal forma, que  jamais conseguirá ser apagada!
   Mas tínhamos de ser fortes e passar para a Bea, quando estivéssemos de novo juntos, essa força, sim, ela é que precisaria de TUDO para conseguir enfrentar o longo e doloroso caminho que ainda tinha de percorrer... Não esqueçamos que a nossa Menina tem apenas 12 anos de idade.
   Chamaram-nos! Despedimo-nos dos Amigos que estiveram connosco naquelas longas e dolorosas horas e... entramos nos Cuidados Intensivos. A dor continua a ser imensa e profunda ao lembrar este momento, o momento em que percorremos um corredor, passando por algumas portas, até que ... vimos a Bea. Não consigo, agora, expressar por palavras aquilo que sentimos quando contemplamos a nossa Filha, deitada naquela cama, ligada a máquinas, cheia de tubos, fios e, ainda, com os olhos fechados...
   Continua...

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Pós operatório - primeira conversa com o Médico.

   Ao ouvirmos o nome da nossa filha, tudo parou, até mesmo o relógio... Foi uma sensação muito estranha, continuávamos a acreditar que tudo tinha corrido bem e que a Beatriz estaria muito bem. Mas, bem lá no fundo, pairava aquela dúvida, aquele receio de que algo poderia ter corrido menos bem... Sim, menos bem, apenas, porque a nossa filha estar bem, tinha de estar!!!
   Anestesiados, rapidamente ultrapassamos aquela porta e fomos recebidos pelo Doutor, que tinha acabado de operar a Beatriz. O seu semblante era por demais revelador que tudo tinha corrido bem e que ela estava, efetivamente, bem. O nosso coração sossegou, no entanto, os batimentos continuavam acelerados porque estávamos a ouvir falar da Bea, mas não estávamos a vê-la. Ou seja, o tormento ainda não terminara...
    - Tudo correu bem, a Beatriz está bem, acabei de a deixar, estão agora a prepará-la para a trazer para os Cuidados Intensivos. A Beatriz já está toda ESTICADINHA. - disse o Doutor.
   Achei delicioso o vocábulo que o doutor usou para definir o novo estado da nossa filha - "esticadinha". E era isto mesmo que todos nós queríamos, isto é, que aquela coluna que cresceu torta ficasse direita, esticada...
   As nossas preces tinham sido ouvidas e, mesmo ainda não estando junto da Beatriz, conseguimos, por momentos, sossegar um pouco os nossos corações... Ficamos muito emocionados, agradecemos ao doutor e juntamo-nos, novamente, a uns Amigos que nos tinham feito companhia naquelas longas e dolorosas horas de angústia e de espera. Contamos as novidades e ficamos felizes! Depois, por telefone, contamos as novidades a familiares e amigos que, em casa, sabíamos, estavam a torcer pela Beatriz.
   Próxima etapa: ver, tocar na Bea!

domingo, 17 de janeiro de 2016

A porta abriu-se.

   Não me lembro de sentir o tempo a passar tão devagar...
   Ficámos sentados em frente a uma outra porta que também dava acesso ao Bloco Operatório. Junto a esta porta havia uma campainha que podíamos tocar se pretendêssemos saber informações sobre a cirurgia da Bea. Achamos que não devíamos incomodar porque já nos tinha sido dito que a cirurgia seria muito longa. É óbvio que momentos houve em que a vontade de carregar naquele botão foi intensa, mas decidimos esperar...
   A espera tornava-se cada vez mais dolorosa, como estaria a nossa pequenina?! O tempo passava e a angústia aumentava, até que, de repente, aquilo que há pouco constituía uma interrogação retórica, acabou por se converter numa questão que desejava ardentemente uma resposta. A dita porta tinha-se, entretanto, aberto porque um senhor tinha tocado para saber informações sobre alguém que também estava a ser operado naquele momento. Aproveitámos e, sem querer incomodar, mas incomodando, pedimos à Enfermeira que nos desse novidades. Pediu para aguardarmos um bocadinho enquanto ia saber informações. Daí a pouco, regressou e, carinhosamente, disse que estava a correr tudo bem, mas que ainda faltava muito para terminar. Isto aconteceu por volta das vinte e uma horas.
   Sabermos que estava tudo a correr bem proporcionou-nos um pouco de tranquilidade, contudo esta sensação depressa se evaporou. Começando a contar os minutos, as horas que passaram desde que vimos a Beatriz pela última vez, fez crescer em nós, novamente, o receio perante tudo o que estava a acontecer. E outra vez a revolta: mas porquê isto, porque é que isto tem de ser assim?!!!
   Por cima da referida porta estava o relógio que teimava em fazer passar muito lentamente o Tempo...
   Às vinte e duas horas e trinta minutos, a porta abriu-se e ouvimos:
   - Os pais da Beatriz...

domingo, 3 de janeiro de 2016

E a porta fechou-se!

    Olá! Sou a mãe da Beatriz e vou, a pedido dela, contar-vos tudo o que se passou desde que aquela grande porta do Bloco Operatório se fechou e nós ficámos sem a nossa pequenina durante algumas horas. Não vai ser fácil esta tarefa, continua a ser muito penoso para nós estarmos a viver tudo isto com a nossa filha que sempre foi perfeita, direitinha, atleta, aluna brilhante, enfim...
    O dia em que descobrimos que a coluna da Bea apresentava um problema foi traumático, não podia ser... Mas era: tinha escoliose que só seria tratada com uma intervenção cirúrgica. A situação em si já era terrível, e a longa espera à espera que o tempo passasse para ela poder crescer mais um bocadinho foi uma tortura. Foi um desgaste muito grande para todos e, confidencio-vos, houve momentos em que quisemos acreditar que ela poderia melhorar. Mas não, antes pelo contrário, a situação agravava-se a cada dia que passava. Nos últimos meses, constatar que algumas pessoas ficavam boquiabertas a olhar para a postura da Bea... foi muito doloroso!
    No dia em que o doutor marcou a cirurgia, não consegui falar muito, estava mentalizada para a situação, mas saber que daí a pouquíssimos dias já ia ser operada, tirou-me todas as forças, instalou-se o medo e, ao mesmo tempo, uma grande revolta: porque é que tinha de estar a acontecer tudo aquilo?! No entanto, já com as palavras a não terem força para sair, ainda consegui pedir ao doutor que pusesse a minha filha direita...
    Dia 18 de setembro de 2015: por volta das dezoito horas e trinta minutos, a porta do Bloco fechou-se. Uma enfermeira disse-nos para não ficarmos ali à espera, a cirurgia seria muito longa, por isso seria melhor sairmos dali. Foi muito carinhosa e tentou tranquilizar-nos, disse-nos que tudo iria correr bem, que ela estava em boas mãos. Aquela grande porta separava-nos da nossa pequenina, por isso não conseguimos sair dali, não aguentávamos uma distância ainda maior. Rezei muito...
   E as lágrimas já estão a correr...

sábado, 2 de janeiro de 2016

E apaguei / adormeci!!!

   Já vos contei como foi a entrada no Bloco Operatório... À entrada da sala onde ia ser operada, espetaram-me uma agulha na mão direita, não me doeu nada. Quando entrei na sala vi muitos aparelhos, cada um mais esquisito do que o outro e o meu medo aumentou, aqui sim, estava mesmo muito assustada e não tinha os meus pais junto de mim, apetecia-me gritar. A médica anestesista que me assistiu logo se aproximou de mim e falou comigo: disse o seu nome, perguntou-me a profissão dos meus pais, onde morava, disse-me que ela também tinha escoliose, mas que não precisou de ser operada, falou-me da natação, da escola, entre outras coisas... De repente deixei de a ouvir, viraram-me de costas e sei que me senti muito aflita porque eu estava a sentir tudo, pelo menos achava que sim, queria dizer a todos os que ali estavam para não me fazerem nada porque eu ainda estava acordada. Eu queria falar, mas as palavras não me saíram, foi muito estranho... depois ainda senti um frio nas costas, parecia um líquido... E apaguei!!! E fiquei assim durante muitas horas...
    E agora, queridos leitores, vou passar a palavra à minha mãe e será ela, juntamente com o meu pai, que irá contar-vos tudo o que se passou enquanto eu estive "desligada".

    - Mãe e Pai, o teclado é todo vosso! 

Escoliose - a cirurgia!

    Olá e Bom Ano para todos!

    Tal como prometi, aqui estou eu para continuar a contar-vos a minha história. Estive a rever as fotografias que tenho e verifiquei que não vos mostrei uma coisa: além das meias que já apresentei aqui, tive também de vestir umas cuecas muito engraçadas. Por breves instantes, senti-me novamente bebé, pois esta peça de vestuário mais parecia aquelas cuecas que a minha mãe me vestia quando usava vestidos. Admito que me ri um bocado e me ajudou a passar um bocadinho aqueles momentos de espera, muito angustiantes, de que já vos falei. Para completar o modelo, tive de tirar a minha camisa de dormir e vestir uma espécie de bata que se apertava atrás. E pronto, estava prontíssima para a grande aventura...


   
 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Ano novo... Vida nova!

    Hoje é dia 31 de dezembro de 2015. Antes de vir para aqui para partilhar com vocês mais alguns momentos desta minha Aventura, estive a fazer o balanço deste ano prestes a terminar. Porém, antes de o fazer, pedi à minha mãe que fizesse o seu balanço. Ela, prontamente, respondeu "Nem quero pensar nisso, o ano foi mau...".
   Logo eu respondi: Não foi nada, então vê lá bem...
   E comecei a narrar todos os meus feitos deste ano e, apesar de ter passado por maus bocados, dei comigo a fazer um balanço positivo. A nível escolar, tudo cinco estrelas, fiz exames que correram maravilhosamente; a nível desportivo, fui a todas as provas possíveis, até ao Campeonato Nacional de Natação; fui novamente à Disneyland Paris onde me diverti muito, muito, foi maravilhoso; e, claro, fui operada... A seguir, deixo-vos com duas fotografias minhas: antes e depois da cirurgia! No próximo ano, continuarei a contar-vos as minhas aventuras e ficarão a saber quantas horas durou a cirurgia, as complicações, o sofrimento, tempo de internamento, fotografias, o que tenho feito, como estou e como estarei...
   A todos desejo um Ótimo Ano de 2016, com muita Saúde, Paz e Alegria!
                                                                       Bjs!

         18-09-2015                                                                   21-09-2015


Cirurgia - escoliose...

    O relógio marca as 17h, estava serena, o comprimido fez efeito, estava preparada, tinha de ser... Olhava para a porta, mas ela não se abria... não abria mesmo! No quarto ao lado do meu estava uma menina, parecia um pouco mais velha do que eu, tinha sido operada há dois dias... e já andava. Dei comigo a invejar a sorte dela, já tinha passado por aquilo que eu estava a passar e ainda ia passar: a operação. Uma das enfermeiras já nos tinha dito que, em média, são operadas duas meninas por semana naquele hospital, para tratar precisamente escolioses como a minha.
    - Ai, já passa da hora, nunca mais me vêm buscar!
    A espera estava a tornar-se angustiante, o medo começou a apoderar-se de mim, precisava de terminar aquilo depressa...
    Dezoito horas e quinze minutos, a porta abriu-se.
    - Vamos lá, Beatriz, está na hora! - disse uma das enfermeiras que me veio buscar.
    Agora, à distância não sei dizer-vos o que senti naquele momento, mais medo ou seria alívio por, finalmente, ir fazer aquilo que me iria pôr uma rapariga normal, com as costas direitas, de forma a que as pessoas menos discretas deixassem de me olhar como "diferente"!
    Saí do meu quarto deitada na minha cama, e lá fui eu, acompanhada por uma auxiliar e por uma  enfermeira que empurravam a cama, e os meus pais que não me largaram um bocadinho. Os nervos apoderaram-se de mim e pouco depois de iniciar a viagem na minha cama, comecei a chorar... Por volta das 18.30h entrei no Bloco Operatório, depois de me despedir dos meus pais. Todos chorámos...
    Já com a porta fechada do Bloco, ainda consegui ver a minha mãe através do vidro da parte superior dessa porta. Entretanto, puseram-me uma touca na cabeça, ajudaram-me a sair da minha cama e passei para uma maca. Nesta havia uma espécie de uma roda cor de cera com um buraco no meio. Era a minha "almofada", onde coloquei a minha cabeça. E lá fui eu...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Tarde do dia 18 de setembro... à espera da cirurgia!!!

    A hora de almoço passou, confesso que não tinha fome. Por volta das 14h, o meu médico foi ter comigo ao quarto e disse-me que me viriam buscar por volta das 17h para me levarem para o bloco operatório, mas um pouco antes eu teria de tomar um comprimido que me iria ajudar a relaxar. E assim foi, às 16h deram-me o tal comprimido com um pouco de água. Estava a chegar a hora... mas a espera estava já a pôr-me nervosa, enquanto não ia, pensava em coisas: o que é que me iriam fazer, ia sentir alguma coisa, ia doer?! Tinha metido na cabeça que seria operada ao início da tarde, por isso, confesso, estava a passar-me... Às 16.20h a Enfermeira trouxe umas meias brancas e pediu aos meus pais que mas vestissem, alertando para o facto de que era uma tarefa difícil, pois as meias eram muito apertadas e tinham como função, precisamente, apertar-me as pernas, pois a cirurgia seria muito longa. Enfiar aquelas meias acabou por ser um momento divertido, era o meu pai de um lado, a minha mãe do outro, os dois a puxarem aquelas meias super apertadas. Já colocadas, até que as minhas pernas ficaram giras. Podem ver isto mesmo, na fotografia que mostro a seguir...







sábado, 26 de dezembro de 2015

Manhã do dia 18 de setembro, onze horas

   Às onze horas, mais coisa menos coisa, os meus pais procederam ao preenchimento de toda a papelada para eu poder ficar internada, na companhia da minha mãe, que ficaria sempre comigo. Confesso que estava um pouco - ou seria muito?? - nervosa. Estava muito nervosa e com muito receio. Desde que entrei no hospital que fui sempre muito bem tratada, todos me trataram com carinho e foram muito pacientes comigo.
   Preenchida a papelada do internamento, chegou junto de nós uma enfermeira que me encaminharia para o meu quarto. Entrámos no elevador e subimos. O coração começou a bater com mais força... Estava mesmo muito nervosa, admito! Quando entrei no quarto, gostei do que vi: era um quarto acolhedor, tinha televisão, sofás, casa de banho e, claro, uma cama. O meu pai começou logo a brincar comigo e, para me pôr à vontade, mostrou-me a paisagem que se via das duas grandes janelas que tinha o quarto. Depois, brincou comigo e juntos "explorámos" a cama. Fiquei mais descontraída quando descobri um comando junto à cama e comecei a ver para que é que ele servia. Pois é, a minha cama era toda articulada - subia e descia a parte das pernas, subia e descia a parte do tronco, a cama toda descia e subia, era maravilhosa. Depois, brinquei com um outro comando que a Enfermeira me tinha mostrado e explicado para o que servia. Um dos botões era para chamar a enfermeira quando precisasse, outro era para as luzes do teto, outro para o candeeiro da cama, outro para a entrada do quarto... E, claro, o comando da televisão. Carreguei no botão e a televisão ligou...
   E fiquei assim, à espera! Entretanto fui trocar de roupa e vesti uma camisa de dormir... Quanto a comer, já sabia que não podia comer nem beber nada...

      Olá, Queridos Amigos!
      Há quanto tempo... É verdade, estive aqui com vocês no dia 18 de setembro de 2015, dia muito importante para mim pois era precisamente neste dia que se ia dar uma grande mudança em mim. A minha escoliose não podia esperar mais, a curvatura já era tanta que a seguir iria ter dificuldade em me segurar. Já tinha feito todos os exames necessários para a cirurgia e, por volta das 10.30h, o carro dos meus pais parou no parque de estacionamento. Levámos tudo o que era necessário para uns dias de internamento. A minha mãe ia poder ficar comigo, fiquei muito feliz quando me disseram isto.
     À entrada do hospital, o meu pai tirou-me esta fotografia que apresento a seguir. Até já!



sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Escoliose Infantil - o Dia da Cirurgia

   Bom dia!
   E o Grande Dia chegou - dia dezoito de setembro de 2015. E é para você, querido leitor, que eu estou a escrever estas últimas palavras antes de acabar de me preparar para sair e ir para o hospital. Confesso que, agora, estou a ficar um bocadinho nervosa e também com um pouco de medo. Como ainda sou uma criança, vou ficar internada na Pediatria e a minha mãe vai ficar sempre comigo, isso já é bom. O médico anestesista disse que eu só ia sentir a pica na mão para me porem o soro, mas tenho medo de sentir mais alguma coisa... Será que vou sentir alguma coisa durante a operação?
   Sei que têm lido os meus textos e acompanhado a minha história, seja só por curiosidade, interesse pelo assunto ou porque têm alguém próximo que apresenta o problema de saúde igual ou parecido ao meu. Obrigada por me acompanharem!
   A minha cirurgia começa às 15 horas...
   Logo que possa voltar à escrita, podem contar com a continuação desta minha aventura, continuarei a contar o que se passar comigo a partir de hoje, o dia em que vou Crescer... e vou crescer porque o senhor doutor vai pôr-me a coluna direita!
  
                    O verde é a cor da Esperança, e eu tenho muita ESPERANÇA...

                                                                                       BEIJINHOS

                                                                                                    Até já!

                                                                                                             🍀

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Consulta de anestesia - Escoliose Infantil

   No dia 15 de setembro lá fui eu a mais uma consulta ao Hospital dos Lusíadas (este hospital já começa a parecer a minha segunda casa...), desta vez era a consulta de anestesia. Estava marcada para as dezasseis horas, mas o doutor atrasou-se um pouco.
   Mais um doutor muito simpático e esclarecedor. Explicou-me tudo o que ia acontecer na operação: no dia dezoito de setembro tomava o pequeno almoço às oito e a partir dessa hora não podia comer mais nada; às onze tinha de estar no hospital.
   De seguida, disse-me que a minha cirurgia era muito difícil e complicada e que por isso eu tinha de ser uma mulher muito forte. Seria uma cirurgia muito longa, três a cinco horas. Para eu não estar preocupada com o chichi, iriam colocar-me um tubinho para eu estar completamente à vontade. Era capaz de ter dores quando acordasse da anestesia geral, mas que seriam aliviadas com medicamentos que me colocariam no soro. Ah, disse também que antes da cirurgia iria tomar um comprimido que me deixaria calminha.
   Depois de terminada a sua explicação, perguntou-me se eu tinha alguma dúvida. Perguntei quando é que podia comer depois da operação, ao que ele respondeu: "Não vais ter fome porque o soro alimenta-te. Não te preocupes!". Esta questão preocupa-me muito pois eu ando a comer muito bem, por isso estava a fazer-me confusão estar tantas horas sem comer! Bem, vamos lá ver se não vou mesmo ter fominha?!
   Acrescentou, também, que depois da operação eu não ia para o quarto, mas sim para uma sala de cuidados intensivos onde teria sempre pessoas a acompanhar-me. No geral, foi mais ou menos isto que aconteceu. Viu o resultado dos exames que fiz no dia 9 e disse que estava tudo bem, e que a minha hemoglobina era excelente. Não me perguntem porquê, pois não sei... Mas se é muito boa, ainda bem!